The Prodigy - The Fat of The Land
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ficha técnica
Nota: 5 / 5
Ano: 1997
Selo: XL Recordings
Estilos: big beat, hardcore, clubber, punk dance
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The Prodigy - The Fat of The Land
Mais do que big beat, o disco que criou as bases para a eletrônica explodir no mainstream como música e comportamento
26.11.07 17:10
A idéia de "clubber" tem várias concepções, nascidas em diversas épocas sob inúmeros contextos musicais e comportamentais. Um famoso boom desse way of life eletrônico se deu há dez anos quando surgiu The Fat of The Land, o terceiro álbum da banda inglesa The Prodigy.

Mais do que o rumo mainstream de uma até então inédita fusão do eletrônico raver britânico com o big/break beat e o mais raivoso punk rock imaginável, esse álbum fez pipocar por todo o planeta multidões de jovens clubbers coloridos, de moicanos duplos imitando Keith Flint e tantos piercings quantos gostos musicais eletrônicos. Fãs do Prodigy iam de amantes do então energético drum'n'bass da época, a techneiros de porão de boate. Fora o extremo da coisa toda, que criou cybermanos periféricos de botas anti-serviço militar e outras ideologias, e outras richas urbanas nas metrópoles - correr de skatista era o esporte oficial da época.

O Prodigy surgia como expoente máximo de uma época nervosa do pop-rock mundial. Mesmo com "Closer" do NIN e com o surgimento da criatura Marilyn Manson, ninguém alterou a composição do pop como a banda inglesa. Tudo isso com a até então obscura música eletrônica - coisa de doidão -, que mostrou poder assumir papel de destaque e se encaixar com vários estilos musicais já estabelecidos. Um exemplo: a música "Diesel Power", que abraça o hip hop com vocais do Ultramagnetic MCs e o beat pancada-na-cabeça característica da banda, que tem seu maior exemplo na clássica "Smack My Bitch Up" (que curiosamente sampleia o Ultramagnetic).

POLÊMICAS À PARTE, UMA APOSTA
"Firestarter" e "Breathe" foram as músicas que mostraram as intenções do Prodigy naquele momento, além de apresentar o ex-dançarino Keith Flint nos vocais, a frente de Liam Howlett, o mentor musical, como imagem central da banda. Mas - palpite arriscado! - é "Smack My Bitch Up" o supra-sumo do álbum.

É dela o mantra!
É dela o mantra!
A intro de 50 segundos, um riff motor de caminhão processado num loop repetitivo que estoura numa das batidas mais intensas já criadas. A bateria que se faz presente entre rasgações ácidas, alguns wow! e pimba: aquele longo e clássico interlúdio de mantra indiano, cantado por uma tal Shahin Bada (foto). E o clipe da música? Primeiro proibido, depois jogado na madrugada da MTV, mostrando o lifestyle de dúbios conceituos sexuais da banda. Sem exageros, a ilustração de toda uma geração Trainspotting que nascia ali.



GHETTO
Mantras e sonoridades orientais não são exclusividade de "Smack My Bitch Up". O fator "étnico" já estava presente no Prodigy desde os tempos de "Voodoo People" e nesse álbum encontra abrigo também na melódica "Narayan", com vocais de Crispin Mills, o vocalista do incensado Kula Shaker. São quase nove minutos de tiros e big beats alternados que, assim como o Chemical o fez com New Order e Oasis, atendia ao ainda vigente espírito britpop da época.

De modo que Liam Howlett ainda estava mais para raízes do jungle de alguns anos antes deste álbum, e tudo que ele fez ao ajudar a criar o big beat foi desacelerar e editar o beat em linearidades mais complexas, em várias freqüências de bumbos e pancadas literais Logo, a percepção de que eletrônica não era um monolito imutável de BPMs. "Mindfields" é um bom exemplo: clima de filme de terror, vocal arranhado de Maxim e quatro a cinco grupos de breaks lutando ao fundo.

PUNK?
A comparação do Prodigy com o punk britânico de vinte anos pode ser baseada na "atitude", conceito tão escorregadio que aqui representa uma revolta explosiva sim, mas de cunho hedonista: para mudar o mundo, só era preciso o beat, a rave, algumas drogas e o fuck you! na ponta da língua. E tudo isso agora ao clique do controle remoto, saudado na MTV. Mais do que um neo-punk, é uma revolução democrática, já que estamos falando da época em que a Internet se massificou no planeta.

Musicalmente, há o estrondo "Firestarter", a batida que divide as atenções com o sotaque inglês escroto de Keith Flint (I'm the bitch you hated, filth infatuated - yeeeaaaah / I'm the pain you tasted, well intoxicated - tente cantar isso rápido). Pelo viés punk mais tradicional, tem guitarras e bateria de sobra em "Fuel My Fire", até um órgão 60's é arriscado. E "Serial Thrilla", mais desacelerada, com refrão fácil e poucos versos, o básico na dance music catchy.

Se depois de The Fat of The Land o Prodigy perdeu Leeroy Thornhill como dançarino, mas também a identidade musical e comportamental - foram sete anos até um disco novo que passou quase batido, o grupo inglês cunhou para sempre a sua formiga como marca de uma época em que ouvir e viver música eletrônica ainda podia, de alguma maneira, ser revolucionário.

Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
comentários
7 comentários
Rafael BZ
Rafael BZ(27.11.07)
0AprovadoQueima
Só fui comprar em 98. Ouvia d um amigo.
Dexei de dizer q ouvia rock pra dizer q ouvia música eletrônica! Virei clubber desde então! hahahhahaha
Giordano Bruno
Giordano Bruno(27.11.07)
1AprovadoQueima
The Prodigy foi a banda que me fez 'apaixonar' pela música eletrônica.
Apesar da primeira música que ouvi foi Voodoo People que não pertence ao Fat of The Land, esse disco tem uma importância enorme para uma geração de antigos clubbers do mundo inteiro.
Leandro Tanna
Leandro Tanna(27.11.07)
-2AprovadoQueima
Nem esperei chegar no Brasil esse album, pedi pra um amigo meu trouxe do canada antes..!!!!
Depois deste disco.. tudo que era musica eletrônica virou Prodigy na boca dos pagodeiro, axébunda e pra hoje agora então... os psyzeiros com mais de 25 anos.... hahaha!!!
Rafael Moura
Rafael Moura(27.11.07)
0AprovadoQueima
Escutei tanto que eu nem sei onde ele tá, devo ter esquecido em algum carro ou festinha. Longe de ser o melhor trabalho deles musicalmente falando, mas foi sem dúvida a "melhor porta de entrada" pra música eletrônica underground na vida de muita gente, influenciou mais que mto clube ou top DJ. Marco de uma geração. Merece todo o confete em seu nome. Prodigy é foda!
Renato Périgo
Renato Périgo(26.11.07)
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ahã!