Siouxsie - Mantaray
Primeiro álbum solo da cantora está disponível também em versão nacional
01.11.07 18:40
Cinqüenta anos recém-completados, Siouxsie Sioux está muito além do clichê do envelhecimento com dignidade a bordo do seu primeiro álbum solo (aquele que ninguém esquece, já que falamos em clichês). Desde os primeiros tempos de sua ex-banda, os Banshees, nos longínqüos anos 80, a deusa gótica não apresenta um trabalho tão consistente quanto Mantaray, agora disponível em versão nacional.
Os ecos do passado ainda estão lá, na voz que ainda se faz misteriosa, na dramaticidade gelada dos andamentos, nas intervenções pontuais dos teclados, mas a Siouxsie safra 2008 é literalmente solo. Separada do parceiro de música e cama, o baterista Budgie (se fosse para escolher uma senha que represente o fim do sonho gótico eu escolheria o rompimento do casal-símbolo do movimento), a senhora que já se chamou Susan Ballion, porém, não perdeu outra característica marcante de sua musicalidade: a bateria tribal, agora pelas mãos de Clive Deamer.
Mantaray é um álbum de grandes canções solo, mas é sua força como conjunto que se destaca - algo cada vez mais escasso e, de alguma forma, desimportante numa época em que as faixas únicas sobrevivem por si só.
Ora brechtiano, muito jazzístico, às vezes na toada de Pornography, clássico perturbador do Cure, o disco tem uma lógica envolvente: começa no presente, remetendo às bandas-discípulos como Long Blondes e Yeah Yeah Yeahs, em "Into a Swan" e "About a Happen", adentra pelo mundo do cabaret a partir de "Here Comes that Day, tem seu melhor momento em "One Mile Bellow", ritualística, e torna-se mais densa na reta final, que tem respiro na bela "They Follow You", um Bowie dos tempos de Serious Moonlight (melhorado, registre-se). Essa menina vai longe.