I'm Not There (2007) Direção: Todd Haynes Elenco: Christian Bale, Cate Blanchett, Marcus Carl Franklin, Richard Gere, Heath Ledger, Ben Whishaw Duração: 135 min Nota: 4.6 / 5 Ano: 2007
Filme aposta em uma livre interpretação da obra e da vida de Bob Dylan
31.10.07 15:05
Robert Allen Zimmerman, mais conhecido como Bob Dylan, é um cantor e compositor norte-americano. Nascido no estado de Minnesota e neto de imigrantes judeus, aos dez anos de idade escreveu seus primeiros poemas e, ainda adolescente, aprendeu a tocar piano e guitarra sozinho. Começou cantando em grupos de rock, imitando Little Richard e Buddy Holly, e voltou-se para a folk music, impressionado com a obra musical do lendário cantador folk Woody Guthrie - a quem fez uma visita 1961. E por ai vai...
Esses são fatos, colocados em ordem cronológica e facilmente encontrados no Google. E o que isso tem a ver com arte? I'm not there (2007), que ainda não estreou nos Estado Unidos, mas já levou um prêmio especial para o diretor Todd Haynes no festival de Veneza, não se ocupa muito com isso. Haynes faz uma livre interpretação da obra e da vida de Bob Dylan.
MULTIFACETADO O diretor parece ser fã de música e biografias. Ele já fez Velvet Goldmine, baseado na época Glam Rock de David Bowie e um documentário sobre a vida de Karen Carpenter (dos Carpenters). I'm Not There é um documentário falso, um drama, um videoclipe. E para interpretar Bob Dylan, foi chamado um time de atores dos mais diversos naipes para interpretar fases e personalidades diferentes do mesmo artista. Christian Bale (o Batman) é o pop star que sai em capa de revistas, Richard Gere (o ex-galã) é o velho solitário, Marcus Carl Franklin (o novato) é a origem e a pureza no blues, Heath Ledger (o cowboy gay) é o marido, Ben Whishaw (o cara que fez O Perfume) o artista contestador e Cate Blanchet (a atriz fodona) é o poeta, o artista questionado pela mídia e em busca da sua própria salvação.
Como o velho e solitário Dylan, interpretado por Gere, diz sentado num vagão de trem fugindo de tudo: "Eu posso mudar durante um dia. Quando acordo sou uma pessoa, e quando eu vou dormir tenho certeza de que sou outra". Todos os Bobs estão juntos numa montagem muito bem feita, que não te deixa confuso, mesmo porque não tenta contar uma história. O filme tem uma narrativa que flui cheia de momentos perdidos no tempo, ligados não pela cronologia, mas por sentimentos, por dúvidas, por amores, por idéias e por poesia. Se você não sabe muita coisa sobre a vida de Bob Dylan, vai continuar não sabendo após o filme, mas vai poder entender muito sobre sua alma e o que o motivou a ser o que ele foi.
Esteticamente é um filme belíssimo, com perfeitas recriações de imagens da época, filmadas ou em foto, como realidade ou como um falso documentário. Há cenas em preto e branco explicitamente inspiradas no filme 8 ½, de Fellini. E com uma direção de arte impecável que recria a cultura dos "caipiras" americanos, assim como os negros no nascimento do blues, o modernismo pop de Londres no anos 60 e a decadência cafona nos anos 70.
E falando de música, já que estamos falando de Bob Dylan (que também era cantor), o filme conta com muitas de suas músicas, mas evita o óbvio e não insiste nos hits. Há muitos momentos "roots", com o Bob personificado em uma criança negra, tocando violão com seus compadres e mandando ver no bom e velho blues. Tem também a fase folk, na qual ele dizia que não era um cantor folk (e isso é amplamente discutido no filme), com as músicas de protesto que foram seu karma pro resto da vida. A fase mais rock and roll no final dos anos 60, quando foi muito criticado por estar vendido e por ser um "traidor do movimento" também é mostrada. Bob Dylan na pele de Cate Blanchet tem até um encontro muito divertido com os Beatles em Londres, onde o quarteto aparece como se fossem macaquinhos saltitantes.
O filme não quer dizer nada, não tem nehuma mensagem, e é apenas uma poema visual, livremente inspirado na obra de um grande artista. Como o próprio Bob Dylan disse em uma entrevista para a revista TIME: "Eu não escrevo por razão alguma, apenas escrevo, não há nenhuma mensagem". Ou como diria um grande comunicador brasileiro: "Eu vim aqui pra confundir e não para explicar".
Errata: Não foi o Todd Haynes que disse essa frase em uma entrevista para a revista TIMES, foi o próprio Bob Dylan, tem isso em video e vale a pena ver pq é genial
ainda mais agora que o heath ledger morreu
http://br.youtube.com/watch?v=pR8YuIGqWi4
Teve uma seçao extra ontem!!!!
Tava facinho pegar ingresso!