Tim Festival 2007: Segundo dia de festival no Rio de Janeiro
Killers no Rio
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Tim Festival 2007: Segundo dia de festival no Rio de Janeiro
Killers, tenda de Funk Mundial e Neneh Cherry foram destaques na capital carioca
29.10.07 20:20
Da lama ao luxo! Se tudo (quase, menos a performance dos artistas e a segurança que foi 100%) pareceu não dar certo para o Tim Festival no primeiro dia, já o segundo, o sábado, fez bonito, forçando assim um equilíbrio na balança do histórico do evento. As bandas cumpriram bem seu papel, mas o atraso afetou e tumultuou a apresentação de diversos DJs.

O público, em um saldo de 27 mil pessoas nos dois dias, sendo 15 mil só no último - parecia ávido pela festa aproveitada somente pela metade na véspera e foi pra farra no sábado. A quinta edição do evento acabou ao som do DJ Marlboro e do DJ Guab. Mesmo com a luz do dia clareando, foi preciso que os seguranças convencessem o público a voltar para suas respectivas casas, pois o povo não parecia querer ir embora.


MISS SIMPATIA ROCK AND ROLL
As principais atrações de sábado ficaram concentradas no palco Novo Rock US . A atriz Juliette Lewis , ao lado da banda The Licks (que a acompanha) tinha a tarefa de abrir para The Killers. Musicalmente, a moça deixa muito a desejar, mas como show girl foi um prato cheio. Ninguém pode negar que, no quesito simpatia, a apresentação do Juliette and the Licks foi hour concour. Com pose de estrela de Hollywood, ela e eles (que também são tão ... quentes quanto a moça) incendiaram a platéia - se não pela música, pelo menos pelos contorcionismos de Juliette.

A banda fez o dever de casa, conduzindo de forma eficiente um "feijão com arroz" do rock and roll muito bem feito. Juliette soube interpretar dignamente o papel de band leader, mas faltou o dedo da direção para cortar os excessos. Os melhores momentos ficaram com o hit "Hot kiss" e as também populares "Love to kill" e "Death of a Whore". E, para encerrar, a glória para os marmanjos que estavam ali para ver a "atitude" da moça no palco, eis que ela os presenteia com um verdadeiro stage-diving.

FREDDIE NÃO MORREU
Saem os fãs de Juliette, entram os de Brandon Flowers e companhia e, às 22h em ponto começa a sucessão de imagens do encarte de "Sam's Town" , segundo e último disco do Killers, nos telões. Um primeiro olhar fazia qualquer ser humano desavisado pensar "o Queen está de volta". Brandon, com toda a pose e uma blusa de manga comprida branca com um colete preto por cima era o próprio Freddie Mercury. O guitarrista Dave Keuning, de terno, apesar do calor tropical, era uma cópia de Brian May.

Comparações engraçadinhas à parte, The Killers mostrou como se faz música de gente grande e como sustentar isso no palco. De cara, mandaram a faixa-título do segundo álbum, "Sam's Town", seguida por "Enterlude". Nesta, a platéia em coro cantava: "We hope you enjoy your stay / It's good to have you with us, even if it's just for the day". Com o público nas mãos, o show era deles e de seu maestro Brandon Flowers. Como não podia deixar de ser, tocaram a empolgante "When You Were Young" e mais uma seqüência de sucessos, que teve, entre outras canções, "Bones", "Jenny Was a Friend of Mine", "On Top" e "Somebody Told Me".

Em "Mr. Brightside", ficou nítida a opção da banda por desacelerar arranjos, o que em nada comprometeu a explosão que algumas músicas causavam. Depois desta canção, deixaram o palco, voltando alguns minutos depois para encerrar com uma seqüência que teve "Shadow Play", cover do Joy Division, e as ótimas "For Reasons Unknown" e "All These Things That I've Done". Esta, do disco "Hot fuss", fez a platéia entoar por vários minutos, inclusive sem a banda, a frase "I got soul, But I'm Not a Soldier". Estava acabando um dos melhores shows de todo o festival.

ESPAÇO E TEMPO PARA BATIDAS DIFERENTES
Enquanto isso, no espaço Tim Cool, começavam as apresentações mais climáticas da noite: primeiro com o Projeto Axial, seguido da eletrônica jazzística e elegante do Winona. O duo de produtores Craig Armstrong e Scott Fraser, baixista e tecladista, soube levar o público. O batidão começava na tenda Funk Mundial, primeira a dar espaço para sons pós-banda, com a apresentação do MC Gringo, Daniel Haaksmaan, DJ Sandrinho, Hervé & Sinden e Diplo - o espaço lotou rápido, proibiram a entrada de mais gente, mas o povo arrastou as divisórias e abriu a porteira - ficou impraticável. Do lado de fora, demorou muito para Herchcovitch e Johnny Luxo assumirem o palco do Village com um repertório que passeava entre uma house afetadíssima e alguns pancadões engraçadinhos...

Voltando ao Cool (que a propósito estava arrepiando no ar condicionado também), o novo projeto da cantora Neneh Cherry, cirKus, saudava a pequena, porém empolgada platéia, do TIM Cool aos gritos de "Tudo bem Rio?", com um sotaque bastante carregado. Numa mistura de reagge, dub, hip hop e jazz, a cantora e sua trupe ganhavam a platéia não só pelo som, mas pelos xingamentos ao presidente George W. Bush. Mesmo com pouca gente conhecendo o grupo, o show pode ser considerado um dos melhores do festival.

Todas as tendas de bandas tiveram atrasos que iam de meia a duas horas e o mesmo aconteceu com a de Jazz, o que acarretou num encurtamento da apresentação do norueguês Lindstrøm. A tenda era afastada do coração do festival: as pessoas iam e a porta permanecia fechada para a entrada; as pessoas voltavam e assim perdiam no mínimo 15 minutos de alguma apresentação. Faltou informação. Quem insistiu, aproveitou um set brilhante. Lindstrom parece cavalgar enquanto mixa seu house e minimal espacial. E a tenda de jazz era a que tinha a melhor estrutura, o melhor som, o melhor ar. Foi bom e durou pouco - mas deu pra sair cantarolando "I Feel Space". A dupla alemã Toktok fechou a programação da tenda, mas muita gente migrou de volta para assistir o que rolava na Tenda Mash Up.

Chegando lá, o que se encontrou foi os empolgadíssimos rappers do Spank Rock fazendo um show com uma qualidade de som péssima - parecia que o operador de som era surdo. Um convite para voltar ao Village para assistir Diogo Reis e Eduardo Cristoph da Moo. Apesar das dificuldades - falta de toca discos e um retorno que não funcionava porque senão o disco pulava (!!!) - conseguiu ser a melhor apresentação do Tim na Pista . Quem ficou na Cool, na maioria curiosos, assistiu a um set de percussão africana e a MCs bons de fluência, que até agradaram.

O TIM É DA GALERA
Quem não esperava nada do Girl Talk, ou não conhecia, ou conhecia pouco, neste momento deve estar achando que a apresentação do americano Greg Gillis foi "a parada", "a boa surpresa do festival", essas coisas. Afinal, munido de apenas um laptop, o produtor abusa da empolgação, convida o povo pra dançar no palco, vai pra pista dar seus passos, e manda hit atrás de hit, não deixando, literalmente, ninguém parado. Com colagens de músicas conhecidas do pop mundial, como "ABC", dos Jacksons 5, "Lithium", do Nirvana, uma seqüência das melhores do Daft Punk, é de fato impossível ficar parado.

Mas quem já tinha ouvido alguma coisa sob a assinatura Girl Talk com um pouco mais de atenção, percebeu que o set do rapaz ficou bem aquém das piruetas mashupianas registradas em estúdio. Passou a imagem de ser um fanfarrão que foi ali brincar de apertar o play e dar festa pro povo. E o pior / ou melhor, é que funcionou e muito bem. A apresentação do Girl Talk pode não ter mudado a vida de ninguém, mas deixou o povo muito feliz. E então tá bom.

Por fim, quem sobreviveu ao Girl Talk teve que se contentar com o DJ Marlboro, fazendo o melhor que ele faz - que já é a mesma coisa há algum tempo -, soltando a fina flor do funk carioca. Guab saudou o povo que não resistia mais há 12 horas de música até a produção dizer, às 7h de domingo, que Tim festival, agora, só em 2008.

Colaboraram na cobertura Zaira Brilhante e Zeca Miranda

Foto: Alex Ferro / UOL



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