Tim Festival 2007: Primeiro dia de festival no Rio de Janeiro
Islandesa conquistou o público com hits do seu último álbum, Volta.
29.10.07 18:55
O Tim Festival apostou na sorte este ano - só isso pode explicar. Os dias de dilúvio bíblico da semana passada no Rio de Janeiro não foram suficientes para comover a produção a fazer alguma coisa a respeito da chuva, o que acabou deixando o público e alguns artistas na mão. No primeiro dia do festival (26/10), se deu bem de verdade quem se dispôs a ir à Marina da Glória só para assistir a Bjork: levou pra casa, com certeza, o melhor show da noite. O palco ficou pequeno (e a tenda quente!) pra esquimozinha e seu carnaval revolucionário de cores. Já o público que esgotou em dois tempos os ingressos para o Novo Rock UK... Bem, amargou na chuva a entrada para a tenda, mas ainda assim se divertiu. O destino (ou a falta de produção) foi menos generoso com a cantora Cibelle e com os artistas do palco Novo Rock BR.
VIVA LA REVOLUCION DE BJORK!
Com algum atraso, Antony and The Johnsons, marcado para as 20h, começou sua apresentação ainda com muita gente entrando na tenda Tim Volta. O som baixo e a grande parte do público mais preocupada com a fila da cerveja do que com a música, atrapalhou a boa apresentação dos nova-iorquinos. Quem pôde ouvir, aproveitou o cover do Velvet Underground, "Candy Says", e a bela "Hope There's Someone", que encerrou o concerto.
Depois foi a vez de Björk subir ao palco, com uma voz fortíssima e cristalina, para mostrar o show do seu mais recente álbum "Volta". A apresentação começou com a música "Earth Intruders", primeiro single do novo disco. Num cenário cheio de luzes e cores, a islandesa logo conquistou a platéia ao jogar hits, um atrás do outro, como "Hunter" e "Joga", do "Homogenic", de 1997. Acompanhada de um baterista, dois programadores, um tecladista e um grupo de meninas responsável pelo naipe de metais e coro intituladas "Wonderbrass" - parecendo teletransportadas de algum planeta douniverso de "Star Wars" -, Björk empolga à medida que a apresentação avança.
No telão, as imagens do Reactable, uma espécie de sampler de outro planeta, comandado por um dos programadores, impressionou a platéia. No final, "Hyperballad", do "Post" (1995) e "Declare Independence", do "Volta", com raios lasers e chuva de papel metálico transformaram a tenda num carnaval islandês - um final apoteótico, do tamanho da maior diva a se apresentar na noite. Um show inesquecível pra quem já era fã e pra quem conhecia pouco - sim, o Tim, no Rio, é um desses eventos em que a música é só um pretexto para fazer um social. Faz parte da cultura da cidade.
Mas quem foi ao Tim só com o intuito do social saiu perdendo feio. A chuva incessante forçava as pessoas a se amontoarem debaixo das tendinhas dos bares... E, que serviço de bar é esse que tem coragem de cobrar R$ 5 reais por um chope quando você tem que brigar com as pessoas como se estivesse na fila da comida da ONU em algum país em guerra? O espaço do Tim Village estava muito bonito com contêineres e malabaristas - os letreiros anunciando os shows nas entradas das tendas são lindos, como de casas de show gringas -, mas com aquela chuva toda, quem conseguiu curtir?
CHAPA QUENTE (OU QUASE) DA TERRA DA RAINHA
Primeiro palco a ter os ingressos esgotados no Rio, o Novo Rock UK era aguardado com ansiedade. Fenômeno no exterior, Arctic Monkeys finalmente faria uma apresentação na cidade. Antes, porém, o público - em sua maioria jovem e afoito - precisou esperar duas vezes pelos rapazes. Primeiro pelo show do Hot Chip, que abria a noite, e segundo pela demorada troca de palco. A apresentação foi curta, 45 minutos, a passagem foi interminável - ou seja, o que a apresentação de menos de uma hora do grupo londrino tratou de esquentar, a demora ajudou a esfriar.
No palco, o quinteto formado por Alexis Taylor e Joe Goddard (no estúdio são só os dois: Alexis no vocal, guitarra, percussão e teclado; e Joe Goddard no vocal e no sintetizador), acompanhados por Owen Clarke (guitarra e sintetizador), Al Doyle (guitarra, sintetizador e baixo) e Felix Martin (bateria e percussão) botaram o povo pra dançar muito e pirar com "No fit state" (com acorde new orderianos). E parou por aí.
Até vir o Arctic Monkeys com o show mais burocrático que jamais poderia ter se imaginado diante de tanta histeria da imprensa desde a sua "descoberta". Histeria que ocupou seu lugar na tenda do Novo Rock UK quando Alex Turner, tímido - pra não dizer antipático - empunhou a guitarra e, ao lado de Jamie Cook (também na guitarra), Matt Helders (batera e backin vocal) e Nick O'Malley (no baixo), emendou uma seqüência rasteira e (apenas) eficiente, começando com "Sandtrap'', seguida por "This house is a cirkus". Havia começado uma apresentação que não ficou devendo nada aos CDs da banda. Na verdade, foi exatamente como se alguém tivesse apertado o play - com o "shuffle" ligado. Sem praticamente qualquer interação com a platéia, eles repetiram no palco exatamente o que fazem em estúdio.
O resultado foi um show frio, no mais completo estilo londrino, no mau sentido. Até a chuva lá fora parecia contribuir para isso. Tão diferente do calor que fazia quando, mais cedo e no mesmo palco, Björk pulava e incendiava o público. Não que Arctic também não tenha incendiado, mas foi mais mérito da platéia, que estava disposta e receptiva, do que por esforço da banda.
A apresentação durou pouco mais de uma hora. Incluiu os principais hits de Whatever People Say I am, That's What I'm Not, como "Fake Tales of San Francisco" e "I Bet You Look Good on the Dancefloor" (melhores momentos do show, indiscutivelmente) e as do último disco, Favourite Worst Nightmare, como "D is for Dangerous", "Balaclava", "Old Yellow Nricks" e "Do me a Favor". Foi animado também na hora do hit single, que não deixa de ser empolgante e inteligente, "Fluorescent Adolescent".
Resumindo: foi muito bom, mas não foi ótimo. Bandas num sarau escolar costumam fazer apresentações mais empolgadas. Enfim, um show para agradar os fãs (que nunca saem decepcionados mesmo) e os puristas, que vibram ao final de um show fiel ao CD em cada detalhe. Para os que esperavam uma explosão de originalidade, que fizesse jus à criatividade da banda, faltou algo mais.
DIVAS AGUADAS
Já no palco Novas Divas, o show morno de Kátia B não empolgou o público, que adentrava a tenda mais para fugir da chuva que começava a cair - tendência que se confirmou no final desarranjado da noite no evento. Quando todos esperavam o show de Cibelle, eis que foram surpreendidos pelo adiantamento do segundo show de Antony and The Johnsons, que se mostrava bastante feliz por tocar no Brasil. Se é que é possível, a nova apresentação foi ainda mais intimista - ou seja, com muita gente ouvindo mal o som -, mas sem muita diferença no repertório.
Enquanto todos enlouqueciam na fúria do Arctic no palco principal, poucos viram o excelente show de Cat Power and Dirty Delta Blues Band. Mesmo cantando um repertório pouco conhecido do público, Chan Marshall, a linda cantora por detrás do pseudônimo Cat Power, o guitarrista Judah Bauer, o formidável baterista Jim White, o baixista Eric Papparozzi e o tecladista Foreman conseguiram empolgar a platéia. Misturando blues, soul e country, Chan, com uma voz bem peculiar, reinventa mega-sucessos como "(I can't get no) Satisfaction", dos Stones. Um espetáculo para quem aprecia música bem tocada, sem excesso de virtuosismo.
Do lado de fora da tenda, no Village, a chuva que não deu trégua levou a produção a cancelar o show das atrações do Novo Rock Br, onde tocariam Del Rey, Montage e Vanguart. Para não fazer feio com o público, a organização liberou para geral o show da cantora Cibelle - decisão que se revelou praticamente uma maldade com a moça. Bom, não tinha o palco do Novo Rock UK recém-liberado do show do Arctic, que já tinha acabado mesmo? Por que não passaram para lá a programação dos nacionais, já que tudo atrasou?
Como Cibelle diria mais tarde, numa de suas infindáveis e dispensáveis falas, quem espera cinco anos pode esperar mais cinco minutos. Enfim, ficou muito ruim para todos os artistas brasileiros no fim do primeiro dia de Tim Festival 2007: para quem não teve chance de se apresentar e também para a coitada da Cibelle. Inacreditável, mas ela fez um show lindo, levando choques elétricos ("Eu não quero participar de nenhum ato trágico", pediu, educadamente), falando para si mesma - já que o público parecia mais estar procurando um lugar pra se abrigar da chuva do que para assistir a um show que pedia um clima mais intimista. Uma fada excêntrica que acabou demonstrando mais profissionalismo do que a produção teve com ela. Um desperdício.
Colaboraram na cobertura Zeca Miranda e Zaira Brilhante.
foto: Alex Ferro / UOL
Warning: You have an error in your SQL syntax; check the manual that corresponds to your MySQL server version for the right syntax to use near ') AND textos_users.idRel != 4649 AND textos.status = 1 ORDER BY textos.data DESC' at line 1 (SELECT textos.id,textos.title,textos.secaoRel,textos.data FROM textos_users LEFT JOIN textos ON textos_users.idRel = textos.id WHERE (textos_users.userRel = ) AND textos_users.idRel != 4649 AND textos.status = 1 ORDER BY textos.data DESC LIMIT 0, 4) in
/home/rraurl/public_html/shared/classes/class_sql.php on line
743
Warning: You have an error in your SQL syntax; check the manual that corresponds to your MySQL server version for the right syntax to use near ') AND posts.status = 1 ORDER BY posts.data DESC LIMIT 0, 4' at line 1 (SELECT posts.id,posts.title,posts.data,blogs.name,blogs.url FROM posts LEFT JOIN blogs ON posts.blogRel = blogs.id WHERE (posts.authorRel = ) AND posts.status = 1 ORDER BY posts.data DESC LIMIT 0, 4) in
/home/rraurl/public_html/shared/classes/class_sql.php on line
743