Animal Collective - Strawberry Jam
Grupo nova-iorquino faz um som indigesto em seu novo álbum
10.10.07 12:15
Um som para poucos. É assim que pode ser definida a música do grupo norte-americano, Animal Collective. Em seu novo álbum, Strawberry Jam, a mistura de vocais ora melodiosos, ora gritados, bases instrumentais/eletrônicas barulhentas e repetitivas, criou uma geléia indigesta para a maioria dos ouvintes. A maçaroca de sons não faz sentido algum em diversos momentos. Talvez, essa seja a intenção do grupo, porém, é uma música com pouco apelo pop para o grande público. O que, diga-se de passagem, não é crime algum. O vocal folk de Dave Portner é a grande força do disco, enquanto a parte musical oscila entre a irritação e a dispersão.
O grupo surgiu em Nova Iorque em 2000, quando Dave Portner (Avey Tare) e Noah Lennos (Panda Bear) se juntaram para explorar sonoridades folk, noise, drone e psicodélicas misturadas com melodias. O primeiro fruto foi o disco Spirit They're Gone, Spirit They've Vanished. Em 2001, lançaram Danse Manatee seguido pelo documentário sobre a primeira turnê deles, ao lado de Black Dice. Em 2003, lançaram Here Comes the Indian e em 2004 Sung Tongs. Entre as influências musicais citadas pelo grupo em entrevistas, estão The Police, The Orb, Luomo, Black Dice, Roy Orbison, Daft Punk, e até artistas brasileiros como Caetano Veloso, Milton Nacimento e Tom Jobim.
Strawberry Jam abre com "Peacebone", que mistura efeitos eletrônicos com vozes infantis. Em seguida vem "Unsolved Mysteries" que soa como um space folk mesclando acordes de violão e efeitos de água borbulhando. O disco começa a desandar na terceira faixa, "Chores", com Portner cantando de maneira alucinada, repetindo incessantemente o refrão "Now I've got these chores / And I'm not gonna hurt no one / And when at last my work is done" ("Agora eu tenho essas tarefas / e não vou machucar ninguém / até terminar meu último trabalho"). Em "Fireworks" o vocal parece fora de sincronia com o acompanhamento psicodélico. Eles acertam a mão novamente na faixa "#1", que parece trilha-sonora de filme de ficção científica. "Derek" fecha o disco de nove faixas com uma massa sonora que escorre pelas caixas de maneira estranha. Mas, no geral, a geléia de morango do Animal Collective parece ter passado do ponto.
concordo com o 2.5!