Boys Noize - Oi Oi oi
Álbum de estréia de Alex Ridha quer combater os paradigmas do minimal
09.10.07 14:15
Alex Ridha, o rapaz alemão por trás do projeto maximalista Boys Noize, é dono de uma postura controversa, ambígua e até mesmo suspeita. Por um lado, ele lança faixas intituladas "Don't Believe The Hype" e diz que os produtores de minimal techno de hoje são moleques sem criatividade. Por outro, faz músicas do jeitinho que os corsários de tendências gostam e acaba de lançar um disco tão previsível quanto um de Luciano, só que com a sonoridade virada do avesso.
Famoso pelos remixes para artistas como Bloc Party e Feist, Ridha colocou Oi Oi oi no mercado no começo do mês pelo seu próprio selo, o BNR, e se propõe a fazer com esse trabalho um contraponto à ditadura minimalista européia, principalmente a alemã.
O disco começa com uma verdadeira curra nos tímpanos. "& Down", o primeiro single de Oi Oi oi, abre com um sintetizador estupidamente distorcido e é do início ao fim uma enxurrada de graves e agudos massacrados pela distorção de Alex. "Oh!" também não amacia, e soa como uma orgia de lavadoras de roupa em colapso e furadeiras extasiadas. Assim como "Superfresh" e "Don't Believe The Hype", as faixas têm o carimbo de hit para pistas e, nesse aspecto, dão mesmo vontade de serem ouvidas com a cabeça enfiada em uma caixa de som bem grande.
A bateria das músicas é invariavelmente cheia e em alguns momentos mais parece uma série de estouros alinhados em ritmo de pista, enquanto as linhas de baixo usam um timbre que faz lembrar o ronco de uma motosserra aposentada. Tudo soa bem diferente de um novo lançamento da Cadenza ou da Mobilee, claro, mas depois de ouvir duas faixas, já é possível adivinhar o que virá nas próximas, e ao fim do álbum a conclusão é de que não há nele nenhuma novidade realmente empolgante.
A impressão que fica é que a reação de Alex ao "hype" do minimal acabou se prestando apenas ao ingrato papel de mais uma engrenagem na ciranda de tendências da dance music. Com certeza muitas das faixas de Oi Oi oi vão circular pelo case de DJs pelos próximos meses, mas toda a bandeira de inovação e de crítica (quem lembra do "fuck off new rave"?) fica com cara de jogo de marketing mesmo.
Provavelmente, se a moda maximalista continuar nessa toada, daqui a alguns anos surgirá algum outro jovem produtor cheio de si com a mesma balela e reclamando da falta de criatividade de gente como MSTRKRFT, Riot in Belgium e o próprio Boys Noize.
fale para um produtor de maximal produzir uma faixa se minimal ,,,não é nada dificil ,,pois vc faz 20 segundos de musica incluindo um syth bem capenga , e etc e repete ela por5 minutos ,,,isso é minimal ,uma coisa pessima e chata,,
na moral ...sem criatividade nehuma ...vale a pena a galera pesquizar mais o maximal ,,ir mais a fundo e ver tudo o que há de bom ,,eu adoro boysnoize,,mas o maximal naum se prende a só isso ..
abraços marcos ,,,gosto muito das suas colunas aqui
tá certo:
"o mínimal virou uma febre mundial";
"grandes artistas começaram a baixar o BPM e o número de instrumentos/sintetizadores utilizados nas produções";
"Até Chris Liebing, um dos maiores produtores de techno, admitiu que, entre o techno e o mínimal, abraçaria o mínimal".
eu peço permissão pra dizer que, apesar de reconhecer o trabalho de produtores e o gosto de muitas pessoas, também não aprecio o mínimal. Gosto de sons animados (desde o Electro House até o Full-On) e agitados (Techno).
mas acho legal que haja essa correste "maximalista": serve para mostrar que a música eletrônica deve ser sempre renovada, por mais que uma febre mundial possa reter um pouco a criatividade/ousadia de produtores.
mas enfim, eu gostei muito do artigo... parabéns Marcus!