The Spirals -Without Control
Projeto do pessoal do Silver City investe nas referências 70 e 80
03.10.07 17:20
Como eu comprei meus primeiros discos "a sério" na virada dos anos 70 para os 80 qualquer música que tiver timbres de synth Juno 106, baixões disco ou funk proeminentes, aqueles pads de percussão meio raio laser que fazem "pou, pou", vocoders... bom, tem grandes chances de ser escutada com ouvidos simpáticos. Nesta fase de ouro, a disco e o funk estavam ficando bem eletrônicos, voltando ao underground, e o electro e o synth-pop estavam nascendo.
Infelizmente, há uma enxurrada de discos por aí cuja referência dessa época é, no máximo, Donna Summer e Soft Cell. Já na outra ponta do espectro de qualidade, habitam artistas como The Spirals, que sabem que esse fértil tempo também teve Arthur Russell, ESG, Bill Laswell, Paul Hardcastle, Heaven 17, Azymuth, Human League e Kleer, entre tantos outros aventureiros do sintetizador suingado.
The Spirals é um pseudônimo do pessoal do Silver City, nome já conhecido entre os houseiros mais exigentes. Eles processam todas essas referências através de filtros house e tech-house atuais, com produção cristalina e arranjos elaborados. Não estaria errado compará-los com o Spirit Catcher, mas seria impreciso: os Spirals parece ter uma paleta de cores mais variada à sua disposição.
Faixas como "Plexi", um electro-funk com passeios sintéticos a la Jonzun Crew, "Summermash", uma das mais fortes do álbum, e "Without Control", com um arranjo mais progressivo, são bom combustível para pistas grooveadas, daquelas que não toleram "maximalismos".
Outras como "X", com seu baixo a la Peter Hook, "Magnify" e "The Cowboy", um dos momentos mais space disco do álbum, tem grooves de presença, mas um clima geral mais relaxado. Já "Open Up" soa um tanto sem graça e "Bomba" é tudo menos o que diz o nome, na verdade um groove circular bem light. Vale lembrar também que a limpeza da produção dos Spirals pode cansar um pouco depois de audição prolongada e talvez um pouco de sujeira e distorção em algum ponto seriam surpresas bem-vindas.