M.I.A. - Kala
A popstar anglo-cingalesa faz uma coletânea de ritmos em seu novo álbum
20.08.07 17:35
Antes de iniciar essa resenha, é necessário fazer uma pequena correção. Ao contrário do que foi dito a respeito da M.I.A. no Brasil, ela nunca foi funkeira. Talvez rapper seja a melhor definição. Dito isso, vamos a análise do seu novo disco, Kala. Nascida no Sri Lanka e radicada em Londres, Maya Arulpragasam é uma figura que chama atenção pelos seus traços fora do padrão europeu e norte-americano de beleza e por promover misturas rítmicas diferenciadas em suas músicas.
Seu primeiro trabalho, tinha como base o rap com batidas eletrônicas, porém, duas faixas (Galang e Bucky Done Gun) tinham grande influência do famigerado funk carioca. Foi o suficiente para que os modernos de plantão se interessassem pela cingalesa que se apresentou por aqui no Tim Festival de 2005. Grande parte desse flerte com o ritmo brasileiro tem por trás o nome Diplo, DJ norte-americano interessado no funk e ex-namorado de Mia - ele também participa desse novo disco como produtor, além de Switch, DJ Blaqstarr, Morganics e o hitmaker Timbaland.
M.I.A. amplia ainda mais as suas fronteiras musicais em Kala e vai buscar inspiração em outras batidas de países ou comunidades terceiro-mundistas: no bhangra da Índia, no kuduro dos negros de Portugal, nas batidas afro e, novamente, no funk carioca. Todo esse ecletismo fica um pouco dissipado e confinado quando colocado no formato CD. Contudo, os singles funcionam muito bem no modo aleatório de um MP3 player. Em alguns momentos, chega-se a pensar que ela produziu músicas especialmente para serem retrabalhadas em remixes ou mash-ups.
O disco abre com "Bamboo Banger" que tem um vocal malemolente emulando kuduro e é hip hop com bases indianas. Na sequência, em "Bird Flu", a cantora fala dos problemas enfrentados por imigrantes de países pobres: They wanna check my papers / See what I carry around / Credentials are boring / I burnt them at the burial ground / Don't order me about /I'm an outlaw from the badland ("eles querem checar meus documentos / ver o que estou levando / credenciais são chatas / eu as queimei no local do enterro / não fique me dando ordens / sou uma fora-da-lei das terras ruins").
As canções vão seguindo até chegar em "Jimmy", o segundo single - que já virou clipe -, um cover da trilha sonora do filme bollywoodiano de 1982, Disco Dancer. Em parceria com o produtor Timbaland, M.I.A. fecha Kala com a música "Come Around". Famoso por dar um aspecto pop e dançante em suas produções, a faixa foge desse esquema ao apresentar uma levada mais cadenciada com sinos típicos da Índia e vocais de rap. M.I.A. cada vez mais se coloca no meio do caminho entre cantoras pop do naipe de Beyoncé e de artistas que chamam atenção pelo exotismo, estilo Bjork. Resta saber para onde ela vai pender ou se vai ficar perdida no seu electro-étnico.
:)