Bonde do Rolê - With Lasers
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ficha técnica
Nota: 7 / 5
Ano: 2007
Selo: Domino
Estilos: funk, rock, electro
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Bonde do Rolê - With Lasers
Tem rock, funk e letras impróprias para menores na estreia do trio curitibano
13.08.07 15:50
E o punk funk conquista a terra! Não que seja a última grande novidade do planeta, Edu K e Comunidade Nin-Jitsu já estão há anos na curiosa arte de mixar rock, samples, funk e pancadão, mas a proeza do trio curitibano Bonde do Rolê é grande.

2007 foi um auê danado para o Bonde: 50 datas internacionais de hoje até o fim do ano na trinca Europa-EUA-Japão, matérias em veículos como Spin, Rolling Stone, Fader e pitchforkmedia.com, o que num contexto onde há o Cansei de Ser Sexy, gera-se uma expectativa de linha de produção em massa de acts brasileiros fadados ao sucesso internacional.

Mas se insistem em jogar CSS e Bonde juntos na mesma bacia de "electro brasileiro", ou até mesmo no pacotão indefinível do new rave, há de se deixar claro as diferenças. Primeiro, o Bonde não é um grupo de (electro)rock. São dois MCs (Marina Vello, Pedro D'Eyrot) gritando cabeludas histórias sexuais da vida pós-adolescente nas bases de funk carioca e electro do DJ Rodrigo Gorky, que abusa também de samples (Alice In Chains, Tone Loc). O CSS já nasce com cara de NME, canções intituladas, refrões, riffs e claro, "estilo". Já o Bonde é funk, gritaria escrachada vinda direto das pesquisas antropológicas eletrônicas de Mr. Diplo, que alçou o Bonde para seu selo Mad Decent e de lá foi um pulo para a Domino convocá-los para seu primeiro álbum, Bonde do Rolê With Lasers, lançado em junho.

A outra diferença está na concepção do With Lasers. É obviamente bem produzido, deixando de lado um pouco o caos barulhento das animadas apresentações do trio. Porque o já hit-favela "Solta o Frango" no disco soa límpido, mas ao vivo instaura-se o apocalipse com Marina pulando, gritando, se esfregando em Pedro e Gorky... Há de se lembrar um fator que o próprio Bonde comenta em entrevistas: para gringo, o caos é provavelmente mais intenso do que para nós brasileiros bons compreendedores da língua portuguesa. Para eles, é como quando nós ouvimos um grime nervoso, um ragga acelerado, um pop com sotaque: a música é o imperativo, e o vocal se faz responsável ou por mais energia, melodia ou caos - caso do Bonde. Canta-se algo enrolado por cima quem quer, ou então apenas se dança e pula!

Só ouvir o electro-terror a la Justice "Marina do Bairro", no qual a MC lembra que mostrava a calcinha desde pequena e a infame "James Bonde". Aqui o 007 é nada mais que uma biba, travesti, que dá a bunda. Daí para baixo. Essas diferenças lingüísticas tem seu ápice na "Tieta", um axé-pop com referência óbvia para nós brasileiros que já sintonizamos a TV Globo uma vez na vida. Mas a gringaiada do Pitchfork ignorou Mangue Seco e chamou a intro dessa faixa de "conga". Eles também devem fazer idéia do que o aforismo "Mais vale dois cus que uma buceta" significa!

O Bonde então é isso, rimas no melhor estilo "Gererê-Gererê, LSD", uma despretensão caótica que vira prato cheio para gringo ver e brasileiro chochar, mas não se pode esquecer que é uma estética musical que não pode ser tão criticada assim porque que o se faz aqui não é nada tão absurdo assim: pancadão já remexido por Diplos e M.I.As da vida, samples, muito samples de hip hop e rock ("Gasolina" é non-sense e tem Afrika Bambaataa até nos refrões - "a-a-a-aaaa-aaa-Afrika Bambaataa / Meet me after school and i'll beat you like gorilla / Bite you like piranha, vem brincar com a minha aranha") e outras construções electro-mega-mix que funcionam em qualquer pista. Nas miscelâneas, um ponto alto em "Divine Gosa" - um esquisito baltimore, funk quase samba, meio Baixio das Bestas - "Fist fuck tá na mão, passa o cheque na vagaba, botinada na cabeça bolinando a empregada".

E o funk pop "Quero Te Amar"? Latino e Kelly Key, não esperavam por essa. Uma história de amor funk, sem caô. Marina, Pedro e Gorky certamente seriam os novos Mamonas Assassinas se ainda existie uma estrutura de "pop nacional" no Brasil e se o nível de palavrão não fosse tão escabroso. O humor é debochado da mesma maneira que a turma de Dinho e seu Robocop Gay (que Deus os tenha!), mas o Bonde nasce de mentes curitibanas alternativas ouvintes de Daft Punk e 2Many DJs, jovens clubbers e hedonistas que, com certo relativismo, vivem na calada noite tudo que é cantado em verso e pancadão.

Numa época que não nos resta nada a não ser o electro carcomido e revisitado, o Bonde é uma peça a ser explorada por ouvidos nacionais e internacionais, principalmente ao vivo (e sem preconceito). Mas como não dá pra fugir da idéia de "música para diversão" (conceito estrutural do Bonde explicado pela própria MC Marina), não dá ir pra além disso. Mas você queria o quê?

Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
comentários
16 comentários
ANDRE SNOW
ANDRE SNOW(28.03.08)
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eu como plutônio mas não escuto este lixo!!
Rod
Rod(07.09.07)
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Puta que o pariu, só vcs mesmo rasgando seda pra esse lixo que gringo só ouve pq o diplo disse que era cool, lixooooooooooooooo
Jah
Jah(17.08.07)
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Poots
foi mal Diego
mas eu so muito mais o BDR
o trio e mais hip hop, legal!
mas nao aquela loucura que o BDR passa!
Diego
Diego(15.08.07)
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Cânticos do Gererê, morri!
markus
markus(15.08.07)
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Confere o mix na BBC, no dia até ia dar uma escutada, mas pelo nome resolvi deixar pra lá.
http://www.bbc.co.uk/radio1/trophytwins/tracklistingarchive.shtml?20070804