Vários - 5 Years of Get Physical
Álbum falha como retrospectiva de um dos mais importantes selos atuais
09.08.07 17:55
O selo Get Physical é hoje uma das mais importantes referências na cena eletrônica. Ao lançar discos de artistas como Booka Shade e M.A.N.D.Y. sua marca virou sinônimo de músicas animadas, pra cima, e não demorou a se espalhar por cases do mundo inteiro. Hoje, é difícil encontrar alguma alma clubber que tenha passado indiferente aos seus lançamentos, ou que não tenha sorrido ao ouvir os acordes soturnos de "Body Language" estalando nas caixas de som de algum clube. O selo faz nesse ano meia década de existência e para comemorar a data lançou o álbum 5 Year Of Get Physical uma compilação dupla com o resumo dessa história de timbres sintéticos e arranjos sensuais.
O pacote foi dividido em dois discos um com faixas inéditas e o outro com remixes de músicas consagradas do selo. Figurões óbvios como DJ T não faltam à lista, assim como trabalhos de outras figuras menos conhecidas como Williams e Jona. Convidados ilustres como Moby e Hot Chip também deram a sua contribuição e talvez justamente por isso 5 Years of Get Physical tenha um humor irregular e por vezes incoerente com a proposta do selo.
COMPILAÇÃO DE QUEM?
A ausência do clima Get Physical é mais gritante no disco de remixes. Aqui é onde a disparidade entre algumas das faixas é mais visível também. Músicas animadas e leves como a versão do Señor Coconut para "Body Language", do Booka Shade com samples e levada latinas dividem espaço com reinterpretações ora sérias demais, como o remix de "Pleasure Seeker" feito por Earl Zinger, ora verdadeiras trilhas sonoras para momentos de fossa. O trabalho que Moby fez em "Les Djinns" do Djuma Soundsystem, por exemplo, é um verdadeiro convite para cortar os pulsos. Já a repaginada versão breakbeat de "Mandarine Girl" e a ótima versão para "Ride the Pony" do francês Sebastian Tellier são destaques do disco junto de "Freemind", do DJ T, e o remix do Rapture para "Piccadilly".
O disco de originais é mais coerente, porém empolga bem menos. "Fisherman", do Jona, e "Don't Panic Till I Said So", do Audiofly X, não deixam a menor pista do motivo pela qual foram escolhidas para abrir a compilação apesar de serem bem construídas e possuírem arranjos interessantes.
A coisa melhora um pouco com a seqüência de músicas que começa com "Once In A Lifetime", do DJ T. Linhas de baixo bacanas e construções malucas despontam na faixa do Booka Shade, mas que passa longe de causar o impacto tradicional de suas produções. "Illegal Ninja Moves", do produtor Williams, é uma das únicas que consegue recuperar o clima hedonista tradicional, ainda que timidamente.
A impressão que fica é que 5 Years of Get Physical poderia se resumir ao disco de remixes. E mesmo possuindo faixas incríveis, esse também peca por não parecer uma retrospectiva dos cinco anos de história do selo. Os hits mais importantes estão presentes, claro, mas a alma festeira faltou. É perfeitamente aceitável que a gravadora queira mostrar que sua proposta não se limita a produzir electro-house para pistas, mas trocar o clima sensual e despojado, que se tornou sua marca registrada, por músicas sérias demais foi uma triste derrapada em uma prova que ela tinha tudo para vencer e dar show.