Nos próximos cinco ou dez anos, quem se arriscar a fazer uma geral sobre que aconteceu na eletrônica da então última década inevitavelmente vai se deparar com palavras como Coccoon e Minimal. Apesar de ambos nomes terem raízes no fim do século passado, foi no início deste que eles se tornaram peças fundamentais no universo das pistas de dança.
Para o israelense Guy Gerber e o alemão Stephan Bodzin, os termos acima são mais que cotidianos. Bodzin é um dos grandes nomes da leva minimalista que tomou de assalto praticamente tudo na música eletrônica, e Gerber é a última aposta do selo Coccoon, comandado pelo alemão Sven Vath e muito chegado não só ao Minimal, como a tudo que pareça diferente. Ambos lançaram recentemente dois álbuns de produções próprias não mixados: Bodzin é o responsável por "Liebe Ist" e Gerber entrega "Late Bloomers".
"Liebe Ist..." (em português, Amor é...) foi lançado pelo selo Herzblum, do qual Stephan é dono. Trata-se de um álbum com 11 faixas, todas com uma estrutura bastante similar: às batidas minimalistas iniciais vão sendo gradualmente acrescentados efeitos ora melódicos (Planet Ypslon, Turbine), ora metálicos (Liebe Ist), algumas vezes até estridentes (Luka Leon). Pode-se dizer com certa tranqüilidade que se trata de um trabalho basicamente de Minimal, mas com muitas faixas com ápices bastante viajantes, nem um pouco melancólicos. A última faixa, Vendetta, condensa bem o espírito do álbum.
Já "Late Bloomers" (expressão em inglês que designa pessoas que tardam a amadurecer) segue uma direção bem mais eclética do que "Liebe Ist...". Nas 12 faixas do álbum se encontra um pouco de tudo: músicas que pedem pista como "Sea of Sand" e "Belly Dancing", momentos quase ambient como "Persona Non Grata" e muita coisa hipnótica como "The State of Change", "Planetalium" e "Last Frequency". A base do álbum reside exatamente nesta levada hipnótica, e seria uma tremenda injustiça apelar à qualquer classificação específica para um álbum que se apresenta tão diversificado.

É bem provável que "Late Bloomers" desperte reações mais favoráveis do público: na verdade é muito fácil se apaixonar pela miscelânea de estilos que Gerber trabalha com imensa versatilidade e na qual deixa uma impressão bastante original. Mas não se engane: "Liebe Ist" é mais homogêneo e constante, mas também consegue ser irresistivelmente atraente.
O que parece unir dois trabalhos tão distintos é, ironicamente, uma influência que ambos artistas já negaram mas acabaram por assumir, e que naquele futuro próximo citado no começo deste texto será provavelmente uma palavra bem popular: o trance. Seja na autenticidade do trabalho de Gerber, seja na homogeneidade das faixas de Bodzin, os dois álbuns possuem uma inconfundível influência do gênero mais melódico da música eletrônica.
Guy Gerber Late Bloomers
Nota: 9
Stephan Bodzin Liebe Ist
Nota: 8
http://www.residentadvisor.net/
Os podcasts deles são uns dos melhores. Tem um do Samim que é sensacional também.
fora que mta ambiência que gostam de apontar como evidência de influência trance, parecem mto detroit tb...