Matthew Dear - Asa Breed
Novo álbum prova que nem só de hit para pistas vive o produtor norte-americano
12.07.07 14:35
Ao longo dessa década, a assinatura do produtor norte-americano Matthew Dear se tornou habitué no case de DJs pelo mundo. Passeando sem medo pelo electro-house e pelo minimal cabeção, ele foi responsável por várias das faixas que causaram estragos nas pistas nos últimos anos. Em 2006, seu super hit "Mouth to Mouth", lançado sob o pseudônimo Audion, fez com que o produtor entrasse definitivamente, e com o pé na porta, para o hall das estrelas da música eletrônica.
Nascido no Texas, seus trabalhos também ganharam as prateleiras através de seus outros alter egos, como Jabberjaw e False. Com esse último, sua faceta mais experimental, acaba de colocar no mercado um álbum pelo concorrido M_nus. Quase ao mesmo tempo, Dear lança o terceiro disco com o seu verdadeiro nome. Asa Breed sai pelo Ghostly International, selo do qual é dono, e apresenta ao público o lado mais acessível do produtor.
Asa é cheio de timbres retrôs e a nostalgia escorre de músicas como "Death to Feelers" e a fofa "Pom Pom" com sua letra chiclete. "Fleece on Brain" abre com a mesma fórmula simples que tornou "Mouth to Mouth" um sucesso. Como na maioria das faixas do disco, as notas do sintetizador se repetem sem nenhum segredo, dividindo espaço com o vocal filtrado de Dear. "Deserter" e "Shy" mostram que, nesse disco, o produtor decidiu mesmo dar um tempo para as pistas.
Matthew Dear justifica o porquê de estar bem cotado e prova que nem só de hits com bateria 4x4 vivem suas produções. As faixas não ficam na pasmaceira e tem espaço para quase tudo. Os arranjos se dividem entre violões, timbres andróides e sintetizadores que lembram xilofones de plástico.
Mesmo que as edições nas vozes não cheguem à grandeza do The Knife e as melodias não viciem como as do Booka Shade, Asa Breed é um bom exemplar do tipo de trabalho que, depois de passar uma longa temporada cozinhando em pistas claustofóbicas, tomou fôlego em paisagens mais arejadas e mostrou que não é digno de apreciação somente no breu da balada.