Apparat - Walls
Em seu novo álbum, o produtor Sascha Ring não faz dançar como no Orchestra of Bubbles, mas ainda esbanja talento e criatividade
21.06.07 17:05
Sascha Ring, o Apparat, fez carreira pelos caminhos mais tortuosos da música, literalmente. Sinônimo de faixas desconstruídas, arranjos não-comerciais e batidas difíceis de engolir, o alemão apareceu com força no cenário eletrônico mundial no começo de 2006. Mesmo possuindo um trabalho já consolidado no meio IDM através de seu selo Shitkatapult, foi depois do álbum Orchestra of Bubbles, parceria elogiada com a estrela do minimal Ellen Allien, que sua assinatura se firmou como indicativa de boa música.
Sem lançar nenhum material de fôlego desde então, Apparat não saiu de cena. O produtor fez diversas contribuições para o selo de Ellen, o BPitch Control, co-produziu faixas, etc. Pouco mais de um ano após sua orquestra de bolso ter arrebatado ouvidos com sua fórmula exótica e quatro anos desde seu último trabalho solo, Duplex, Sascha lança seu novo álbum, Walls.
"Not a Number" abre o álbum com batidas cadenciadas de um xilofone virtual, acompanhadas por um violino solitário. É carregada de sentimento, algo que se tornou marca do trabalho de Sascha. Sua música não é estéril, possui melodias vibrantes e orgânicas por trás dos botões e parâmetros incompreensíveis dos sintetizadores. Em "Hailing from the Edge", a mais interessante e inspirada do disco, Apparat usa uma base trip-hop baixo soando todo-poderoso no arranjo, batidas de hip-hop como tapete para o vocal aveludado de Raz Ohara.
A principal característica desse novo trabalho é a radical diminuição dos timbres sintéticos. As linhas de baixo realmente parecem saídas de um instrumento de cordas e os arranjos se deitam sobre longas notas de violino e dedilhados de piano. O clima orgânico é salientado pela presença de batidas quebradas em quase todas as faixas escola que diversos produtores alemães de techno vêm seguindo (Ellen Allien, Damero, Modeselektor). "Useless Information", "Limelight" e "Arcadia" são alguns exemplos em que a velha bateria 4x4 foi deixada de lado.
O lado mais abstracionista do produtor aparece com mais força a partir do meio do disco. As duas partes de "Fractales" a primeira mais sintética e a segunda sem bateria e com notas de piano além de "You Don't Know Me" são alguns dos momentos de maior viagem sonora, onde não há vocais ou arranjos lineares para trazer a cabeça do ouvinte de volta ao chão.
Os vocais, de Raz Ohara ("Hailing from the Edge", "Holdon", "Headup" e "Over and Over") e do próprio Sascha ("Birds" e "Arcadia"), são outro exemplo da coerência de Walls. As vozes soam livres de filtros e vocoders, fiéis à unidade mais orgânica do álbum.
Mesmo perdendo um pouco da intensidade presente no começo do disco, as últimas músicas ainda impressionam pela criatividade os clicks repetitivos de "Birds" ou a melodia desconjuntada de "You Don't Know Me" e pela sutileza e esmero dos arranjos.
Walls é acima de tudo um trabalho que segue fiel à sua proposta do começo ao fim. A unidade do disco somado à beleza e inventividade das faixas torna o novo trabalho do produtor um bom contraponto ao aspecto mais gelado das atuais produções alemãs e mais uma pequena jóia para apreciadores do lado mais insólito da música contemporânea.
é bom pa carai !!! ta no repeat do meu I-pobre =)
Extremamente bom todo o conjunto. Nota 10 + 1 (pelo sentimento "wow" na faixa indicada)
Me arrepia