Radiohead - Kid A
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ficha técnica
Nota: 9 / 5
Ano: 2000
Selo: Capitol
Estilos: rock, idm, breakbeat, anos 2000
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Radiohead - Kid A
O disco que apontou para o novo rumo do rock nos anos 2000
14.06.07 15:45
Sete anos atrás a década/século que começava não tinha ainda muita identidade e, na música, as coisas eram bem estabelecidas. Muito antes de rock e do house serem electro e do trance e das raves serem "neo", uma renomada banda inglesa, cujo nome foi inspirado numa canção do Talking Heads, lançou um álbum revolucionário que, em suas definições mais usuais, esbarravam nos superficiais adjetivos "bizarro", "confuso", "esquisito" ou "gélido". Trata-se de Kid A, obra-prima essencial para se entender Radiohead e o microcosmo musical que começava a ser gerado naquela época.

O álbum era aguardado com ansiedade de Copa do Mundo, já que o disco anterior, OK Computer (1997), definiu a cara do rock no fim dos 90s e tinha levado a carreira do Radiohead para um estrelato não menor que o estratosférico. O U2 do século 21, o Led Zeppelin da modernidade. Mas a chegada do álbum seguinte, desconstruído, descompassado, desfigurado e muitos outros "des" possíveis, trazia uma banda que agora fazia músicas esquisitonas, experimentais demais, longe das canções tradicionais do rock. Nessas, era permitido apenas um ou outro blip ou algum momento viajandão imitando Pink Floyd, isso e nada mais. Esse disco esquisito, multi-instrumental, e bem diferente do que já havia sido feito até então, desconstruiu até os preceitos da própria banda, já considerada alternativa o suficiente.

Isso se deu de várias maneiras. Sociopata, Thom Yorke não aguentou a sina rock star de ter a vida analisada por suas letras, então distorceu seus vocais transformando-os em parte do arranjo, como na faixa título de Kid A, que em 4 minutos e 44 segundos vai do ambient ao break não-linear, baixo bem gordo. Ou simplesmente as excluiu, como na etérea "Treefinger", influência clara de Aphex Twin e do selo Warp, correntes musicais que povoaram a mente esquisita desses caras durante as gravações - foram tantos experimentos que renderam outro álbum lançado no ano seguinte, Amnesiac e inúmeros b-sides, louvados pelos fãs. A combinação de distorção, repuxos e climas vazios, minimalistas porém intensos no assombro, é como se apresenta o lado mais IDM do álbum, característica presente até na suicidia "How To Disappear Completely" (versão 20-poucos-anos do existencialismo thomyorkiano adolescente que começou em "Creep").

O jazz completa a identidade do álbum e prova a fuga do rock-pura-e-simplesmente a qual bandas inglesas deveriam estar fadadas (vide Oasis, Blur, Pulp e afins). Muitos, muitos trompetes deram classe à "National Anthem", assim como a bateria irregular jazzística e barulhenta de "In Limbo". Thom Yorke sempre foi fã de Miles Davis e a estrutura de banda multi-instrumental estabelecida a partir daquela época no grupo chegou a criar rachas, mas acabou prevalecendo e moldando o novo Radiohead.

O barulho foi imenso, e a banda foi chamada de prepotente - Shirley Manson, a ruiva do Garbage, disse em bom tom "Quem eles pensam que são? Os Beatles? - e o NME, acreditem, chochou a banda, chamando-os de "confusos". De fato uma decepção para quem era a última promessa viva do rock. Mas assim seguiu a humanidade e foram milhões em vendas, bons números em paradas e, principalmente, lindas canções: o break melancólico e de bom refrão em "Idioteque", a batalha de guitarras e baterias jogadas em diferentes espaços aéreos em "Optimistic" (a mais roqueira) e o rock "K-hole" cheio de órgãos sintéticos de "Everything in Its Right Place", a música onde Thom acordou chupando limões e que tem um pulso bem abafado, quase imperceptível.

Kid A entra para a história então por, no começo dos anos 2000, derrubar o recalque guitarrístico e purista do rock (tanto grunge quanto britpop) ao mostrar que misturar influências, sonoridades e possibilidades de (des) construção era o segredo para fugir das fórmulas da música pop e rock. É um exemplo único de evolução musical, que encontra semelhantes - desculpe-me Ms. Manson - no próprio "divisor de águas" dos Beatles com Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band. E mais do que marco histórico, porque isso em grande parte é só valor enciclopédico, Kid A é bom para entender a estrutura confusa e versátil da música atual, onde a única identidade possível que pode se estabelecer para os anos 00 é "fusão".
MP3
Flash Content
Radiohead - Everything in its Right Place (mp3)

Flash Content
Radiohead - How to Disappear Completely (mp3)

Flash Content
Radiohead - Idioteque (mp3)

Flash Content
Radiohead - Optimistic (mp3)

Flash Content
Radiohead - The National Anthem (mp3)


Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
comentários
15 comentários
ZEZE
ZEZE(25.03.09)
0AprovadoQueima
amu!
Thiago Freitas
Thiago Freitas(24.03.09)
hahah é impressão minha ou a nota do disco ta 9 de 5 ??? hahah
Thiago Freitas
Thiago Freitas(24.03.09)
O amnesiac é mais hermético, mas tem umas coisas muito recompensadoras também.
eder
eder(21.06.07)
1AprovadoQueima
Meu eu acho esses caras do caralho
gabideluca
gabideluca(21.06.07)
-1AprovadoQueima
Gosto quando a coisa surpreende mesmo...e eles fazem isso mto bem...
Pq mesmo apresentando algo novo, não perdem a excencia e vc mesmo assim sabe que é dos caras.
Foda vc esperar uma coisa nova de um artista e ele soltar praticamente a continuação do trabalho anterior, me decepciona...de verdade...