Novo álbum da dupla inglesa é prova que a fórmula que a tornou um sucesso ainda tem fôlego
Todo novo álbum de artistas consagrados faz um tremendo barulho às vésperas de seu lançamento. A ansiedade de fãs ávidos por novos hits e gravadoras querendo encher os tubos de dinheiro gera boataria na mídia, pré-venda na Amazon.com, vazamento de material, etc. O caso de
We are the Night, novo disco dos Chemical Brothers, não poderia ser diferente. Com lançamento marcado para o dia dois de julho pela Astralwerks, as atenções não são à toa, já que os músicos em questão pertencem a um dos grupos mais populares da música eletrônica mundial.
Os Chemical Brothers estão na estrada desde os anos 90, quando ainda se chamavam Dust Brothers. A dupla, formada por Tom Rowlands e Ed Simons, se tornou ícone pop depois de um série de álbuns bem sucedidos. Após o estouro com
Dig Your Own Hole de 1997 (o segundo álbum; um verdadeiro pacote de clássicos, entre eles "Block Rockin' Beats", "Elektrobank" e "Setting Sun"), ainda vieram
Surrender,
Come With Us e
Push the Button, que emplacaram os emblemáticos "Hey Boy Hey Girl" e "Star Guitar".
Com um currículo desse, fica fácil de entender toda a ansiedade em torno de um novo lançamento. Essa expectativa, além de garantir muita exposição na mídia e boas chances de venda, é também um grande desafio a ser superado.
A QUÍMICA DO SUCESSOUm dos principais trunfos de Rowlands e Simons é a sua facilidade em transitar entre os lados underground e o mainstream da música eletrônica. Suas músicas têm uma fórmula fácil de ser assimilada melodias impactantes que colam no ouvido na primeira audição, arranjos fáceis de engolir e seu nome é constantemente associado a grandes nomes como o do diretor Spike Jonze, que dirigiu o famoso videoclipe de "Elektrobank", estrelado por Sofia Coppola. Em
We are the Night, a estratégia não é diferente.
A música que logo atiça a curiosidade é "All Rights Reversed", com participação dos Klaxons. O Chemical não quis arriscar. Apelou logo para um dos nomes mais em alta na música atual. A faixa abre com os vocais etéreos característicos da banda e, apesar da participação parecer de início mais jogo de marketing, o resultado não soa forçado. Pelo contrário, parece resultado de uma parceria muito mais antiga que realmente é.
Chemical Ed e Chemical Tom

Outras músicas que chamam a atenção na primeira vez que se ouve o disco são "Do It Again" o primeiro single, cujo videoclipe já está circulando e "Saturate". A primeira tem a participação do cantor Ali Love, letra simples e esperta como é comum da dupla e um forte apelo pop. "Saturate" lembra um pouco mais a fase do final dos anos 90, com samples de bateria orgânica e levada épica super-feliz. A maioria das músicas diz a que veio e não decepciona. A engraçada "The Salmon Dance", com vocais do rapper Fatlip é uma aula de dança esquisita sobre uma base quebrada de bateria e "Burst Generators" cativa logo de cara com seus sintetizadores bem colocados.
Apesar de seu ápice já ter ficado para trás, o Chemical Brothers ainda parece mergulhado no formol. Os timbres podem ter envelhecido um pouco, mas a forma familiar e irresistível que suas músicas chegam aos tímpanos ainda é a mesma de dez anos atrás. Com ou sem Klaxons, Tom Rowlands e Ed Simons passaram com nota acima da média na prova do sexto álbum.
E como diz em uma das faixas:
"I know you're gonna love it if you give it one chance"
(The Salmon Dance)
Recomendo!!!
Eletronic Music Rules !!!
Acho difícil eles surprenderem novamente, como foi dito, o tempo deles já foi.
Mas não posso deixar passar q esperava algo no mesmo nível de Push the Button, mas me decepcionei. Ou este album nao tenha soado tão pop quanto o último.
Tem as músicas e tal, mas surrender foi outro estágio dos caras, e esse we are the night é o melhor dos caras desde 1999!! Ainda bem que os anos 90 acabaram, se liga.
Bia Pattoli, fala mais sobre essas "grandes chances"