Dubblestandart - Immigration Dub
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ficha técnica
Nota: 8 / 5
Ano: 2007
Selo: Collision/Groove Attack
Estilos: dub, ragga, breakbeat
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del.icio.us
Dubblestandart - Immigration Dub
O mais novo disco do "terceiro maior eixo de graves do planeta"
02.05.07 21:20
O Dubblestandart é um quarteto de dub formado por austríacos brancos que dizem que existem apenas três centros irradiadores de baixas freqüências e grooves espaciais em todo o mundo. Um deles é a Jamaica, óbvio, outro é Londres, coerente. E o terceiro seria o Troublecompressor-Headquarter, o quarteirão no centro de Viena que abriga o seu estúdio e também serve de lar e sistema de som. "É o melhor lugar na Europa para se ouvir uma guerrilha política e espiritual baseada em linhas de baixo", diz o site do grupo, que habita o continente da prolífica cena francesa e divide os holofotes com o pós-dub germânico.

Independente dessa supremacia pela corrida das linhas de baixo mais poderosas do globo ser mera bravata ou não, é certo que poucos discos poderiam causar mais comoção no universo paralelo do dub do que Immigration Dub (o quarto e novo trabalho de estúdio do grupo austríaco). Banda de apoio de Lee Scratch Perry, Dillinger e outras lendas da música jamaicana que aterrissaram suas naves pela Europa, o Dubblestandart tem fama de ser um dos grupos mais competentes e criativos da Europa em estúdio. Quem garante isso tem doutorado no assunto: Mad Professor.

Fascinados pelo som único da On-U Sound, a lendária gravadora britânica do produtor e empresário Adrian Sherwood, responsável por fazer a conexão Jamaica-Londres no começo dos anos 80, os austríacos sempre procuraram abertamente revisitar aquele som orgânico/tribal e tecnológico/futurista, provido pela dosagem exata de competência instrumental e ciência de estúdio, tão característico da casa que lançou o Dub Syndicate, New Age Steppers e African Headcharge, entre outros. Immigration Dub, cujas cornetas da faixa de abertura "We All Have to Get High" dão garantias insuspeitas de que "todos nós devemos ficar 'altos'", é o som da On-U Sound "inna 21st century style": conciso, encorpado, centrado no baixo, banhado por sintetizadores analógicos, sideral e pesado.

Quatro das 13 faixas são covers, uma de um grupo que, não por coincidência, esteve sob o comando da tão propalada genialidade de Sherwood: "Wadada", original do Dub Syndicate (a banda da casa, na On-U), ganha o amparo de guitarras roqueiras pesadas, com o vocal fantasmagórico de Prince Far I acentuado o refrão original, que já era tétrico. Outras três remontam a períodos distintos da música jamaicana: "MPLA Dub", original do jamaicano Tapper Zukie, enfia o tecladinho característico da original num mundaréu de bateria sincopada e linhas de baixos desconcertantes; "Money, Money", de Horace Andy, entre flautas e linhas de baixo exageradamente graves, põe o hipnótico balancinho original a girar em órbita incessante; e "When I Fall In Love", com o lendário Ken Boothe nos vocais, soa como uma recriação romântica e triste, sobre seu instrumental a um passo do jungle e do breakbeat. Era para ser cerebral, virou coração.

Mas, obviamente, são as produções próprias que dão uma idéia da inventividade do grupo. Tente resistir ao remix do Runners High para "Grinning In Your Face", que faz a ponte entre a house e o dub com charme e hipnose. "Immigration Dub", faixa-título, patina num balanço em decomposição, que encontra a luz quando o vocalista 3gga comanda seu toast que só encontra descanso no inspirador refrão. "This One Is About Flying" é pura On-U Sound: graves onipresentes pressionam a sessão rítmica e dividem espaço com intermitentes intervenções de percussão, enquanto um teclado dá beliscões cheios de textura na sua consciência. "Island Girl", em remix de Jstar, recupera a simpática cantora Ari-Up, ex-vocalista da banda punk setentista The Slits.

Se, em meados dos anos 80, Sherwood e seus asseclas deram uma nova dimensão ao som já tridimensional e sinestésico dos jamaicanos da década anterior, o que o Dubblestandart faz em Immigration Dub é a revolução ao cubo, garantindo a sobrevivência de um legado que, meu amigo, não nasceu ontem e influenciou quase tudo que você ouve hoje.

Rafael Guedes
Rafael Guedes
No pop no style - strictly roots
comentários
1 comentários
Tranquera.org
Tranquera.org(02.05.07)
0AprovadoQueima
Ah! Temos que trombar os caras no rolê em Viena!