Modeselektor - Boogy Bytes Vol. 3
Terceiro volume da série de compilações é uma colorida incursão musical guiada pelo bom humor da dupla alemã
28.03.07 18:30
Misturar num mesmo set Radiohead, dubstep, techno de Detroit, Jean Jacques Perrey e o break fanfarrão do TCC não é pra qualquer um. Mas tá, a gente já sabe que o Modeselektor não é qualquer um, desde o lançamento do primeiro disco deles, Hello Mom, de 2005.
A heresia supracitada foi cometida, com êxito total, no álbum mixado Boogy Bytes Vol. 03, série de compilações do selo BPitch Control que tem como marca registrada as capas clicadas pelo fotógrafo Axl Jansen que cuida de deixar os rostos dos artistas em pleno movimento.
Amigos de infância, os alemães Szary e Gernot, ambos na faixa dos 30 e poucos anos, ficaram conhecidos por fazer uma mistura de breakbeat, electro, hip hop, dub e tecno com o calor e as distorções dos equipamentos valvulados. Szary e Gernot começaram a tocar discos especialmente clássicos de hip hop e acid house - no começo dos anos 90, mas foi só em 96 que decidiram fazer música juntos.
O primeiro trabalho da dupla foi o EP In Loving Memory, lançado em 2002 pelo BPitch Control. Em 2003, eles se uniram ao também alemão Apparat e lançaram o primeiro trabalho como Moderat. Em 2005, junto do coletivo de VJs Pfadfinderei, eles mantiveram durante três meses uma instalação em áudio 5.1 no Georges Pompidou, em Paris.
Em 2006, o BPitch Control pôs na praça The Hello Mom Remixes, com faixas do álbum do Modeselektor retrabalhadas por artistas como Sirius, Dabrye, Sleeparchive...
Boogye Bytes vol. 3 deve chegar às lojas da Europa e dos EUA no comecinho de abril. A série abriu com bons discos, lineares e complementares, com costuras entre house, techno, electro e breaks, mixados por Kiki (vol. 1) e Sascha Funke (vol. 2). Agora o Modeselektor bagunçou o coreto geral.
A vinheta de introdução, do veterano Panacea, faz uma brincadeira revoltada com a "música das raves versus drogas". O break característico do Modeselektor, meio lento e relaxado, vem na seqüência, representado pela ótima "Wow", do alemão Siriusmo [em rotação mais lenta, ficando melhor que a velocidade original - N. do E.]. Dali para a Detroit Experiment (a superbanda de Carl Craig) é um pulo sutil e quase imperceptível.
Mixagens variadas (às vezes longas, às vezes cortes secos) e muitos pedaços recortados de músicas fazem com que o disco chegue à marca das 27 faixas, todas listadas no encarte. A lista vai de Spank Rock a Paul Kalkbrenner. De James Holden a Philippe Cam.
Refletindo nitidamente o (bom) humor da dupla, o disco não passa mais que duas faixas num mesmo mood. Um bom exemplo do gosto por choques de temperatura é a passagem da viajante, colorida e minimalista "Midnight Request Line" (Skream) para a sinistra e über-detroitiana "Poor People Must Work" (Rhythm & Sound com Bobbo Shanti em remix do Carl Craig), faixa que Carl Craig usou para abrir seu set em São Paulo recentemente.
Da vasta paleta de cores que o Modeselektor carrega no bolso saiu este belo retrato da música eletrônica, que une o hoje, o ontem e o amanhã com o bom humor típico de gente que ama o próprio emprego.
Claudia AssefClau é autora do livro Todo DJ Já Sambou, trabalha como editora de internet, toca discos por aí e prefere tintos suaves, mas potentes.
Mas ainda prefiro os 2 primeiros! Vou ouvir um pouco mais!
É sério! Breaks mais lentos são o futuuuuro!
Quero já esse disco!!!