Yoko Ono - Yes, I´m a Witch
Viúva de John Lennon ganha plásticas pelas mãos de Le Tigre, Peaches, Flaming Lips, entre vários outros
22.03.07 19:35
Yoko Ono, certamente uma das mulheres mais odiadas de uma geração, ressurge das cinzas aos 74 anos para mostrar que ainda pode provocar raiva ou empatia. A viúva do ex-Beatle John Lennon lança um álbum de músicas feitas ao longo de sua carreira e agora reconstruídas por grandes nomes da cena musical atual como Antony And The Johnsons, Peaches, Flaming Lips, Blood Brothers, DJ Spooky e Cat Power entre outros caras de suma importância.
Dona da produção executiva, Yoko enviou as fitas masters a cada um dos produtores. As novas roupagens para as velhas faixas ganharam uma sonoridade característica de cada autor, como na faixa refeita pela canadense Peaches - bem a cara dela, cheia de gemidos e com batidas eletrônicas sujas.
O Le Tigre encarregou-se da faixa "Sisters O Sisters", travestindo Yoko de "riot-girrrl". A grande surpresa do disco certamente ficou por conta de Wayne Coyne. A turma dos Lábios Flamejantes teve a árdua tarefa de transformar "Cambridge 1969", uma grande viagem de 20 e tantos minutos de Lennon e Yoko em algo agradável e rápido. Tiro certo: todo o experimentalismo continua vivo e, agora, muito mais agradável aos ouvidos - apesar dos gritos e lamúrias da cantora ao fim da faixa.
No piano, foi a vez de Cat Power revisitar "Revelations". Ficou simplesmente linda, um dueto de vozes em uma melodia delicada como só ela seria capaz de fazer. Destaque também para a faixa reformulada pelo Apples in Stereo, "No One Can See Me Like You Do", romântica até o talo, faz embarcar em uma viagem neo-psicodélica.
No final de abril sai a segunda edição da série. Se for tão boa quanto a primeira está valendo. Resumindo, este é um disco gostoso de ouvir, as releituras são um exercício bacana, e fazem a setentona soar atual . Mas não que ter lançado um disco bom perdoe o fato de ela ter acabado com a melhor banda do mundo, claro [Como ela mesmo admite no título desse disco, "sim, eu sou uma bruxa" - N. do E.].