Gabriel Ananda - Bambusbeats
Ótimo segundo álbum do mestre do minimal tem baterista de verdade e menos melodia
01.03.07 18:20
Estrela da cena minimal de Colônia, Gabriel Ananda chega no seu segundo álbum com duas características signifcativas: 1) ele está bem menos melódico e mais abstrato do que em trabalhos anteriores (como nos hits "Doppelwhipper" e "Süssholz"); 2) ele está usando um baterista de verdade, um músico de jazz.
O feeling geral do disco pode ser definido, a grosso modo, como um batuque minimal orgânico. São percussões em alto relevo, batuques reluzentes, levadas "clicantes" e tambores calorosos a serviço de arranjos sutis e inteligentes, às vezes mais hipnóticos, às vezes puramente rebolativos. Ananda passa longe dos clichês minimais e faz climas que são esparsos e repetitivos mas nunca previsíveis.
"Offbeat" abre com synths querendo ser nervosos mas depois submerge para um clima viajante, com um teclado que levita sobre seu groove tech-house redondo. O nome de "Bambus" já dá a letra, com um clique percussivo que lembra algum ritmo de raiz da África negra. "Egge", com longo crescendo de modulação sintética, é o momento mais "bombação" do disco (se me permite usar um termo tão oposto ao conceito da música de Ananda).
Em "Sweet Decay Máster" o alemão usa timbre de "steel drums" do Caribe para colorir uma levada empolgante que deságua em distorções fritas. Já "Trommelstunde" carrega um ritmo chacoalhante com inserções repentinas de timbres e viradas de jazz, uma caixa aqui, um prato acolá. Estas duas estão entre as melhores faixas do álbum. O flerte jazzístico vira cópula na música seguinte. "Take One" é jazz de verdade, só que abstrato e praticamente todo rítmico.
Já "Take Off" é um animado número prog-tech-house-seja lá o que for... sinceramente, em 2007, já não faz muita diferença. Basta dizer que é um suingue que vai trincar os dentes de qualquer pista dos dias de hoje. "Lamakova" chega bem mais delicada, com seus soft synths e groove acolchoado, uma bela e relaxante maneira de encerrar a sofisticada sessão de Mr. Ananda.
Gabriel Ananda fez um álbum que merece ser chamado de tal, coisa rara na música eletrônica, povoada por tantas "coletâneas de faixas". Tem inspiração, variedade, inteligência e coesão. Ponto pra ele.