Henrik Schwarz - DJ Kicks
Mestre alemão do deep house vai de Marvin Gaye a Robert Hood
13.02.07 16:45
A série de coletâneas DJ Kicks é aclamada por seu estilo livre. Já levou o título de "melhor coletânea mixada do mundo e blábláblá
" pela revista inglesa Mixmag. Olhando para a última edição da série, com Henrik Schwarz no comando, dá pra entender porque a coleção continua sendo referência para os DJs. Num momento fértil nas novas tecnologias, o que marca o CDzinho é a essência pesquisadora do disc-jóquei, o "looking for the perfect beat".
E é tão simples... Sem pseudos-conceitos "inovadores", que geralmente são a tentativa de fuga dos selos à mesmice, o que acontece no set do alemão é a viagem no tempo. Claro que fazendo soar atual, porque não estamos em 1996, quando a Studio !K7 pariu os primeiros "DJ Kicks", com Carl Craig, Stacey Pullen e CJ Bolland.
Baixos eletrificados, atmosfera do dub, percurssão afro-funky, groove orgânico, tecladas jazzy e cuidados minimalistas perpassando o tecnosoul são características das músicas do atual mestre da deep house alemã, Henrik Schwarz. No disco, temos a chance de flutuar (leia-se cultuar) pelas suas referências, graças a este olhar libertário da !K7. O germânico gosta mesmo das figurinhas emblemáticas da música negra contemporânea.
Entre soul, funk e afrobeats, de Marvin Gaye, James Brown, Arthur Russell e Pharoah Sanders, o mano saca um pedacinho de 30 segundos do techno minimal cabeçudo e hipnótico do black futurista Robert Hood. Com a samplemania, o hip hop deixou a música (até a pop) mais criativa, né? Será o Ableton nosso Deus digital nos próximos dias?
Já é. Henrik cola o vocal da música que criou especialmente para a série, a magnífica "Imagination Limitation", no abstracionismo acid de "Black Sea", do clássico duo de electro e techno Drexciya. A outra cereja do bolo é o remix do Henrik para "Walk A Mile In My Shoes", do recene álbum do duo Coldcut. A faixa foi feita pela dupla em parceria com Robert Owens no ano passado, e é um cover da música homônima do Elvis Presley de 1970. Um folk rock, com coral gospel/soul-70, é a base de tudo.
Só faltou "Where We At", que esta espécie de novo Laurent Garnier (muita calma nessa hora, Marmitex Nota do Editor) gravou com Âme e Dixon recentemente. Mas aí seria covardia demais. Vale lembrar que é uma bela releitura do grande hit da house do Derrick Carter. Super-caberia aqui, porque Carter é outra grande influência na música do Henrik, que vive reverenciando a house, como em sua sinistra faixa "Chicago". Moral da história: o grande produtor e multi-talentoso é daqueles DJs-professores que não dá pra perder por onde passa.