Tim Maia Racional - Vol. 1 Remixado
Boas e fracas versões da fase mais lado B do patrono do soul nacional
24.01.07 18:55
Antes de serem relançados em 2005 pela Trama, os dois volumes de Tim Maia Racional eram peças raras na intelligentsia da Música Popular Brasileira. Lançadas entre 1974 e 1975, no caminho entre sua origem soul/funk e os hits que o transformaram em James Brown brasileiro, os álbuns mostravam a intensa ligação do carioca com a seita filosófica da Cultura Racional, baseada nos dogmas do livro Universo em Desencanto.
A temática racional com ares religiosos que Tim abandonou e o ostracismo fonográfico desses LPs só acabaram no fim dos anos 90, depois de sua morte e da exaustão dos numerosos hits do cara ("Sossego", "Descobrir dos Sete Mares", "Me Dê Motivo"...). Foi uma mina de ouro que a Trama acabou lapidando e transformando em CDs remasterizados com muito estardalhaço, ampliando a legião de fãs.
Em novembro último a Trama lançou o disco de remixes do Vol. 1 de Tim Maia Racional, que sai quase natimorta por três fatores cruciais: o risco de mexer com a essência de um artista tão dogmatizado como Tim; a instabilidade de um álbum de remixes feito sob encomenda; e a iniciativa da Trama de juntar apenas artistas do seu cast ou que soem como tal.
DESTAQUES
A história começa promissora com o remix de Bruno E para "Rational Culture", uma fusão de bossa eletrônica com pequenas jam sessions de elementos da soul music (Silvera e JMB se esforçam para parecer diferentes, mas fazem o mesmo). Mas aí a coisa fica estranha com o rapper Parteum rimando em cima da mesma canção em tom mais alto do que o vocal de Tim, relegado a segundo plano. Rappin' Hood faz o mesmo na faixa "Universo em Desencanto". Sua levada rap, apesar de cantarolar bem os dogmas da cultura racional, não consegue deixar de parecer o Sampa Crew: previsível, com rimas fáceis, nenhum improviso ou aliteração. Talvez o português seja lírico demais para ser desconstruído como os rappers americanos fazem.
Nem tudo está perdido: a fumaça dub que o coletivo Instituto assopra em "Imunização Racional (Que Beleza)", deixa Tim hipnótico e sensual. O remix quebrado de Madzoo para a mesma faixa mostra que o d'n'b combina mais com o cantor do que rap paulistano. E Mau Mau, veja só, joga um pouco de groove ácido na lenta "You Don't Know What I Know".
JEITO TRAMA DE SER
O CD peca em criatividade quando Max Castro, Parteum e Silvera presenteam Tim Maia com mais do mesmo: elementos brazucas entrecortados com loops e beats do soulpop eletrônico (Jota Quest nasceu assim). Perfeito para ser aceito tanto na trilha de um filme carioca da Globo Filmes quanto no underground do nu-jazz. É o velho sintoma da Trama: fazer parte da música eletrônica nacional soar sempre a mesma coisa: MPB chique e moderna. Em outras palavras, chata.
__Vamos ficar atentos, tem muita gente fazendo algo legal na Cultura Hip Hop brazuka.
Parteum e 1 deles...procure ouvir albuns completos se possivel...Os caras estao desconstruindo SIM.
Thx.