Liars Drum is not Dead
Art rock na veia: minimalismo, percurssão e bagagem audiovisual
15.12.06 13:00
O termo art rock, que vem sendo usado nas publicações especializadas e que pode ser relacionado a grupos como Sigur Rós e Blonde Redhead, é algo que pode ser melhor entendido com Drum's not Dead, do Liars, banda metade americana metade australiana. Em seu terceiro disco o trio que havia lançado anteriormente um bem sucedido trabalho produzido por David Sitek, do TV on the Radio montou base em Berlim para criar este trabalho que é uma grande experiência audiovisual: 36 curtas metragens acompanham o álbum num DVD extra.
No disco, as 12 faixas tornam-se temas com as figuras sempre presente de dois personagens: Mount Heart Attack e Drum, que para a banda são como Yin e Yang. Esses temas sempre remetem a sonoridades diversas e não por acaso lembram realmente trilhas sonoras; ora filmes de ficção científica, ora filmes de terror ou suspense.
Há momentos de latente letargia como em "Be quiet Mt. Heart Attack!" faixa que abre o disco ou de extrema beleza e sensibilidade como em "The Other Side of Mt. Heart Attack" última música. Encontraremos similaridades aos primeiros trabalhos de Sonic Youth ("A visit from Drum") e Gang of Four ("Drum and the Uncomfortable Can"), e percebe-se que há um ótimo trabalho percursivo aliando baterias eletrônicas à percursão orgânica, cheia de efeitos.
Um ouvido mais atento percebe claras influências de Can, mas os Liars não são dados a "progressivismos", o minimalismo é a linguagem que mais caracteriza esse disco confira "Its all Blooming now Mt. Heart Attack". O menos-é-mais também é a linguagem usada nos vídeos, disponíveis no site da banda. Estes foram produzidos por Angus Andrew e Julian Gross, vocalista e percusionista da banda, e por Markus Wambsganss, cineasta convidado a participar do projeto.
Drum's Not Dead é uma nova forma de conceber arte e de atravessar fronteiras, um disco inovador, talvez audacioso, mas é também puro e inspiradíssimo e nele não há mentiras.