Bem produzido, álbum solo de ex-Kraftwerk persiste na estética da banda de Dusseldorf
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KARL BARTOS NO BRASIL - DANCE CINEMA 2008Na resenha abaixo, escrita há quase dois anos, você conhece um pouco mais do trabalho solo do ex-Kraftwerk. Ele que agora em outubro de 2008 faz sua primeira tour brasileira, com datas em São Paulo, Brasília e Porto Alegre. Todas as infos estão no
www.thelegend.com.br. Aguarde cobertura rraurl.com!
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Em 2003, no auge da época em que Larry Tee, Miss Kittin e Felix da Housecat enchiam pistas, enriqueciam e louvavam o dinheiro e a cocaína com o electro, ressurgiu das cinzas um ex-integrante do Kraftwerk, Karl Bartos. Braço liberto da banda desde 1991, ele lançou um álbum solo -
Communication - e conseguiu sair da sombra de pequenos projetos paralelos e da grandeza de Ralf Hütter e Florian Schneider, os mentores da banda de Dusseldorf.
Communication começa com "I'm the Message". Tem o break kraftwerkiano que dá vontade de contar ein, zwei, drei, vier, fünf, além de ecos, melodias, reverbs e repetições não tão cruas assim - os loops foram criados quinze anos depois de techno e afins.
Bartos sempre foi conhecido como o mais acessível kraftwerker. Talvez por isso seja possível algum co-produtor deixar sua identidade aflorar mais no resultado final das produções. É o caso de "15 Minutes of Fame", feita com a cara e a alma de Anthony Rother, parceiro de Bartos na faixa. Pode ser teoria da conspiração mas se não fosse pelo look industrial, a música teria, perdoem a heresia, um leve "quê" de Nova York, de electroclash. "15 Minutes..." saiu em 2000 como EP/single, tem discurso consciente, refrão fácil para pensar e cantar junto: "All kind of things are given for free, just as long as they call you celebrity".
Karl Bartos - 15 Minutes of Fame
À primeira ouvida, é inegável não pensar que os vocais em
Communication são de Bernard Sumner do New Order, parceiro de Bartos e do ex-Smiths Johnny Marr no projeto Eletronic (1996). Talvez ter vivido em Londres por dois anos ao lado de tão cativantes parceiros influenciou o tom do ex-Kraftwerk: o vocal do cara é muito parecido MESMO. É inclusive a voz dele que faz duas músicas do CD serem as mais legais: "Eletronic Apeman", futurística e muito bem açucarada; e "Life", a mais pop, bem grudenta, teria alcançado os charts se 2003 fosse 1984. E tem mais, o baixo parece ter sido emprestado, claro, de Peter Hook. Notas crescentes, emotivas, com 'explosão' do vocal "I've to get on, with my life!".
Bartos, terceiro à esquerda, na época do lançamento de "Radioactivity"

ROBOTSO caráter pop do álbum de Karl Bartos traz inerte também o seu grande defeito: não são todas as faixas que acompanham esse ritmo. Quando ele insiste no vocal robótico tudo fica cansativo, caso de "Cyberspace"" e "Another Reality", lembranças do clássico
Radioactivity, álbum de 1975 do Kraft.
Comparar Bartos com Kraftwerk pode parecer simplista e clichê, mas é algo que o próprio cara faz em seus press releases - não tem como fugir disso. "Interview" e "Câmera" são primos sonolentos de "Trans-Europe Express". "Ultraviolet" foge um pouco dessa condição com robotismos e bases bem produzidas, boas lembranças da keyboard music, 'gênero' que pode ter correspondências em Koji Kondo, o compositor do Super Mario Bros., e na banda blip-videogame Aaviko, da Finlândia.
Até a capa, minimalista e semiótica, lembra a banda. Em pleno século 21, Karl Bartos poderia (e ainda pode) ser o único músico com legitimidade para tocar algo kraftwértico que não tenha saído dos porões do secreto estúdio Kling Klang. No último verão europeu seu nome foi freqüente como headliner de festivais e turnês pela França e Escandinávia. E você achando que já tinha ouvido e visto tudo dessa turma...
Vale a pena dar uma conferida!
vale mt a pena.