Trentemøller - The Last Resort
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ficha técnica
Nota: 8 / 5
Ano: 2006
Selo: Poker Flat
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Trentemøller - The Last Resort
20.10.06 16:00
Muita gente ficou chateada com o bolo que o Brasil levou de Anders Trentemøller alguns meses atrás quando o cara cancelou várias gigs por aqui em cima da hora. Ficamos sem o live do dinamarquês, pelo menos por enquanto, mas é só ouvir as primeiras faixas de The Last Resort, o primeiro álbum do produtor, pra eventuais frustrações irem passando devagar enquanto sobem synths atmosféricos e pipocam beats mínimos, daqueles que você encontra nos trabalhos de um Monolake.

Passado o choque de quem só ouviu seus remixes em alguma pista de dança com suor pingando do teto (tipo "What Else Is There", do Röyksopp), você saca logo na faixa de abertura, "Take Me Into Your Skin", que o álbum é daqueles feitos para ser escutado no fone-de-ouvido. Muita melodia, nenhuma bombação, vozes femininas e acordes de guitarra com delay no talo. "Vamp" vem logo em seguida como um blues sintético, com graves arrastados e batidas sincopadas que te obrigam a acompanhar com o pé. Algo como "Nasty Dollars", do Alter Ego, só que sem ser puro ácido. E quem prestar atenção vai ver que, apesar de não contar mais com batidas pesadas e refrões para se cantar com o peito cheio, a cria ainda é a cara de seu criador. Talvez meio deprimido, mas é.

As linhas de baixo ocupando quase toda a música ainda estão lá. As seqüências de bateria mutantes, ora lineares, ora desmembradas, também não faltaram. A diferença é que agora não há uma pista para satisfazer. Parece que The Last Resort foi parido após um porre de clickhouse, mas click feito a la Trentemøller.

A impressão é que o álbum é uma coisa só, e que as faixas só estão ali para te facilitar a vida, por isso é difícil de dizer qual delas é a mais bacana. Talvez dê para eleger o momento mais interessante do disco, como o scratch plástico, soando propositalmente falso, que rola em "Something Better" sobre uma base de hip-hop meio minimalista, ou a oposição entre as melodias ora opressivas, ora tranqüilizantes em "Like Two Strangers".

O dinamarquês mostra nesse disco que é mais que um produtor de hits de pista, mas os synths em volume mais alto que a bateria cansam ao longo das treze faixas. The Last Resort soa definitivamente como uma viagem pela cabeça de Anders Trentemøller, mas a trip poderia ter sido um pouco mais breve.

Marcus Vinícius Brasil
Marcus Vinícius Brasil
twitter.com/marcvs
comentários
3 comentários
XTO
XTO(26.10.06)
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Eu quero ouvir coisas igual beta boy. Se ele viesse pra cá tocando cansaço e depressão, ia ser logo enxotado. Mas "deixa o homem trabalhar" porque ele já mostrou que tem talento.
Usuario
Usuario(26.10.06)
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para o amigo ai de cima....

em um album ele produz todas as suas influencias, e nenhum artista ira viver somente de bombacao!!!
Rafael Vitiello
Rafael Vitiello(23.10.06)
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Pq todo big artista que estoura com bombação e talz sempre produz um album totalmente down e chato? Nâo ouvi esse pra saber, mas axo complicado isso. Os caras estouram com som de pista e quando ficam famosos e tem grana para produzirem um album, fazem algo totalmente diferente do que seu público mais conhece. às vezes parece q eles num botavam sentimento em nada e só queriam conquistar espaço, pra mostrarem que tbém são intelectuais (e q suas músicas de antes não tinham conteúdo).