Beastie Boys - Licensed To Ill
Primeiro álbum do trio é barulhento, mal-educado e cheio de energia
25.10.06 15:30
Quem só conhece a instituição Beastie Boys dos últimos anos para cá, ou seja budistas, politicamente corretos, sempre trajando urban wear elegante, fãs de jazz teria dificuldade em reconhecer o trio em 1986, ano de lançamento deste seu primeiro álbum como grupo de hip hop (eles tem um anterior, de hardcore punk, chamado Rock Hard).
Nessa época, eles eram três moleques atrevidos, desbocados, que só falavam em encher a cara e correr atrás de mulher. Nos show deles, meninas da platéia eram chamadas para dançar em gaiolas e havia um pênis inflável gigante. A imprensa tablóide, a polícia e os guardiões do moral não os deixavam em paz. Eles foram expulsos da Inglaterra por supostamente terem debochado de doentes com leucemia, fato negado pela banda.
Era óbvio que tudo não passava de uma imagem cuidadosamente planejada para criar o maior impacto possível. Funcionou. Mas os BB não eram marketing puro: o híbrido de hip hop com guitarras altas de Licensed to Ill e vocais berrados era algo inovador e enérgico. Calcado em cima de samples de bandas como Led Zeppelin e AC/DC, o disco é uma sequência barulhenta e debochada, som pra zoar mesmo.
Produzido por Rick Rubin (fã de metal que também tinha arquitetado a fusão rock/rap do Run DMC), continha faixas que se tornaram clássicos, como "Fight For Your Right To Party", "Paul Revere", "Brass Monkey" e "No Sleep 'Till Brooklyn". Os BBs enlouqueceram a molecada da época, sendo decisivos para a conversão de milhares de garotos brancos roqueiros de classe média ao hip hop.
Graças a esse disco e a Raisin' Hell, do Run DMC, 1986 foi o ano em que o hip hop deu seu primeiro grande passo rumo à dominação mundial: Licensed... foi o primeiro álbum de hip hop a chegar em primeiro nos EUA e o mais vendido do gênero no país nos anos 80 (passou dos cinco milhões de cópias).