Silent Poets - Sun (Rush)
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Silent Poets - Sun (Rush)
13.06.06 01:45
Seis anos após o lançamento de "To Come", os Silent Poets mostram "Sun". Este disco desvenda o que se pensa, de início, ser o que poderá ser o som de uma poesia silenciosa: melodias poderosas, elegantes e temperadas com orquestrações emotivas, casadas numa base sólida atmosférica e de r&b. Tudo isso com experimentações dub e eletrônicas. Michiharu Shimoda e os outros participantes navegam pelos mares do hip-hop abstracto.

As participações de Shawn Lee e DJ Yellow acondicionam o trabalho final de "Sun". A co-produção deste DJ, fortemente ligado ao funk/soul e ao jazz se cruzam com a voz de Shawn Lee, um homem do funk e outros cruzamentos sonoros variados (a sua "Hapiness" prova isso com inúmeras inclusões em compilações várias). Os arranjos de cordas (presentes por todo o disco) ficaram a cargo de Everton Nelson que já trabalhou com The Orb, 4hero, Ryuichi Sakamoto e Bjork) entre outros.

A viagem inicia-se com uma pequena introdução. "Dumb girl" aparece-nos como um exercício r&b que nos dá direções e preciosas informações sobre o terreno onde nos encontramos: um espaço rico em instrumentações sensíveis gerado pelas cordas. "Future", totalmente instrumental fortalecida com efeitos sonoros (risos de crianças) está em oposição a "Next Episode" que é o tema mais obscuro deste trabalho. Nesta altura, "Man On The Street", quinta faixa de "Sun" aparece. Um tema enorme com uma voz poderosa mas controlada de Shawn Lee, que desfia os problemas do homem entre homens. O dub está presente em "Sun" em "From Earthling" e em outra grande faixa do disco: "Rock Star" onde se canta "Last night I was a rock star, young girls screaming at my feet. Today I'm not a rock star and no one even hears my grief."

Uma parte da imprensa apontava uma ligação deste disco ao trip-hop dos Massive Attack. "Sleeping Tiger", nona faixa, poderá ser culpada desta ligação pela veia atmosférica unida ao downtempo. O tema que batiza o disco vem por último. "Sun" é capaz de ser o melhor instrumental com velocidade perfeita e intensidade e alma crescentes. É descomplicada, mas rica e gentil.

Michiharu Shimoda fez um excelente disco com audição necessária em clima e ambiente calmo para se desfrutar da riqueza dos arranjos e da emotividade que eles nos proporcionam. Ideal para se ouvir num dia introspectivo onde a chuva nos faça companhia.

Hugo Pedro
Hugo Pedro
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