Adaptação de "O Guarani" é bela, mas difícil de acompanhar
Peri no palco de O Guarani
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Adaptação de "O Guarani" é bela, mas difícil de acompanhar
Segundo dia da ópera eletrônica contou ainda com o set do DJ norte-americano Derrick Carter
25.06.07 18:40
Cambistas inquietos, gente da organização entregando punhados de convites para amigos, uns três estacionamentos suspeitos cobrando R$ 20 e dois funcionários desinformados do ECAD. "É evento da GOL?" perguntou um dos engravatados para um membro da organização. Por volta das 23hs do último sábado (23/06), as escadas em frente ao Tom Brasil estavam pouco movimentadas. Era o segundo e último dia de apresentação da ópera multimídia O Guarani, parte do projeto V.I.A. Gol, que apresentou uma remontagem da famosa obra de Carlos Gomes.

Dentro da casa de shows, o DJ Cesar Alvarenga tocava para um público modesto. Apesar das cortinas na parte de trás do Tom Brasil estarem abaixadas, reduzindo o espaço, havia lugar suficiente para os grupos de pessoas que resolveram sentar ou até mesmo tirar um cochilo na pista enquanto aguardavam o início da ópera. No fim do set, quando o som passou do downtempo e do breakbeat cabeça para um electro-house mais animado, o público esquentou e arriscou dançar.

PSICODELIA MULTIMÍDIA

Com cerca de uma hora de atraso, começou o espetáculo. Quem estava sentado se levantou e toda a platéia foi se concentrar no gargarejo, dando a sensação de que subitamente o Tom Brasil havia enchido.

O cenário era composto por uma estrutura metálica de dois andares colocada sobre o palco. A parte dianteira estava coberta por uma grande persiana, onde foi projetado um texto de introdução à ópera. O mote para misturar os elementos primitivos do Guarani original com música eletrônica e tecnologia multimídia foi uma suposta sociedade que, após praticar um reflorestamento descontrolado, se viu obrigada a rever sua relação com a natureza.

Logo em seguida entraram os músicos, o maestro Fábio Oliveira, o DJ Mau Mau – vestindo terno – e começou a encenação. A história do amor impossível entre Ceci e o índio Peri foi narrada pela cabeça virtual do produtor Coy Freitas, projetada em uma espécie de torre ao lado da estrutura metálica.

A ópera, cantada em italiano, foi legendada nos telões laterais do Tom Brasil, causando bastante desconforto para quem não queria se perder completamente na história. As vozes poderosas do tenor Eduardo Pinho, que interpretou Peri, e da soprano Julianne Daud, a Ceci, ficaram bem sobre as bases mutantes produzidas por Mau Mau. A parte musical soou bem, passeou por todo tipo de timbre e vertente da música eletrônica, mas não conseguiu se destacar mais que o belo show de imagens psicodélicas que eram projetadas durante o espetáculo.

A atuação do grupo teatral foi outro destaque, ao contrário do figurino que não convencia como mistura entre primitivo e high-tech. Alguns momentos da adaptação da história também deixaram a desejar, como a luta entre Peri e o aventureiro Gonzales, remontada na forma de uma estranha disputa de vídeo-game, com direito a "Peri Wins" ao final da briga.

A principal sensação no fim do espetáculo foi que, apesar de ter uma proposta ousada, a iniciativa foi pouco arriscada. Para não ficar em um limbo estéril entre apreciadores de música erudita e de música eletrônica, a organização foi mais para o lado do segundo grupo e apostou no modelo "espetáculo-festa". O problema é que esse não pareceu o melhor formato para uma obra como O Guarani.

A todo momento grupos de pessoas se esbarravam a caminho do bar e ficar em pé durante toda a ópera facilitava muito a dispersão. Se perder várias vezes na narrativa não era difícil, apesar da história de Peri e de Ceci já estar bem calcificada na memória brasileira.

Ao fim da apresentação, os organizadores e os artistas foram ovacionados pelo público, mas sobrou pouca animação para o set de Derrick Carter. O DJ americano tocou para um Tom Brasil morno, que parecia mesmo ter saído de casa pela curiosidade de assistir a uma obra tão inusitada e não para se jogar noite adentro fervendo ao compasso de bateria 4x4.

Marcus Vinícius Brasil
Marcus Vinícius Brasil
twitter.com/marcvs
comentários
41 comentários
Cecilia
Cecilia(05.07.07)
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MARAVILHOSO!INICIATIVA ÓTIMA, PARABÊNS A GOL!CONCEITO MUITO INTELIGENTE E DIFERENTE ! ESPETÁCULO PARA PESSOAS DE VANGUARDA! ARTISTAS EXELENTES. GOSTEI MUITO DOS CANTORES,ADOREI AS PROJEÇÕES.MAU MAU ARRASOU, CRIOU ALGO MUITO DIFERENTE, EXPERIMENTAL!
ACHEI INCRIVEL A POSTURA DO MAESTRO E A CONDUTA DA ÓPERA!

Lucas Castro
Lucas Castro(28.06.07)
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ingratos os que têm a possibilidade de ver algo tão inovador e descartar todo o conceito.
egoístas que pensam so no umbiguinho "hype"
humpf.

eu nao tive a chance de ir e gostaria muito.

ao ser que muito é dado o tédio muito é cobrado...
Emerson
Emerson(28.06.07)
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Um lixo!
É tudo que tenho para dizer
Mateus
Mateus(28.06.07)
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Fui na sexta, as pessoas que estavam comigo não gostaram muito tbém, eu e uma amiga achamos o máximo, algo diferente, ousado e com várias influências.
Achei bem legal a música, cenário, figurino e até a luta de vídeo game e o batalha com os caras de breaks, gostei até da "persiana" que se transformava num TELÃO gigante em segundos.
Parabéns!!
joana
joana(28.06.07)
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na verdade 5,7 milhões: 3,7 milhões captados através da rouanet e 2 milhões investidos pela Gol, segundo o livreto.