Minimal, house, techno e rock nas areias de Mar del Plata
faça login para votar!
Enviar esse texto
login para votar!
Enviar esse texto
  • Currently 0.00/5
Nota: 0.0 (0 voto)
login para votar!
fotos
Nokia Trends Mar del Plata
22.01.07 16:55
Nokia Trends Mar del Plata
social bookmarks
Digg
Mugg
del.icio.us
Minimal, house, techno e rock nas areias de Mar del Plata
Edição argentina do Nokia Trends levou 30 mil pessoas para day party em clube na praia
22.01.07 18:35
Para o argentino mais sem grana, há uma boa opção alternativa a Camboriú ou Florianópolis: Mar del Plata, 400km da Capital Federal, clima ameno (28º-17ºC), gente rica, bonita e natureza acessível apesar da estrutura cara (o aluguel de cabanas em praias pode chegar a 150 pesos por dia ou 3 mil por mês!). A cidade então é a correspondente argentina de Ibiza, a Barcelona do Mercosul: vários clubes de verão em espaços privados na praia animam a cena de festas porteñas.

Esse sábado a garoa deu uma trégua e céu de brigadeiro recebeu a segunda edição do Nokia Trends Mar del Plata* – faz pouco tempo que Fatboy Slim tocou sua Big Beach Boutique por lá -, que teve como headliners o DJ inglês Justin Robertson, a banda de electrorock francesa Rinôçérôse e o top chileno Ricardo Villalobos.

A festa era de graça, mas ficar na frente do palco só para quem tinha a pulseira rosa, adquirida por 50 pesos ou na compra um celular Nokia. Pulseirinha preta dava direito à área VIP, com piscina (!), churrasco (!!), vinho e caipirinha de Velho Barreiro! E em São Paulo que nem vodka teve, culpa da Prefeitura...

Lucas Ferro e Adrián de Bernardi, DJs do La Morocha - espécie de Warung com palco no meio da areia que sediou o Nokia - abriram a festa com minimal e deep house calminhos, perfeito para o sol a pino e as dezenas de pessoas fritando (de sol!), na areia. Alto Camet, expoente da cena marplatense, seguiu a mesma linha, só que em esquema banda. Era o formato ideal buscado pelo festival: DJs e bandas criando "pontes entre o rock e a eletrônica" (frase que este repórter ouviu umas 15 vezes). Eis que de repente chega o vento frio e o festival em si começa, lá pelas 18hs...

JUSTIN ROBERTSON
DJ inglês dos tempos da acid house, Robertson de oldskool não tem nada: seu electrohouse veio com um considerável aumento do volume do soundsystem. Curioso como as poucas faixas de minimal tocadas animaram mais que o electrão linear, por vezes repetitivo e exageradamente sintético que se o cara não mixa logo, enche o saco. O vento foi cruel e fez a agulha pular duas vezes na mesma faixa. Deu dó de sua cara preocupada e da tensão dos assistentes que taparam as turntables com uma placa transparente de acrílico e dois guarda-sóis. Seguiu assim, animado, levantando braços as cornetas (sim, muitas!) de todos os hermanos ali na frente, que pareciam sedentos de qualquer loop mais ascendente. E como o dia estava bonito e o clima de festa estava bom, ele encerrou feliz com o remix de Trentemoller para "Go", do Moby, cheio de backspins.

RINÔÇÉRÔSE
Se a divulgação da banda de Montpellier faz parecer que se trata de um Vive la Fête do sul-francês, ledo engano. São cinco no palco (dois guitarristas, a baixista Patou Carrié, um bateirista/percursionista e o programador soltando batidas e texturas). É que a loira no baixo e o guitarrista Jean-Phillipe Freu são a alma da banda. Uma pena que ao vivo eles não sejam tão convincentes.

O show baseado no greatest hits lançado ano passado foi daquelas bandas que tem mais energia em estúdio do que ao vivo: volume e animação mais baixas que Justin Robertson, e não era culpa do soundsystem. "Fiction Dancer", hitaço dance punk, passou incólume no gogó do segundo guitarrista, responsável pela gritaria punk-de-boutique: "heey, you, move your hips, shake your tits!".

Valeu a pena por momentos esporádicos: "Fuck Funky Music", "Le Mobilier", "Cubicle" e o encerramento chic com "Le Rock Summer", bem anos 70, houseira e com guitarras viajandonas. Os vocalistas convidados foram outro ponto alto: a bizinha black-power que canta como Macy Gray em "Bitch" e o roqueirão bêbado com camiseta do Boca Juniors que roubou o beck de alguém na fila do gargarejo e berrou bem empolgado em "Get Ready Now", o melhor momento do show.

Fica a dúvida porque Patou, que na coletiva mostrou-se dona de uma voz sensualmente macia, não canta, e porque eles não aprendem com o Soulwax e fazem suas "pontes entre rock e eletrônica" de maneira mais festiva, empolgada. Muita firula para uma banda que apesar de dez anos de existência não foi além de bons singles de house e rock com estéticas previamente trabalhadas por vários artistas. "Nossa influência é Daft Punk e AC/DC", disseram na coletiva. Mais óbvio, impossível.

RICARDO VILLALOBOS
O chileno entrou depois de um warm up de minimal pingadíssimo. Cinco minutos depois de entender onde ficava o volume – um técnico teve que ajudá-lo – ele seguiu o caminho inverso e tocou minimalismos mais gordos, grooveados na linha de Matias Aguayo. O grito do público para qualquer movida sua nos aparelhos era a prova de que ele, no fim, era a atração mais esperada.

A câmera mostrou e eu vi: foi um set basicamente de vinil vs CD, mixados na vertical pelos canais de volume, nada de crossfader. Diferente de Richie Hawtin, com raízes mais techneiras e lineares, ele não via problema em exagerar e a cada duas ou três músicas entrecortadas por um break ou minimal freak, vinha um vocal por vezes houseiro, por vezes desconstruído em loops, como no techno dos anos 90. Aí entra seu "Conclave Remix" para "The Sinner in Me" do Depeche e ele tem a pista toda em suas mãos para soltar grunhidos e cornetas árabes em bases houseiras logo na seqüência.

Trompetes rasgados, breaks antigos, daqueles que vinham no lado B de discos de techno, e muitos vocais latinos. Fácil entender porque Zeca Camargo, um amante de "world music", diz em seu blog como adora o chileno (leia aqui). A esquisitice seguiu até o final entrecortada por eletrônica oldskool (começou com "Spinal Scratch", do Thomas Bangalter). Pouco minimal, muito techouse e encerramento com Astor Piazzola mixado com techno, sem medo de errar.

Villalobos** finalizou como os argentinos queriam e mandava beijos com aquela quebradinha de pescoço afetada tão característica, ao mesmo tempo que dançava com alguns amigos ali no palco. Sem dúvida, a festa foi dele.

La Morocha // Nokia
Só um Nokia Trends para levar 30 mil pessoas numa tarde ao tal La Morocha, mas a casa tem programação turbinada em janeiro e na semana que vem tem Swayzak e Bajo Fondo Tango Club, confira a programação e se arrisque, a cidade é baratinha e perto de Buenos Aires.

Próximas paradas do festival da compania de celular finlandesa devem ser Bogotá e México, culminando com a edição brasileira no fim do ano, ainda sem formato e data definida.


*O repórter viajou a Mar del Plata a convite da Nokia
**E não, Villalobos não tocou a música de 37 minutos, parece que de hit bastou seu remix para o Depeche Mode

Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
comentários
2 comentários
Jade
Jade(23.01.07)
0AprovadoQueima
nah..cortei o cabelo faz meses
Dênis
Dênis(22.01.07)
0AprovadoQueima
é verdade esse boato que o villalobos é seu irmão bastardo?