Porque o Daft Punk é o maior acontecimento pop dos últimos tempos
Não é só pelo show chamativo e iluminado. Contexto da banda no cenário musical atual é inédito
01.11.06 12:00
Foi a segunda vez que vi o Daft Punk, agora com o conforto de um TIM Festival carioca, longe da muvuca de um festival teenager europeu. Deu para chegar melhor à conclusão de que tudo aquilo é maravilhoso justamente por não ser outro duo com laptops e vá lá, uma bateria eletrônica. Conceitos, narrativas, tecnologias e dance music são misturados de maneira única e com uma impessoalidade pretensiosa, digna de quem está no topo.
Musicalmente, é techno e house, mas pode assustar. A transição entre os hits (sim, todas são) é por vezes difícil, lembra de "Prime Time of Your Life" e "Face to Face"?. Soltam um sample e recuperam depois, "Around the World" entra primeiro só o vocal, depois a base que, se não me engano, vem com "Da Funk" na seqüência. Tudo isso com aquela cromoterapia minimal e fluorescente, haja córnea e pescoço duro.
E quando o telão vira um espaço sideral de estrelas e entra o house mais fino que esses ouvidos já ouviram? Pena que dura tão pouco. Lá no fundo do Main Stage lembro de ver alguém dançando com umas muletas para o alto, acho que rolou um milagre.
COMEÇO, MEIO E FIM
Obviamente o mais interessante do Daft Punk é a direção de arte. A cenografia que incorpora o conceito narrativo de três "turning points": poucas luzes no começo; depois o telão e no fim, a pirâmide com cenas de humanos. Há uma história a ser contada e, ao contrário do suicida Electroma, o final é feliz, "Human After All" somos todos nós. Seria apoteótico se eles tirassem os capacetes, mas Bangalter e Homem de Cristo incorporam mesmo os personagens que propõem.
Para quem quer um live PA tradicional - blips, loops, batidas e mixagens com precisões -, não faltam artistas para isso no techno, por exemplo. E, sem juízo de valores, não há como comparar com o show do Daft Punk.
E sim, foi a mesma base a turnê toda, com mudanças ali e aqui. Há que se manter a coerência narrativa. Quando os vi em agosto eles tocaram "One More Time" picotada no final com "Higher, Faster...". Aqui foi bem melhor, "Da Funk"!
ROCK STARS
Quem na dance music já construiu uma apresentação áudiovisual com conceitos que fazem as pessoas discutir temas existencialistas, tecnológicos e atuais - o adjetivo mais usado para falar deles? Ninguém! Talvez o Kraftwerk?
Com toda essa disputa de dance com rock, qual foi o live eletrônico alçado à condição de maior estrela de qualquer festival e show de rock? Eles, que foram mais headliners que Madonna no Coachella. Repare como alguns jornalistas adoram dizer que "Daft Punk é o maior show de rock". É justamente o contrário! Eles são o maior show que a eletrônica já viu, chegaram no máximo possível do mainstream, ocupado há décadas pelo pop e pelo rock. Isso parece causar comichão na roqueirada e nos indies.
E por isso eles merecem respeito, por serem a coisa mais ATUAL num tempo em que a música não sabe fazer nada a não ser processar revivals e influências. Eu, você, seu primo, seu irmão pequeno, qualquer um que for pesquisar a música dos anos 00 daqui alguns anos, vai encontrar Daft Punk como verbete principal. Pela inovação de Homework; pela viagem de Electroma; pela mesmice musical de Human After All e pelo estrondo da turnê de mesmo nome. E por aquele loop daftpunkeano que fez a alegria do underground e virou base para baba de FM. E você, clubber das antigas que ouviu "Around the World" na Sound Penha ou você, neo-eletrorocker que ouviu "Technologic" no Vegas, devia se orgulhar por isso!
Vai me dizer que não fez bem à alma sair do TIM cantando o refrão de "Too Long"?
You know you need it,
hey, I need it too, alright!
you know you need it,
it's good for you
We don't move!
Thomas Bangalter - Paris by Night
soturna
Thomas Bangalter & DJ Falcon - Call on Me
baixa aí no slsk
é bem o loop gordo, meio prog e french touch deles que tem em TODA house de FM do fim dos anos 90
Fala ai em que show no mundo vc já viu uma revolução tão grande na forma de apresentar um show?! Tem toda uma história, lembro até que em um momento as duas faixas de luz que ficam paralelas a piramide estavam acesas de uma foram que lembra uma pista de pouso. "Caramba! a piramide tá aterrisanso!!!"
E tinha muito mais além disso, algumas batidas entraram totalmente quebradas (electro-clash?!). Quem pensa que os duo francês estacionou no tempo está enganado. O tempo só alcançou eles agora em 2006 com quase 10 anos de atraso.
Pra mim foi o melhor show do ano abrangendo todos os ritmos, e olha que o do Franz Ferdinand no Motomix foi foda!