Tim Festival 2006: última noite
Shadow e Beastie Boys trazem o gueto pra Marina da Glória; Bad Plus, Black Dice e Caetano são os conceitualistas e Jason Forrest e Camilo Rocha regulam os knobs!
29.10.06 22:15
Trinca dominical
No momento Beastie Boys grita pra cariocada "Dance that ass off!" com um baixo que faz as divisórias da sala de imprensa tremerem. No TIM Lab, 8% da capacidade da tenda para ver o trio Black Dice, um dos sons mais esquisitos do festival e um dos palcos mais bonitos: três malucos, um deles arranhando uma guitarra, outro batendo um bumbo num amplificador e outro mexendo no laptop. Atrás, caixas de som e uns módulos analógicos antigos, bacana.
No Motomix Village Camilo Rocha manda um bootleg breaks de "I See You Baby", do Groove Armada, animando um pouco o festival que já está acabando e ganhou um ar burocrático. E ainda tem Caetano, tocando Cê, para você!
Jade Augusto Gola :: Seg., 29/10/06 - 02h31
Música sem fronteiras
Rob Garza e Eric Hilton, os "cabeças" do Thievery Corporation, vieram ao Brasil acompanhados de uma grande banda. 11 músicos chegaram a ficar no palco simultaneamente. Vocalistas de várias partes do mundo (a brasileira Karina Zeviani, 2 MCs jamaicanos e uma cantora indiana) davam o tom multicultural da música do Thievery.
Muito dub, reggae, influências indianas. Tudo isso esteve presente no show, que contou ainda com a deliciosa "Só com você".
Igor Lopes :: Dom., 29/10/06 - 19h30
A "cagada" da American Airlines
A banda TV on The Radio não perdeu o pique mesmo depois que a American Airlines extraviou todos os seus instrumentos. Já no Rio de Janeiro, eles compraram parte do equipamento e tiveram que pedir o restante emprestado do Thievery Corporation, atração que entrou em seguida.
Falando em português, o saxofonista pediu desculpas ao público e o sexteto fez um show bem animado, passeando por faixas de seus dois álbuns, Desperate, Youth, Blood Thirsty Babes e Return to Cookie Mountain. "Dreams", uma das músicas mais conhecidas da banda, animou o povo que foi assisti-los. Boa parte do público esperava o Thievery Corporation. Talvez por isso, nem mesmo toda a empolgação do vocalista Tunde Adebimpe conseguiu contagiar a pista como um todo.
Igor Lopes :: Dom., 29/10/06 - 19h15
We came to dance!
A frase escrita na camisa de um dos integrantes do duo Booka Shade já dizia tudo: como se não bastasse fazer todo o povo chacoalhar na pista, eles também se divertiram bastante lá do alto da cabine. Apesar de tocarem num espaço que transformou-se em passagem do público (o Motomix Village nada mais é que o corredor situado entre a portaria e as tendas), os alemães mostraram as músicas do álbum Movements. Pontos altos: "Body Language" e "Mandarine Girl", que você verá em vídeos aqui no rraurl.com a partir de amanhã.
Live de verdade! Um deles na percussão, o outro comandando 3 laptops e uma mesa de efeitos. Apresentação animada, que só acabou depois que a dupla voltou para 2 "bis". Agora é esperar que eles realmente voltem por aqui o mais breve possível. Esses dois em um clube não seria nada mal! :)
Ana e David não deram trégua e pesaram a mão desde o início. Não vi muitos lenheiros por lá. O pessoal que ficou na pista parecia bastante alheio ao som do casal.
Detalhe: falta de respeito da organização do Tim, que não cumpriu os horários e fez com que pessoas que compraram ingressos para mais de um espaço acabassem perdendo apresentações. E por que, em momento algum, foi avisado que quem tivesse ingresso para uma tenda poderia ter acesso ao Motomix? Tá certo que a entrada para o Motomix Village custa R$ 15, mas não deixa de ser desrespeito.
E outra: fui só eu que achei a estrutura no MAM mais legal?
Igor Lopes :: domingo, 29/10/06 - 19h00
Questão
Olha só cara, tem dois palcos e uma pista: Main Stage, TIM Lab e Motomix Village. Nesse momento YéYéYéahs tá acabando o show, Thievery Corporation tá rolando com uma vocalista brasileira e Booka Shade tá no fim. Difícil pra caralho escolher.
A transferência do Motomix Village do palco principal para o "lounge" do TIM é uma furada total: a pista fica num lugar que é corredor, passagem de quem acabou de chegar e quer ir nas tendas, é apertada e abafada. No formato original seria depois do show do YYY, ou seja, quem tem vários ingressos ou credencial não perderia alguma coisa.
No fim das contas, não vi direito os três, só uma "passada". E pior: um festival que poderia rolar até seis da manhã, (Ana e David já estão entrando, JÁ!). Depois que acabar o techno deles, tchau tchau TIM. Ano passado Body & Soul foi até 07h da manhã de segunda, vai acabar com hard techno às 04h? Não faz sentido.
A eletrônica foi bem desvalorizada nesse TIM carioca.
Jade Augusto Gola :: Dom., 29/10/06 - 02h08
WE ARE PEOPLE!
Patti Smith fez de longe o melhor show de rock do festival: política, velha loca, simpática, voz aos 60 anos que deixa Karen O e seus berros no chinelo. E a mão fechada? Quem tem o coração vermelho teve orgasmos epiléticos, VIVA A INTERNACIONAL!
Jade Augusto Gola :: Dom., 29/10/06 - 01h18
Dia 2 - A Batalha
A entrada pro festival é uma zona, vans de shuffle da produção do evento cruzando a entrada da Marina da Glória com táxis, ambulantes e fluxo de festival para 10 mil pessoas.
Nas filas, sinalização confusa e amontoações: guichê para retirada de webticket escondido, muita gente com tinha ingresso de Daft Punk ou TIM Lab ficando na fila de compra de ingresso pro TIM Village sem saber... Seguranças mais perdidos ainda e pouca gente da produção por perto.
E o TIM Village/Motomix, quase ninguém percebeu, era aquele corredor logo depois da entrada. As atrações foram colocadas num palco no meio da tenda-corredor da entrada da Marina. Rolou muito a discussão: desavaloriza a apresentação dos artistas, antes colocados no alto do Main Stage?
A área nova facilitou o aperto mas até que ficou interessante a muvuca próxima do DJ. E a inserção comercial da Motorola era gritante, mas celular que é bom, ninguém me dá um!
Agora já são 21h43 de sábado, segunda noite, credencial na mão e certeza que as coisas serão menos confusas. É o que a gente espera, lutando contra o mal-humor, que passa rapidinho com a vista da Baía de Guanabara entre o bar no meio do TIM Stage e do TIM Lab.
Quero chegar cedo pra ver o Bonde do Rolê. Por mais que seja um funkão meio De Falla, TIM carioca sem pancadão não tem graça.
Jade Augusto Gola :: Sáb., 28/10/06 - 21h44
Ratoeira clubber
Expressão pesada né? Mas o after da Moo, lá num casarão/teatro no Botafogo tava o portal do inferno.
Gui Boratto live, 3 Skol por 10 pila e rotatividade máxima no banheiro aka "Camarim".
Do caralho, haja Açaí pra tentar pegar praia no sábado de dia.
Jade Augusto Gola :: Sáb., 28/10/06 - 09h32
I AM SOUTH AMERICA!
E eu que, confesso, achei que teria que trazer minha papete pra assistir o show do Devendra Banhart, me surpreendi.
Neo-Folk? Que nada, blues e country cantado por uma versão 2000 de Lou Reed, magro, andrógino e de sombra no olho. A banda de duas guitarras, baixo e bateria parecia ter saído da terra dos Hobbits, mas fez o show mais interessante do TIM Lab de hoje, que teve ainda a cantora hip Céu e a dupla world-music Amadou & Mariam, que não sei de onde são (a internet "rápida" da sala de imprensa não me deixou pesquisar e tenho pouco tempo aqui nessa lan), talvez de uma ilha portuguesa ou de algum país que fala africandêr.
E jogavam rosas pra Devendra, lírios para o backing-vocal... Foi tudo muito "liiindo". Covers de Lauryn Hill (foi ótimo!), e claro, de Caetano. "I'm South America!". Me senti em 1977, sem medo de ser feliz.
Caetano claro que estava lá, pulando feliz, pedindo bis com pulos no piso de madeira quando o show acabou. Ficou mais feliz ainda e fugiu pela pista dançando o reggae que saiu do retorno da banda, fugindo dos afagos e perguntas de fãs e jornalistas na pista.
Jade Augusto Gola :: Sáb., 28/10/06 - 06h52
Habib!
E o tal DJ Shantel - um cara sei lá, da Moldávia? -, tocando umas músicas folclóricas turcas, árabes, georgianas? Figurão, ficava agitando o belly-dance na pista, só faltou ter dançarino vestido de sheik ou camponês do Azerbaijão.
Ninguém entendeu nada, mas todo mundo caiu no Habib!, geral ainda passada com o Daft Punk.
Maurício Valladares é um DJ carioca, fotógrafo de bandas pop-rock brasileiras dos anos 80 que fez um set de pós-punk, rock e flashback depois do Shantel. Michael Jackson, Interpol, Hot Chip, Jackson Five, etc, etc.
Jade Augusto Gola :: Sáb., 28/10/06 - 04h12
Cromoterapia
Haja retina pra ver Daft Punk hein. Em lugar fechado aquilo gera energia e luminosidade suficiente para abastecer uma cidade do quê? 20 mil habitantes?
É o mesmo live de toda a turnê mundial da dupla. Do que eu ouvi na Bélgica em agosto acho que a única diferença é "Da Funk" no final, lá foi "One More Time" bem antí-climax: eles cortavam o momento "bomba meu povo!" do refrão ONE MORE TIMEEEE...
Mais do que um "live", é um show com começo, meio e fim, com narrativa. o final com imagens de seres humanos piscando na pirâmide é bem "Human After All", o conceito dos caras. É O final feliz que não tem no Electroma, o filme existencialista e suicida dos caras.
Tem uma parte no meio, não lembro direito o set list, toca "Face to Face" (também não sei se a música chama assim mesmo), que o telão de LEDs vira uma manta de estrelas, um house piano soft master! Aquilo é o paraíso regado a champagne, prestem atenção.
Tem hora que pesa e fica muito aquele riff de "Robot Rock" que incomoda um pouco, assim como a falta de linearidade na ordem de música deles, mas é do caralho. Tem que ver antes de morrer.
E com piso de madeira, coisa que não vai ter em SP, é OUTRA HISTÓRIA! Enjoy, com o coração e os olhos bem abertos.
Jade Augusto Gola :: Sáb., 28/10/06 - 04h00
E o Tim Festival começou...
Com uma hora de atraso. E o Daft Punk é realmente tudo aquilo que eu já vi em fotologs, youtubes, google videos; tudo aquilo que já ouvi em apresentações baixadas na internet, gravados em festivais do verão europeu.
Claro que é um espetáculo em se tratando de visual. A pirâmide é incrível. A iluminação é afiadíssima. Mas a impressão que eu tive é de que tudo é muito engessado, muito "a mesma coisa sempre". Sabe quando você sai de um show com a idéia de que tudo foi muito frio, impessoal demais?
Tá certo que gosto é igual **, e talvez este seja um relato de alguém que bebeu de menos porque as filas dos bares estão imensas, e por isso ficou de mau humor.
Igor Lopes
Experiencia audio-visual subliminar!
E o grave que tava na apresentação deles no RJ?
CARALHO!!! To feliz ate agora!
Vai assistir o Caetano então!