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Love Parade 2006 - Fotos por Jade Gola
18.07.06 11:45
Love Parade 2006 - Fotos por Jade Gola
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Depois de três anos, o amor volta a Berlim em grande estilo
Love Parade supera as expectativas e é sucesso. Números variam de 500 mil a 1,2 milhão de pessoas
17.07.06 17:50
Uma semana depois da Copa do Mundo, Berlim foi palco do maior carnaval clubber do planeta, a Love Parade, de volta depois de duas edições canceladas. E o êxito da nova LP, agora organizada com os euros de patrocinadores privados, se deu pelo superlativo dos números e de fatores mais abstratos, como o sábado fresco com sol entre nuvens, um clima de festa latente e a boa estrutura da cidade.

Segundo os organizadores, 1,2 milhões de pessoas se jogaram na rotatória da Siegessäule e na Straße 17 des Juni, que corta o símbolo vitorioso dos prussianos, ascendentes dos alemães. Já a polícia baixou as estimativas para 500 mil pessoas. Dados discrepantes de lado, a impressão realmente era de um bloco inerte de um milhão de pessoas, que ou acompanhava os 2,6km de ida e volta de percurso dos caminhões, ou permanecia na rotatória esperando que os floats musicais passassem em sua frente. Uma verdadeira feira internacional da eletrônica: 39 carros, 230 acts e DJs de 17 países.

Tinha até DJ de 13 anos, um tal de "Sascha the Raveboy", que tocava sabe lá Deus o quê. E lá é bem assim, quase impossível de seguir algum roteiro musical, de achar um caminhão com aquele DJ que você ia ver. Razão pela qual os jornais cobrem o evento como um acontecimento da cidade, não um fato cultural do já animado roteiro musical berlinense. O melhor era ficar na rotatória e ver a caravana passar. Prog de Ibiza, minimal chileno, techouse letão (destaque para o back to back Marius Ivanoff e Mindaugelis), Tiesto, techno de Cingapura, Paul Van Dyk, drum'n'bass pouco presente mas intenso nos spins de DJs londrinos e muito, muito trance alemão. Nada de psy e muito hit. Mylo (ainda) é rei, ATB, Zombie Nation. Dava até para rotular de farofada, mas os microfones dividiam a Siegessäule em norte, sul, leste, oeste e bradavam: "In the west, please welcome to Andy Caldwell, from Pulse Radio, Australia", e lá vinha a manada, mudando o som completamente.

Destaque para o caminhão da turma alemã do Mediengruppe Telekommander, com o grupo de techno click homônimo, a dupla Gebrüder Teichmann e o Deichkind, agradável surpresa. Quarteto que bebe na fonte do hip hop e ragga tech germânico, o Deichkind vem da mesma raiz que brotou o Modeselektor e era um dos poucos floats que arrastavam o povo ao redor da estátua, principalmente com a extended version de quase 8, 9 minutos de "Remmidemmi (Yippie Yippie Yeah)", o hit deles. Será que a Ellen Allien tem o demo deles? Nem precisa, eles já tem estrutura suficiente e muitas datas em festivais por aí.

HOMENAGEM

Deu seis da tarde. O sol surgiu no meio do céu nublado e brindou o início dos sets no live stage da Siegessäule. A abertura foi uma homenagem a Markus Löffel, o Jam do Jam & Spoon, falecido em janeiro desse ano aos precoces 39 anos. Mark Spoon tocou as bases de "Be Angeled" e Rea Garvey cantou a música de 2001 ao vivo, um chiclete que definitivamente não é o melhor registro dos pioneiros do trance alemão, orgulho da "cena" nacional e expoente máximo da LP. "Angeeel, can you see the suuunshine?", grudou no ouvido até a ressaca de domingo. Custava tocar "Stella"?

Em seguida veio Miss Yetti, ok. Techno meio industrial, mal-humorado. Algumas atropeladas, mas tudo bem, cada DJ tocava só por 30 minutos. Depois na sequência teve Lucca e Murphy, até parecia rave em Campinas. Lucca é "DJéia" da República Tcheca com spinning tão pesado quanto o pessoal da Kraft. Murphy foi na mesma onda só que rasgou o vinil, scratch pouco é bobagem. (Na correria para tirar uma foto, descobri que havia andado 25 minutos para chegar no palco oposto a que ele tocava. E de lá fomos até o fim, só ouvindo o que rolava.)

O tacape baixou com Drum Connection, Anja Schneider e Tiefschwarz, até virar goteira e riff gordo com a conexão Santiago-Berlim de Ricardo Villalobos e Luciano. Um sunset mais rebolativo abriu espaço para o prog de BPM eufórico do Tiesto. Depois, Paul Van Dyk lembrou que a Alemanha tem mais classe do que a Holanda no quesito "levantar a mão do público", e Westbam encerrou com uma espécie de Grind do techno. Hits, viradas desconcertadas e pouca coerência, mas divertido. Nenhum mega hino de louvor ao amor, à paz, à união entre os povos e à alegria da metafísica do ser humano, nada disso. Apenas a locutora, bastante animada, dizendo "Good bye, see you in Berlin in 2007!"

PROGNÓSTICOS?

Difícil saber se realmente haverá outra Love Parade em 2007, mas o resultado foi satisfatório, principalmente pelo fomento financeiro de 2 milhões de euros de três patrocinadores: a academia McFit, a (horrível e diurética) cerveja Bit Passion e o iLove, um site de relacionamentos. Apesar do "sucesso", os patrocinadores deixaram a decisão de uma nova LP para outubro. De 1,2 milhões de pessoas, os números oficiais da polícia ficaram em 3431 atendimentos médicos no local e 556 em hospitais, principalmente por bebedeira e excesso de drogas, além de 41 prisões, motivadas por brigas e pequenos dealers que enriqueciam nos gramados do Tiergarten, o parque em volta da Siegessäule. Números e estrutura suficientemente positivos para patrocinadores, reviews e cálculos de risco da prefeitura de Berlim. See you in 2007!

Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
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