Sónar 2006 mantém cacife de mostrar o que há de melhor na música
Esqueça o lado experimental; festival barceloneta é poderoso por reunir os principais artistas da temporada
23.06.06 11:30
Nem japoneses nem negões. Quem se destacou mesmo no Sónar deste ano foi a música eletrônica pura e crua, em suas diferentes formas e variações. A décima terceira edição do festival de música "avançada" espanhol, com uma ou outra exceção, reuniu os principais DJs e músicos do momento. Com estrutura monstro e visibilidade idem, o Sónar é o festival que abre o verão europeu, onde todos os músicos se preparam e querem estar, onde o business rola solto e os contatos são feitos. Natural então que, mais do que brilhar os olhos do público com elaborações experimentais e criativas, o festival catalão seja um lançador de tendências anual e um espaço áureo de consagração buscado por qualquer artista.
Foram 3 dias que movimentaram dezenas de milhares de pessoas por Barcelona, aquecendo a economia local: era mais fácil você achar flyer de festa do que quarto de hotel. Programações artísticas paralelas e festas off-Sónar bombando pela cidade, além do calor úmido e pegajoso, ajudaram a cidade catalã a se tornar um centro de baldeação europeu por um fim de semana. Para um viajante de estréia, é difícil sacar quem é barceloneta no meio de tanto francês, inglês, hippies, artistas, suíços, músicos, promoters, empresários, italianos, japoneses, alemães, clubbers, nórdicos, gays, punks e um ou outro brasileiro.
Como nem tudo é maravilha, tem muito xabú. Na Fira Gran Via, o Anhembi Hi-Tech do Sónar by Night, sinalização quase zero. Dois galpões que parecem de montadora de automóvel, dois espaços abertos - um com carrinho de bate-bate, mas nenhuma placa indicando SónarPub, SónarPark ou SónarBanheiro.. Mapinhas não eram distribuídos com ingressos e credenciais então a busca por informação era tão grande quanto a busca por cigarros, droga cara e preciosa para muito maconheiro europeu, que paga caro num maço e ainda divide seu baseado com tabaco. Fez muita gente perder vinte minutos preciosos de lives de 45 minutos, como do Isolée por exemplo. Melhor acreditar que economizaram nesse quesito para bancar o line-up generoso.
Outra coisa: sabemos da vista grossa com drogas na Europa, mas revista zero para um festival com 50 mil pessoas ou mais é um pouco perigoso. O dia que algum doido explodir uma festa, vai ser a maior crise clubber da história. Desorganizações no credenciamento e no espaço do Sónar Dia, feito num Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona rodeado por ruas em obras, também incomodaram.
Mas o que importa é música, e nisso o Sónar interpretou seu papel com maestria. Com a idéia da desconstrução e a temática músical mini-max nipnica vs black music, foi difícil achar algum destaque absoluto. Princípios da música negra, a musica torcida, o groove e o sample foram princípios norteadores do Sónar em geral. Distorção, crossover, chame do que você quiser, mas a ordem foi mexer nas camadas musicais até algo novo acontecer. E como era verão na Europa, o bombator disparado estava valendo, com muito loop sentimentalóide e música esticada até o sujeito com cara de gringo ao lado explodir com a mão pra cima, às 8 da manhã.
Satoshi Tomie, Modeselektor, Goldfrapp, Isolée, The MFA, Hawtin vs Villalobos, DJ Shadow e Diplo vs A-Track foram algumas das atrações de destaque na opinião deste repórter que vos fala. Confira um review do que foi possível ver e entender do festival.
Cobertura em texto: Jade Gola
Cobertura em vídeo: Felipe Dall'Anese
basta procurar.
abraco