Os independentes vão atrás da força do público para viabilizar seus projetos.
O conceito de crowdfunding já se provou viável para o universo musical independente no Brasil. Crowdfunding, ou financiamento por conta do público, é algo novo que vem ganhando espaço no país há pouco mais de dois anos. A ideia é que pessoas com bons projetos podem disponibilizá-los ao público, que pode literalmente comprar ou não a ideia. Existem plataformas como o
catarse.me e o
movere.me que servem de vitrine para esses projetos, que vão do mais trivial aos mais complexos.
No Brasil, o exemplo de maior sucesso de todas as modalidades de projetos é sem dúvida o
Queremos, que acontece no Rio de Janeiro. O Queremos funciona de forma um pouco diferente. É centralizado e os projetos são propostos pelo grupo de produtores que viabiliza os diferentes shows com o financiamento do público. O Queremos já levantou o suficiente para realizar 20 shows na capital carioca (incluindo artistas de grosso calibre como LCD Soundsystem e Primal Scream), contrariando a noção de que o mercado independente do Rio não teria capacidade para absorver muitos desses shows e investimentos. O próximo show na agulha é do Foster The People, que os cariocas já garantiram e vão assistir no dia 4 de abril.
O crowdfunding é uma grande saída para bandas que querem evitar modelos centralizados e desejam se manter independentes. O Autoramas, que já goza de um público fiel, embarcou no mundo do crowdfunding e conseguiu financiar toda a gravação do seu último disco,
Música Crocante, através do site
Embolacha (focado exclusivamente em projetos musicais).
Tatá Aeroplano, vocalista do Jumbo Elektro, e nome forte da cena independente paulistana também está no Embolacha para financiar o restante da
produção do seu primeiro disco. A situação para ele, contudo, está bem apertada, com apenas 4 dias faltando para o final do período de arrecadação e apenas 19% da verba arrecadada.
O
Copacabana Club, que lançou seu LP de estreia no ano passado por conta própria, está entrando no crowdfunding pra financiar a primeira turnê pela Inglaterra. Os Copas, que já deram suas bandas pelo mundo se apresentando no Sxsw e em várias cidades americanas, têm agora 6 shows marcados no mês de maio ao redor de Londres, em lugares hypados como o Boiler Room e o Hoxton Square Bar & Kitchen. Segundo a vocalista do grupo Caca V., os cachês "quase simbólicos" oferecidos pelas casas de show londrinas tornavam impossível que a banda viajasse para os shows. A alternativa encontrada foi contar com a ajuda dos fãs.
O Copacabana Club entrou na onda crowdfunding para financiar sua primeira turnê londrina.

Em troca do esforço do público, a banda oferece diversos tipos de recompensas, de acordo com o investimento, que vão desde eco-bags e fotos autografadas até drinks festivos com a banda no camarim de algum show próximo ao ganhador. A banda de Curitiba tem duas semanas para levantar o valor de R$ 6.000 para viabilizar a turnê. Até o momento, a banda tem aproximadamente 25% do valor. Para os fãs, é a chance de fazer a banda se afirmar ainda mais e garantir sua existência por um período maior. Quem quiser saber mais sobre a turnê e quiser contribuir com a vaquinha,
pode se informar aqui.
A viabilidade desse tipo de projeto só depende do público e surge como alternativa forte em um mundo onde as grandes gravadoras se tornam cada vez menos importantes como elemento central, ao mesmo tempo que se tornam mais e mais receosas de investir em projetos musicais, ponderando sobre a improbabilidade do retorno do investimento. E assim segue a semi-utopia da música independente.