Filme será lançado no dia 27 de abril em 250 salas pelo Brasil.
Ontem foi divulgado o primeiro trailer do filme
"Paraísos Artificiais". O filme é a próxima empreitada de dois talentos da produção cinematográfica brasileira. Marcos Prado, que ganhou reconhecimento com o excelente e premiado Estamira, assina a direção da película. José Padilha assume o papel de produtor, depois de dirigir os grandes sucessos Tropa de Elite 1 e 2. O filme será lançado no dia 27 de abril em mais de 250 salas pelo Brasil. "Paraísos Artificiais" retrata um assunto recente e muito controverso: a explosão da cena rave/psytrance pelo país em meados dos anos 2000.
O filme deve seguir o mesmo esquema blockbuster da franquia Tropa de Elite. Alguns dos profissionais que trabalharam nos filmes de José Padilha estão envolvidos no projeto, como Lula Carvalho (diretor de fotografia e câmera), Claudia Kopke (figurinista) e Cláudio Amaral Peixoto (diretor de arte). O filme foi rodado em Amsterdã, Rio de Janeiro e Pernambuco e remonta cenas de festivais ao redor do mundo com cenas com mais de 1,5 mil figurantes.
Segundo Fátima Toledo, que cuidou pra preparação dos atores de "Paraísos Artificiais", o filme não é moralista nem faz apologias ao retratar de forma explicita temas como o desmedido consumo de drogas alucinógenas, o envolvimento da classe média alta com atividades ilegais e o comportamento dos frequentadores de raves. O diretor Marcos Prado fez uma incurssão ao mundo das festas trance, visitou os maiores festivais ao redor do mundo, como Burning Man e Universo Paralello, e entrevistou policiais, traficantes e frequentadores das festas. O resultado deve ser observado de perto. Se a ótica que José Padilha imprimiu em Tropa de Elite serve como base, o resultado final pode não ser tão ausente e neutro como se possa imaginar. A estratégia da polêmica pode render muitas capas de revista e divulgação gratuita.
De fato, o assunto merece uma análise profunda, e se "Paraísos Artificiais" não fizer esta análise, pelo menos ajudará a desmistificar um pouco o assunto. A explosão do psytrance nos anos 2000 foi um fenômeno exclusivamente brasileiro. Em nenhum outro lugar do mundo esse tipo de música foi explorada de tantas formas e atingiu tantas pessoas. A partir desse momento, uma quantidade enorme de pessoas foi exposta a cultura eletrônica, e o impacto dessa manifestação foi tamanho que respingou na cultura popular de forma inédita. Isso sem contar o impacto cultural e psicológico em toda uma geração, difícil de ser medido de forma precisa. É interessante também ver como o cinema brasileiro começa a se mover de forma mais ágil e retratar a realidade mais imediata.
Essa cena estrangulou e tomou o espaço das outras cenas, gerou uma nova geracao de fans movidos a musculos, peitos e bundas... E a musica em si não aportou em nada para a evolução da cultura eletronica no Brasil.