Com passagem pelo finado projeto Pocahaunted Stallones esteve ligado ao selo Not Not Fun e faz música introspectiva e hipnótica com um mosaico de influências que pode ter de Alice Coltrane à Pharoah Sanders. Junto isso à elementos étnicos e guitarras, que ele molda em camadas sobrepostas de eco e efeitos dub.
"O Sun Araw é o carro chefe da nova música psicodélica norte-americana. E acho que ele diz muito sobre essa nova geração de 20 e poucos anos, é muito articulado, empreendedor, dono de gravadora e de diversos projetos paralelos, um cara que parece estar em vários lugares ao mesmo tempo. Não consigo esperar outra coisa de sua apresentação a não ser uma profunda distorção do espaço-tempo", adianta Chico Dub, curador do festival que acontece entre os dias 05 e 11/12 somente no Rio de Janeiro. Leia mais sobre o Novas Frequências aqui.
Stallones também é um dos mais ativos criadores de sua geração, com quatro discos lançados nos últimos dois anos. O mais recente é o elogiado Ancient Romans.
rraurl: Você acha que sua música cabe em uma categoria "experimental"?
Cameron Stallone: Eu sempre penso no que estou fazendo como algo "experimental" mas acho que meus interesses em groove e soul music acabam me jogando para mais perto disso. Mas 'experiencial' funciona perfeitamente: o processo de fazer música pra mim é muito introspectivo, uma viagem interna. Então eu penso nisso como algo que pode ter um efeito nas pessoas, que cria uma experiência.
Como é sua apresentação ao vivo?
Tocar na frente do público é sempre uma questão de tradução. Todas as gravações são feitas por mim, sempre sozinho, em casa. O show tem uma banda interpretando esse ambiente. Então nós recriamos alguns ritmos no espírito da música, experimentando com os elementos essenciais. Sempre tentando alguma surpresa no palco, porque isso torna a experiência mais interessante pra nós - e pro público também, espero.
Você tem um novo projeto, Where's Yr Child, influenciado principalmente por acid house antiga. Conte mais.
O Where's Yr Child é uma espécie de coletivo ocasional, envolve um club e a criação de remixes. Nada formal, mas uma oportunidade de tocar discos o mais alto possível. Eu fiquei mais interessado em house music do fim dos 80 e começo dos anos 90. Não é um gênero musical que eu tenha explorado antes e há material transcendental para descobrir. Eu estou muito interessado na habilidade de transformar uma noite de dança numa viagem para dentro do eu e há muita música que nos empurra para o extase e o espiritual. Procuramos mixes celestiais. A paixão e sabedoria de uma faixa como "Open Your Eyes" do Marshall Jefferson me inspira muito [ouça aqui]. Não sei se essa influência chega até o Sun Araw. "Impluvium" no Ancient Roman é uma tentativa de faixa dançante, mas nem disso eu tenho muita certeza.
Sua música desafia qualquer tipo de classificação. Mas o mesmo vale para vários projetos e artistas hoje. Essa dificuldade de rótular pode ser uma dificuldade para alcançar novo público?
Eu nunca estou muito preocupado com alcançar o público. Eu estou apenas fazendo o que me interessa no momento. Eu não sou esperto ou talentoso o suficiente para calcular esse tipo de coisa.
Você é um produtor bastante prolífico - quatro álbuns nos últimos dois anos.Como funciona?
Eu apenas gosto muito de trabalhar com música. É minha atividade preferida. Quando não estou trabalhando fico ansioso.