Partys Over Earth será lançado no dia 7 de novembro, pela Turbo Recordings.
Em 2007, o mundo da música eletrônica começava a regurgitar o idealismo sintético minimal. E como em todo momento da história de qualquer movimento artístico (sim, vamos chamar o minimal de movimento artístico, dá licença?!), uma corrente contrária começou a preencher todo aquele amplo espectro sonoro com o máximo de frequências possíveis e imagináveis. A esse movimento artístico que se seguiu, convencionou-se chamar de maximal.
Neste mesmo 2007, um single despretensioso foi um dos símbolos dessa indignação com os simplórios bleeps do minimal alemão. Dois caras com muita história se juntaram sob a alcunha ZZT e produziram "Lower States of Consciousness", um petardo que virou clássico instantaneamente. A dupla seguiu na busca de criar a faixa mais intensa possível e em 2008 lançaram "The Worm", outra faixa extrema e que também entrou para os cases dos maiores bangers do mundo. Com apenas dois lançamentos, o ZZT escreveu dois dos mais importantes capítulos da música maximalista. Aproveitamento 100%.
A dupla em questão é formada por ninguém menos que o canadense
Tiga e o alemão Zombie Nation. Assim fica fácil de entender o "faro de gol" do ZZT. Os dois nomes dispensam maiores introduções. Tiga é uma das figuras mais irreverentes e criativas da música eletrônica mundial e, por si só, tem hits o suficiente para preencher um set de 2 horas só com músicas próprias e levar qualquer pista à baixo (quem esteve em seu último dj set no D-Edge pode atestar).
Florian Senfter, o homem por trás do
Zombie Nation, também tem uma história marcada por hits e produção consistente. Além do mega-hit mundial "Kernkraft 4000", que ilustrou comercial de cerveja, intervalo de Superbowl e gincana dominical do Gugu, o Zombie Nation tem uma discografia muito interessante. Seu disco
Zombielicious, lançado em 2009, é uma pérola, com produção riquíssima, cheia de detalhes sintetizados e faixas inspiradíssimas.
Tiga e Zombie Nation: apenas 3 singles lançados como ZZT e reputação lendária.

Ok. Os dois integrantes do ZZT tem credenciais o suficiente para ficarmos excitados com o disco de estreia, a ser lançado no dia 7 de novembro pela
Turbo Recordings. Mas porque o ZZT se destaca no meio da avalanche de produtores barulhentos que surgiram depois de 2007? A resposta para essa pergunta está justamente na pergunta. A diferença é que Tiga e Zombie Nation entenderam algo que muitos produtores que entraram na vibe maximal não. Intensidade é diferente de barulho. As faixas do ZZT são barulhentas sim, mas nunca ao ponto de se tornarem irritantes. São construções simples: caixa, bumbo, um prato, e sintetizadores que se esgoelam no espaço livre... sem exageiros. A intensidade não vem de uma distorção exageirada, mas sim da habilidade em focar certos elementos e explorar ao máximo as possibilidades de cada um deles. Soma-se a isso o gigante feeling de pista de Tiga e a habilidade em tirar sons exquisitos de máquinas analógicas de Florian, e temos um conjunto de habilidades muito singular no mundo da música eletrônica atual.
O primeiro single do disco
Partys Over Earth já pode ser ouvido e exemplifica tudo isso dito acima. "Vulcan Alarm" é um exercício de tensão constante, um rugido filtrado que está prestes a eclodir, mas é freado pelas hábeis mãos da dupla, criando uma sensação claustrofóbica e quente. O próprio Tiga descreve o disco no site da Turbo como "combat funk pós-apocalíptico", o tipo de música para tocar dentro de shopping centers abandonados por ravers mutantes em cidades subtropiais devastadas. A festa acabou, Terra. Dá pra ficar mais ansioso que isso?