Cobertura Sonár 2011
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Cobertura Sonár 2011
Leia sobre a 18º edição do mais concorrido festival da Espanha
20.06.11 18:55
Sonár Hall

O festival multimídia que é considerado um grande incitadores de novas tendências chegou a sua 18ª edição neste último final de semana (16 a 18 de junho) na capital da Catalúnia, Barcelona.

O foco do Sónar é apresentar ou introduzir novidades a seu público, seja através de arte, cinema, música ou tecnologia e há quase 10 anos o Sónar também tem exportado, além da cultura catalã, uma curadoria artística das melhores para metrópoles como Tóquio, Nova York, Frankfurt, Buenos Aires e Seul e, em 2012, esta bomba cultural pretende atingir a cidade de São Paulo - o que nos deixa ainda mais ansiosos pra saber o que rolou nesta última edição. É um festival de experimentação, cujas tendas e atrações chegam a ser mais distintas do que o som que propriamente fazem.

O tema deste ano foi pertinente à situação em que países europeus como a Espanha, principalmente, se inserem: "Festival de renome internacional à venda", interpretado como "em tempos de crise, vende-se música eletrônica". Porém não deixa de ser irônico que um festival majoritariamente conceitual faça o trocadilho com a situação em que a música eletrônica se resume nos tempos atuais, talvez a mais comercial de toda sua história. Mas teorias a parte, vale dizer que de vendido o Sónar 2011 não teve nada, pelo contrário: desde o público até a escolha das atrações e dos palcos em que se apresentariam foram notórios e autênticos.

Steve Reich
Steve Reich



O início do festival foi marcado pela apresentação de um dos precursores do minimalismo, o compositor americano Steve Reich, ao lado de uma orquestra, denotando a importância com que a curadoria encara o estilo que tanto influenciou a música eletrônica nos últimos anos. Porém não foi somente o minimalismo que imperou nas pistas. Muita retromania encontrou lugar em meio ao experimentalismo, mesclando-se com o pop de maneira quase surreal, coroando dois grandes expoentes: o techno e o dubstep. Dividido em Sónar Dia e Sónar Noite o festival contava com duas áreas, cada uma por sua vez repartida em 4 palcos principais.

A respeito do Sónar Dia, vale dizer que, além do fórum de novos equipamentos para a discotecagem e produção, foi muito bem organizada e visitada a exposição de arte OFFFmática - que nesta edição tomou lugar da SonarMática - cujo intuito foi incitar os participantes a enxergarem-se com os olhos da tecnologia, realizada no Sonár Hall, onde apresentaram-se nomes como Apparat, Ghostpoet, Actress e o impressionante live de Nicolas Jaar.

Nicolas Jaar
Nicolas Jaar



O Sónar Dia, como de costume, deu lugar a sons mais experimentais no SónarComplex e SónarVillage, o palco principal. Neste, sons como o techno melódico do francês Agoria, o trip-hop pós-dubstep do FourTet e o hip-hop de Yelawolf eram mesclados a artistas locais e bandas étnicas que apresentavam algo simplesmente pitoresco, porém apreciado pelos europeus em geral - ainda mais sob o céu azul e clima impecável de Barcelona. Enquanto isso na tenda SonarDôme, o dubstep e electro imperavam com destaque para Katy B - estrela pop do reino Unido que se apresentou duas vezes no mesmo dia -, a americana Star Eyes, além de Tiger & Woods e Discodeine.

Katy B
Katy B



Durante a noite o clima era um pouco diferente. O Sónar Noite aconteceu somente na sexta e no sábado atraindo milhares de pessoas afim de dançar, não experimentar, em seus quatro grandes palcos. O clima era semelhante ao de festivais como Skol Beats, sendo praticamente impossível ver todas as atrações que você quer, a não ser que tenha pique pra um cooper noturno. No mainstage, o SónarClub, destacaram-se as apresentações ao vivo do The Human League, dos alemães do Boyz Noize que apostaram num novo sistema visual e o "revival" clubber do Underworld. M.I.A. atrasou por quase 20 minutos e não se esforçou muito, deixando o trabalho para sua backing vocal. O espaço com capacidade para 30.000 pessoas apostou no dubstep no sábado, colocando quatro headliners, porém o estilo foi confiado mesmo ao Sónar Lab por conta da BBC Radio 1 na sexta e da label Numbers no sábado. Neste palco tocou também a francesa Yelle e a banda australiana Cut Copy que, apesar de ter se apresentado em um festival conhecido por ser experimental, não confiou muito nas músicas do novo álbum.

Cut Copy
Cut Copy



No SónarCar, onde foi montada a pista de carrinhos de bate-bate e a praça de alimentação, o palco era um parque de diversões e o techno deitou e rolou. Foi a pista destinada a labels independentes e apresentou artistas como Egyptrixx e Henry Saiz. Finalmente, no SónarPub, quarta e última pista a céu aberto, os destaques foram Paul Karlkbrenner, o soul de Janelle Monáe, o mix étnico de Die Antwoord e o grupo inglês Dizzie Rascal.

Além das atrações deve ser destacada a organização impecável do festival, que soube dividir os grandes artistas em palcos e horários proporcionais e antecipou quais seriam as mais visitadas para controlar o fluxo de pessoas. Um exemplo foi a apresentação do Apparat com entrada monitorada, pois o espaço onde a acústica era melhor (SónarHall) não comportaria o número de pessoas que gostariam de ver o live. Além da atenção ao fluxo de pessoas, os responsáveis artísticos propositalmente colocaram nomes bem distintos na rota dos participantes, proporcionando uma maior interação com diferentes estilos e ritmos.

Fourtet
Fourtet



Acima de tudo, a cidade de Barcelona é o maior parabenizado por receber esta grande manifestação cultural oferecendo uma rede integrada de transportes, segurança e grandes espaços culturais a serviço do público. Afinal o Sónar é acima de tudo um festival de cultura urbana, e São Paulo, além da chance de recebê-lo, terá uma grande responsabilidade para cumprir sendo sua anfitriã no próximo ano. Expectativas não são poucas.

Apparat
Apparat



Bruna Calegari
Bruna Calegari
Just banging tunes in Dj sets on dirty dancefloors.
comentários
8 comentários
TATI GLAM
TATI GLAM(28.06.11)
1AprovadoQueima
A variedade musical foi OTEMA, pena q pecaram pelo olho gordo....uma muvuca nórdica, insuportável se deslocar seja de dia ou à noite, toillet então nem se fale...Sonar never more!!!! Prefiro os pequenos e bons shows, + íntimos e cheios de emoção!
Arditti
Arditti(25.06.11)
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bruna, entendo, mas justamente a título de importância, o aoki foi muito melhor que o dizzie. e o trentemolller, que tocou antes, tb.

vlw.
Bruna Calegari
Bruna Calegari(22.06.11)
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hm, se eu tivesse comentado algo péssimo sobre o aoki e dito maravilhas sobre a apresentação do dizzie, tudo bem dizer que foi tendencioso, mas foi só citado a título de importância explicando como as pistas eram miscigenadas. gostaria de ter tido tempo, energia e mais espaço pra falar de quem eu realmente gostei ou não, mas o intuito do texto obviamente não é este - mas dar uma geral no evento em si.

kaks
kaks(22.06.11)
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desculpa aí, mas destacar steve aoki num festival com essas atrações é que não faria sentido nenhum na minha opinião. menos ainda depois de ver o vídeo postado, com conteúdo musical fraco e apelo do tipo "jogar pra galera". quando vou a um festival de MÚSICA, quero ser convencido pela música, não pela interpretação TEATRAL.
Arditti
Arditti(22.06.11)
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Caros, vocês não entenderam meu ponto e estão se pegando no óbvio. Vejam o review da Lalai, por exemplo, ela não cita destaques de pista a pista, ela cita destaques do que ela viu.

No texto acima, escrito como está, parece que o Dizzie, por exemplo, foi melhor que o Aoki, que nem citado foi. Mas obviamente ela não viu o Aoki logo depois do Dizzie (que lotou a pista 2 vezes mais, tocando pra umas 10, 12 mil pessoas).

Qto a não achar que o Aoki merecia tanto destaque, ele nem citado foi e, pode escrever, ele já é um dos maiores do mundo e mal começou a brincar ainda, o que ele faz, pouquíssimos outros fazem: http://www.youtube.com/watch?v=i8K-mrgUyek

Off-topic - três datas do Aoki por vir pelo Brasil em setembro, Rock In Rio, Porto Alegre e uma surpresa em SP.

Abs