Indie hip-hop: aberração possível?
Odd Future: a tag mais frequente do mundo da música em 2011?
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Indie hip-hop: aberração possível?
17.05.11 09:40
Parece que o mundo chegou a conclusão de que o Odd Future é a bola da vez. Tyler The Creator, cabeça do grupo e que já disse em entrevistas que seu grande "alvo" é o galático Kanye West, e tem uma boca frenética o suficiente para xingar você, sua mãe e toda sua árvore genealógica antes de você conseguir decidir se o grupo vale o quanto pesa. Para quem não conhece, o Odd Future Wolf Gang Kill Them All é um coletivo de rappers e produtores de Los Angeles, com idades que não passam dos 24 anos. O grupo produz batidas secas e esqueléticas, que servem de cama dura para rimas desconfortáveis e claustrofóbicas. Já até se chamou o som do Odd Future de horrorcore, mas o espírito do Odd Future é irônico demais para isso. Como bons céticos que somos, logo nos perguntamos: mas tem música pra segurar todo esse falatório?



De La Soul: o perfume das flores. Odd Future: o cheiro de sangue.
De La Soul: o perfume das flores. Odd Future: o cheiro de sangue.
Paradoxo: enquanto o indie se torna cada vez mais mainstream, como uma pancada de grupos de hip hop se posiciona de forma independente e mantém relevância enquanto manifestação cultural? A Tribe Called Quest, Arrested Development, De la Soul, entre outros, fizeram essa mesma pergunta no início dos anos 90. Esse movimento de valorização do hip hop tinha postura progressiva e mente aberta.

Os grupos falavam de uma quebra radical com o rap egocêntrico focado no MC e admitiam uma mentalidade de grupo, inclusiva e que abraçava formatos e musicalidade diferenciadas. Renegavam a postura fanfarrona e até mesmo a indumentária dos rappers mais antigos (nada de pisante maneiro). Mais importante, posicionavam o hip hop novamente como movimento cultural de emancipação da comunidade negra, frente a massificação da cultura branca nos Estados Unidos. Tudo com uma graça e elegância invejáveis. Basta só ouvir o primeiro disco do A Tribe Called Quest, People's Instinctive Travels and the Pathways of Rythym (tks) para entender o quanto a sonoridade dos caras se mantém atual e extremamente fresca.

De certa forma, um coletivo como o Odd Future tem algumas similaridades com esse movimento hip hop acontecido no começo dos anos 90. A postura irônica, o discurso do aparente descompromisso com o estrelado e a vontade de subverter são algumas das semelhanças. Mas acaba por aí. O grupo as vezes esbarra no humor meio cozido, over-stoned. Enquanto humoristas, tyler the creator e o resto dos integrantes do Odd Future ainda precisam de muito mais consistência de produção. O som do grupo por horas é confuso e sem foco. Sem contar que Tyler muitas vezes se perde em rimas ocas sobre corpos caindo em pedaços e outras imagens sangrentas e estereotipadas do já ultrapassado gangsta rap. E isso não combina com a imagem juvenil e franzina dos seus integrantes. Não engolimos essa não, seu Tyler. Em resumo: falta música para justificar o hype.



Tyler The Creator e a gangue Odd Future em momento de comédia nonsense.


Desbravando as fronteiras Indie

Mas não é só com Odd Future que a coluna indie do hip hop se move pra frente. Kid Cudi, Whiz Khalifa, Das Racist, Blu e Soulja Boy apelam a uma parcela diferente do público do rap mainstream americano, enquanto do outro lado do Atlântico Teophilus London, The Streets e Dizzee Rascal levantam a bandeira de um hip hop em comunicação constante com outros estilos independentes, de forma mais concisa. Isso sem contar o Grime inglês, de gente como Tinnie Tempah e Roll Deep Crew e intimamente ligado com o wobbly dubstep, ou o zef-rap esquisitão do Die Antwoord, cheio de referências a cultura africana e que até já participou de apresentação do Aphex Twin.

No Brasil, gente como Criolo Doido, Emicida, Rincón Sapiência e Projeto Manada, entre tantos outros, trabalham com produções cada vez menos ortodoxas e se aventuram em movimentos que flertam com o afrobeat, o hip hop abstrato e o funk, além, é claro, de uma boa dose de música brasileira. "Existia o termo nova escola, mas acontece que a nova escola ficou velha…(risos) e acho que esta denominação se perdeu também. O termo indie também não funciona. O maior grupo de rap no Brasil é independente, já que o Racionais distribue sua música pelo selo próprio.", relembra o beatmaker e mc do Projeto Manada Oga Mendonça.



Talvez um termo mais adequado seja alternativo. "Alternativo, porque as temáticas das rimas são diferentes dos raps mais convencionais. Quando não é o tema, a forma é diferente e o estilo da produção dos beats também. Uma outra característica comum ao rap alternativo é o maior uso de metáforas, e a citação de elementos da cultura hip hop.", finaliza Oga com propriedade do alto dos seus 10 anos de cena. E parece que a consciência de que apenas narrar os episódios violentos da "vida loka" do backstage da vida dos mcs já não é tão efetivo como manifestação cultural. Nisso, o hip hop nacional sai do ghetto e invade o metiê indie. A rima fácil e certeira de Emicida foi fazer sucesso no deserto de Indio. Em São Paulo, principalmente, isso fica cada vez mais claro. Cada vez mais festas de hip hop disputam espaço com noitadas indie, e em muitas vezes, seus públicos até coexistem. Bom pra todo mundo? Ainda tem gente torcendo o nariz...

Desbravando as fronteiras indie.



Enquanto alguns independentes ao redor do mundo buscam encontrar novos caminhos para o Hip Hop, a linha de frente "comercial" do gênero acaba atingindo o público indie de forma mais certeira. No maior indie-ncontro do mundo, o festival californiano Coachella, Kanye West figurou como headliner absoluto, desfilando as superproduções de My Beautiful Dark Twisted Fantasy (que aliás foi posto num pedestal inatingível em 2010 pelo codex indie Pitchfork). O próprio tem consciência de sua penetração junto a esse público, e talvez todas as indicações de bandas indies em seu blog e o convite para um músico como Bon Iver para participar de seu último disco sejam um reflexo disso. O mundo indie vem fazendo um curva ascendente que encosta cada vez mais no mainstream, e vamos combinar que de mainstream os grandes produtores de hip hop americanos entendem UM POUQUINHO.

Talvez seja por isso que o Odd Future tenha adotado essa postura ruidosa. A confusão como tática de guerrilha, o adesivo de "Parental Advisory Explicit Lyrics" como insígnia de resistência. Mas o grupo se apresentou no mesmo Coachella de Kanye West e vive uma ansiedade (que virou até parodia) de em breve assinar um contrato com uma grande gravadora. Tyler the Creator já tem contrato com a XL recordings, que é casa de gente como Beck e Radiohead. Vamos ver até onde vai todo o "swagger" do indie hip hop em 2011.



Thiago Freitas
Thiago Freitas
everybody love everybody
comentários
7 comentários
Mario
Mario(30.05.11)
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ahahah nada a ver manoo, olha só com o que vc ta comparando!! são contextos totalmente diferentes!!! ninguém ta querendo saber se o tyler é melhor que o q-tip!!

se nao bastasse criticar o que nao entende, nem sabe o que esta falando... (2)
Thiago Freitas
Thiago Freitas(22.05.11)
@jaja vc tem razão, ficou no lugar errado e prontamente corrigido. o que seria do rraurl sem nossos sempre atentos leitores? valeu pelo toque =)
jaja tha killa
jaja tha killa(22.05.11)
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hahahahaha, meu checa seus sources, o Das Racist do outro lado do Atlantico? os caras sao de Brooklyn!!! hahahahahahaha pqp - se nao bastasse criticar o que nao entende, nem sabe o que esta falando...
gui xavier
gui xavier(21.05.11)
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hmmm...

Tá.
pul
pul(19.05.11)
0AprovadoQueima
Cara
Puro saudosismo
O "hype" se justifica apenas pela diversão e liberdade
O Tyler mija na rua e os jornalistas da Fader escrevem sobre
Pra que música se tem uma publicidade perfeita e gratutita como essa?
Se lançarão algo coeso pra vc, só o tempo vai dizer
Se vão desaparecer rapidamente, || || || || || || ||
O que vc prefere grindcore ou Tom Jobim?