Entrevista: Marky
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Entrevista: Marky
07.02.11 23:20
A lenda do drum'n'bass brasileiro (e, na nossa opinião, um dos grandes DJs em atividade no mundo hoje), Marky, falou essa semana por email com o Jonty Skruff sobre seu último CD, para a série FabricLive.

Começando pela compilação da Fabric: nos últimos anos o mercado de compilações entrou em colapso, com praticamente todos os DJs lançando mixtapes e podcasts direto para o público via internet. Isso teve alguma influência quando você começou a pensar no FabricLive 55?

Eu tenho que dizer que nada disso mudou a forma como eu vejo as compilações. No fim do dia, se eu tivesse levado isso em conta o disco provavelmente não aconteceria. eu pensei na compilação como uma forma de me conectar com as pessoas e com a intenção de fazer algo melhor do que você vai encontrar no Soundcloud ou no Mixcloud. Se os Djs começarem a ter uma atitude do tipo "não vale mais a pena porque tem conteúdo gratuito em qualquer lugar" ninguém mais teria emprego.

Você remixou o Deadmau5 ano passado - que foi um enorme sucesso pela EMI. Quão importante é o marketing atuamente?

É muito importante. Todas as grandes marcas precisam encontrar uma forma de se relacionar com seus consumidores. Uma forma de fazer isso é por meio de artistas que tenha grande alcance. Se você conseguir falar com quem você precisa alcançar, você está bem.

Seu verbete na Wikipedia diz que quando você começou a tocar "o público pequeno quase o fez desistir"...

Eu acho que todo o DJ tem que tocar para pouca gente e é o tipo de experiência que te define. Ou você vai em frente ou você desiste. Eu decidi ir em frente. Já toquei para pistas com vinte pessoas em clubs grandes. Pode ser bem chato. Mas aí você pode estar tocando em um club lotado na semana seguinte. A chave, eu acho, é fazer o melhor com a oportunidade que você tem e dar às pessoas algo sobre o que falar.

E como você se sustentava?

Eu tinha um emprego. Eu trabalhava de dia e tocava de noite, que é o padrão entre DJs que estão começando. Você tem que pagar contas e quando está começando e o dinheiro é pouco e esporádico. Mas também foi bom, porque eu sei apreciar todas as coisas boas que vieram depois, eu sei o valor que elas têm.

Você foi o primeiro DJ brasileiro a ter status de superstar. Existe muita pressão?

Sim, com certeza. Mas eu não diria que foi tanta assim. Eu tive a sorte de ter um bom time ao meu lado, em Londres e em São Paulo, então eu sempre tive com quem discutir essas coisas e receber alguma direção. Sem um bom agente para te ajudar a entender o que está acontecendo e qual caminho seguir tudo fica mais difícil. A pressão ainda existe, é claro, ainda mais por que no drum'n'bass novos artistas surgem todos os dias. Mas eu sinto que a pressão vem de mim mesmo. Eu amo o que faço e quero continuar fazendo, então eu sigo batalhando para não perder meu espaço.

O drum'n'bass ficou grande durante os anos noventa e então retraiu para uma audiência menor e mais comprometida. Quando você acha que a cena teve seu auge?

Eu acho que foi quando o gênero começou a se reinventar. É quando você acaba encontrando milhares de subgêneros com variações sutis. A base é sempre a mesma. Quando "LK" saiu, "Shake Your Body" do Shy FX, eu acho que isso trouxe um monte de gente que não ouvia drum'n'bass normalmente. Então a cena literalmente explodiu e de repente era a coisa legal do momento. Mas é como se alguém tivesse que trazer uma nova "LK" ou uma nova "Shake Your Body" toda a semana para manter a coisa acontecendo e isso, é óbvio, não acontece.

Desde então nós estamos vendo a coisa acontecera cada par de anos, com gente como o Pendulum sendo o exemplo mais recente. Eles criaram um crossover que ainda não tinha acontecido, meio rock. Então quem gosta de rock de repente está ouvindo drum'n'bass, mas no meio do hype todo você tem o drum'n'bass de sempre.

Quando você começou você era constantemente ligado ao Patife: quando vocês tomaram direções diferentes?

Nós tivemos algumas diferenças de opinião sobre como tocar que acho que nos separaram aos olhos do público. Por exemplo, o Patife sempre foi um cara do samba, ele adorava usar samples de música brasileira. Quando ele tocava seus sets eram mais direcionados para os amantes de música no meio do público do que para a pista de dança. Ele usava melodias incríveis e mixagem perfeita, é claro.

Eu sempre me concentrei em fazer a pista de dança se mexer. Não estou falando de tocar sujo ou pesado, mas aquele gênero que faz as pessoas levantarem. Nós estávamos fazendo basicamente a mesma coisa, mas para públicos diferentes. Eu tenho um respeito enorme pelo Patife e por tudo que ele fez.

Você respondeu "não, obrigado" para a Big Shot Magazine quando eles perguntaram se você estava tocando dubstep em seus sets: você não gosta do gênero? Por quê?

É estranho. Ele tem um tempo estranho que não combina com dançar, pelo menos o tipo de dança que eu estou acostumado. Eu acho que soa como se fosse um drum'n'bass muito lento sem nenhuma musicalidade. Eu preferia aumentar o tempo e transformar isso em drum'n'bass ou hip hop.

Algum conselho para quem quiser seguir seus passos?

Trabalhe, trabalhe, trabalhe. Não espere que ninguém faça acontecer por você. Não consigo te dizer quantas pessoas eu conheço que acham que por que a Lily Allen ganhou um contrato via MySpace isso é tudo que deve ser feito. Você tem que aparecer e fazer seu nome. Comece tocando pelo circuito de clubs próximo a você, crie suas próprias músicas e se espalhe tanto quanto possível. Se você for bom o suficiente e tiver ambição, vai acontecer. Mas não fique em casa esperando algo acontecer e se perguntando por que não acontece. É uma questão de participação.

tradução: Gaía Passarelli

Jonty Skrufff
Jonty Skrufff
comentários
10 comentários
Mestre!
Só uma ressalva quanto à popularidade do drum'n'bass. De fato, deu-se um boom enorme do gênero, mas apesar disso, há quem aprecie o bom e velho drum tendo outros estilos musicais muito diversificados...eu posso falar por mim mesma, que sou uma roqueira "inveterada" e no entanto amo drum'n' bass da mesma forma! Sendo que na minha cidade não há uma cultura forte deste gênero.
Uma pena, já que acredito que haja uma série de fãs assim como eu, aqui em Santa Catarina!
Fica aí um apelo aos organizadores para que tragam pra Floripa esse tipo de som !
o/
Carlinhos
Carlinhos (11.02.11)
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@Raul: valeu!
Raul Cornejo
Raul Cornejo(11.02.11)
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Sim e não, ele já usa Serato há um bom tempo e inclusive é patrocinado pela marca.
Carlinhos
Carlinhos (10.02.11)
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Ele continua tocando com vinil?
Franklin Costa
Franklin Costa(10.02.11)
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No pain, no gain. Muito boa a entrevista, 2Xrespect