O porta-voz do festival sérvio
Exit Festival, Rajko Bozic, falou essa semana conosco sobre suas perspectivas para a edição deste ano. Ele contou que o festival continua a almejar público estrangeiro, apesar de nos últimos anos ter recebido a visita de mais de 10 mil britânicos, lotando a Fortaleza Petrovaradin, local do evento.
"É uma preocupação que o excesso de pessoas possa arruinar nosso espírito especial balcã? Não, claro que não, por que deveria ser?" riu Rajko. "Ninguém pergunta aos prefeitos de Londres ou Paris se eles estão preocupados com os turistas destruindo o espírito de suas cidades; somos tão resistentes e abertos à visitantes quanto você," disse. "A multidão que atraímos tem realmente se desenvolvido em uma mistura perfeita - metade do público é sérvio e metade é de fora. O Exit se transformou em um festival sérvio internacional.
Os temas politicos deste ano ainda não foram divulgados ("de uma forma ou de outra vamos lidar com a crise econômica que nossa sociedade está enfrentando agora," disse Rajko), embora ele prometeu que os organizadores estão fazendo o possível para manter os custos baixos e prover a melhor experiência possível.
"As pessoas no Reino Unido estão obviamente afetadas pela crise financeira, por isso estamos nos esforçando ainda mais para que a vinda delas valha a pena e estamos usando a mesma abordagem com o público sérvio, já que também estamos atingindo o pico da crise aqui," continuou. "As pessoas querem vir, mas não é fácil. Então estamos tentando facilitar as coisas. Sabemos que elas percebem o nosso esforço e apreciam isso."
Ele também disse que as autoridades estão aumentando seu apoio, com algumas excessões notáveis. "A quantidade de apoio que recebemos varia de instituição para instituição e de um escalão de governo para o outro. As autoridades locais aqui em Novi Sad são de longe as que mais apoiam, temos um ótimo acordo de cooperação com eles há anos e um pouco menos das autoridades estatais e federais."
"A Sérvia ainda é um país em transição - ainda existem algumas pessoas no poder que não querem que o sistema funcione bem porque isso pode prejudicar seus interesses. Mas isso está melhorando. Não tão rápido quanto gostaríamos, mas ainda sim..."
O line-up desse ano inclui Arcade Fire e DJ sets de Tiga e James Zabiela mais um headliner excepcional:
Portishead.
"Estamos particularmente animados com a participação do Portishead, eles tem uma ligação especial com nosso público muitos dos quais cresceram nos anos 90," disse Rajko. "Temos certeza que sua apresentação será um momento inesquecível na Fortaleza este ano."
Ele também ressaltou que continuam com um foco pesado no programa de dance music no palco principal, com apresentações de dubstep, d'n'b, breakbeat e hip-hop após as duas da manhã todas as noites junto ao já usual menu de música eletrônica que embala a arena normalmente lotada.
"A dance music continua sendo vitalmente importante para o Exit, é um dos elementos que torna nosso festival único," disse. "Sempre apresentamos música ao vivo e dance music em igual importância e nossa Arena Dance é uma das maiores e melhores do mundo. Eu diria que somos um festival para as geraçnoes que não percebem a música tão dividida quanto ela costumava ser. Tentamos oferecer ao nosso público experiências que eles não tiveram a oportunidade de vivenciar em nenhum outro lugar, o que não é fácil e requer muita ponderação."
"A Arena Dance tem capacidade para 25 mil pessoas então você não pode ser muito esotérico, precisamos de DJs comunicativos e que tenham habilidade de movimentar a multidão. Tendo dito, estamos tentando ser mais do que apenas um evento de dance. Tivemos David Guetta tocando no ano passado, mas tivemos Crystal Castles também. Não olhamos para a cena dance como comercialmente errada - estamos apenas tentando oferecer ao público algo incomum - é isso que a experência de um festival deve ser."
tradução: Mariana Rezende