"Algumas vezes eu sinto como se precisasse me desculpar, porque é complicado sair a noite e ter que ouvir dois DJs ruins tocando uma barulheira indistinta só porque eles acham que é isso que a molecada quer ouvir"
22.09.10 13:35
O cara mais poderoso da indústria musical francesa da última década, Pedro "Busy P" Winter, começou sua carreira como um adolescente obcecado por skate e com uma rápida passagem pela escola de Direito - antes de abandonar tudo para se dedicar aos negócios do Daftk Punk e, como ele diz, "festejar".
Imediatamente após assumir seu posto de manager, Winter conseguiu transformar o duo eletrônico parisiense em um grupo influente e de sucesso comercial - momento em que o Daft Punk caiu nas graças do mercado internacional, em 1999, com Discovery, seu segundo álbum. Quatro anos depois, entretanto, cansado de "DJs superstars que só lançam música de merda", Pedro resolveu voltar suas atenções para sua própria gravadora, a Ed Banger Records. O resto é história.
Mesmo demorando bem mais do que o Daft Punk para decolar, a gravadora começou a atrair atenção já em no segundo lançamento, um remix espantosamente contagiante de electro-house da faixa "Never Be Alone", assinado pelo então desconhecido duo Justice (a faixa original é da banda Simian, que depois daria origem ao Simian Mobile Disco).
O remix do Justice havia sido licenciado oficialmente pela Gigolo Records, do DJ Hell, então selo mais importante da Europa, em 2004 e alcançou enorme sucesso nos clubs de electroclash. Mas o Justice, que teve até uma discreta passagem pelo Brasil na época, só ficou conhecido com o lançamento do EP "Waters Of Nazareth", em 2005, pela Ed Banger. Bem-sucedidos em apostarem em uma sonoridade contagiante, glitch, calcado no electro e em batidas quebradas, o duo praticamente reescreveu as regras da dance music, rapidamente inspirando um sem número de grupos e consolidando a fama de Pedro como um visionário de novos talentos.
"Estamos fazendo a distorção ser musical", afirmou Pedro em uma entrevista para o The Guardian sobre a Ed Banger, acrescentando ainda que "estamos fazendo o noise ser contagiante, dançante".
Três anos depois, com o Justice (que foi o primeiro nome no Radar do rraurl, em meados de 2007) tendo alcançado o mesmo posto de superstar que era do Daft Punk, Pedro consolidou seu nome como DJ (sob a alcunha de Busy P). Mas ele ainda é ambivalente em relação ao electro distorcido e maximal pelo qual é mais conhecido: "algumas vezes eu sinto como se precisasse me desculpar, porque é complicado sair a noite e ter que ouvir dois DJs ruins tocando uma barulheira indistinta só porque eles acham que é isso que a molecada quer ouvir".
Um apaixonado pelo papel do DJ ("claro que precisamos agradar ao público, mas ao mesmo tempo temos a responsabilidade de expandir o horizonte musical das pessoas"), Winter admite que atualmente está cada vez mais interessado em dubstep, além da disco-house que sua gravadora tem promovido de maneira crescente no último ano. "Nos últimos seis meses, estivemos tocando cada vez mais house, especialmente DJ Mehdi e eu", afirmou.
"Com a Ed Banger, nós criamos a 'disco barulhenta', esse conceito de disco com uma pegada mais hooligan, digamos. Não estou me gabando disso, porque a questão é que, ao mesmo tempo que estou muito orgulhoso de tudo isso, tenho consciência de que a vida é um grande livro e chegou a hora de seguir para o segundo capítulo".
"Precisamos oferecer às pessoas algo diferente. Se os DJs querem tocar Justice por cinco horas ininterruptas, fico triste por eles, triste pelos DJs que terão que tocar com eles e triste pela molecada que é meio que levada a pular por cinco horas ouvindo sempre a mesma coisa", reclamou.
'Estou cheio de ouvir as pessoas falarem que a Ed Banger é só para crianças que gostam de disco distorcida. Eu sou um apaixonado por música eletrônica, e esse amor inclui tanto músicas mais festeiras, calcadas no electro, quanto sons mais minimal e techno".
Questões de gênero a parte, ele permanece focado em sua carreira como DJ e preocupado com seus negócios na Ed Banger, áreas que ele considera ainda como projetos em andamento e constante evolução. "Tenho problemas em responder essa questão de se eu sou ou não bem sucedido, porque acho que ainda é cedo para saber", explicou ele.
"Tudo é julgado com muita pressa atualmente. Então vamos ver o que acontece. Eu sinto que a Ed Banger está dando certo, e que estou contribuindo de maneira positiva para a indústria musical. Mas vamos ver o que acontece em dez anos. Talvez até lá ninguém mais se lembre da Ed Banger", disse ele, sorrindo.
Além de ser o cabeça da Ed Banger e viajar pelo mundo todo como DJ, você também é o manager de Cassius, Cosmo Vitelli e outros artistas. Sendo tão ocupado, como você define suas prioridades?
Pedro Winter: Esta é uma pergunta difícil de responder, porque na hora que eu te explicar isso vou acabar com toda a magia. As pessoas pensam que eu sou um cara doido para controlar cada coisinha ou um gênio do marketing, mas eu não sinto nada disso. Para ser honesto, eu não planejo nada com antecedência, e é por isso que acho que as coisas dão certo. Por sorte, as coisas estão caminhando depressa na direção que sempre sonhei.
Certamente não planejei que um dia eu seria parte do mundo dos DJs atuais: nunca me imaginei tocando com gente como 2Many DJs e Laurent Garnier, e que algum dia meu nome apareceria ao lado deles em flyers de festas. Mas é isso que está acontecendo hoje. Eu sonho muito com essas coisas, mas me recuso a controlar. Hoje a Ed Banger tem sete anos, e quando comecei jamais pensei que conseguiria chegar tão longe. Eu até poderia sonhar que a Ed Banger fosse ficar grande, mas hoje eu percebo que nós somos mais do que um selo de música eletrônica, e sim um estilo de vida.
Normalmente, quando uma banda fica famosa, ela é inundada de trabalho de tal forma que passa a ficar bitolada 24 horas por dia. E agora você deve estar com a mesma sensação, com um monte de gente cobrando coisas da gravadora, da sua agenda como DJ...
É claro, sempre temos muitas solicitações, mas o dia tem só 24 horas e a semana tem sete dias. É natural que não haja tempo para fazer tudo. Então eu não me preocupo tanto com isso, não fico planejando, deixo rolar. Na verdade estou tendo que dizer não para vários projetos porque fisicamente sei que não vou dar conta. Acho que se eu pudesse discotecar todo bendito dia eu ia querer, mas por sorte meu corpo não aguenta e me ajuda a dizer não.
Além disso, o tempo naturalmente nos ensina a selecionar os projetos e aprender a dizer não para coisas que não nos interessam. Por exemplo: diversas companhias de vodca estão me ligando agora falando que querem promover uma turnê da Ed Banger, e eu acho que não existe propósito para fazermos isso. Iria envolver uma série de clubs grandes na França, e eu realmente não quero fazer. Mesmo que as pessoas hoje pensem na Ed Banger como uma gravadora mainstream, eu não acho que isso seja verdade, nós ainda somos independentes e estamos tentando investir em música nova e experimental. E espero que estejamos conseguindo atingir esse objetivo, como quando colocamos no mercado as músicas de Squarepusher.
Quais características você busca em um artista para chamá-lo para a Ed Banger? Fiquei um pouco surpreso quando você assinou com Squarepusher.
A resposta está na sua pergunta - você ficou surpreso. Quando as pessoas ouviram a faixa pela primeira vez, elas disseram: 'mas isso não é uma faixa de pista', ao que eu respondi que sim. O primeiro lançamento da Ed Banger nem era uma música de pista, e sim uma faixa instrumental ("Mr Flash's Radar Rider"). Sete anos depois, estou seguindo o mesmo princípio, de lançar músicas que amo, e só. Posso soltar várias faixas dance e ao mesmo tempo lançar algo como Squarepusher: tudo gira em torno da questão de ser livre.
Mas também não é uma questão de lançar apenas com o intuito de surpreender, quero fazer isso de uma maneira diferente: as músicas precisam entrar na vibe da Ed Banger. Estou frequentemente em contato com Squarepusher agora e ele está realmente feliz em trabalhar conosco. Ele é um cara da Warp, e eu acho que essa pequena aventura que ele está tendo conosco vai levar a música dele a um público diferente.
Sempre tive a ambição de colaborar com a Warp, e acho que a perspectiva deles com o Squarepusher era exatamente a de levar sua música para públicos diferentes. Quando conversei com eles, também me disseram que eles estavam fartos de todo mundo pensar que a Warp só faz techno inteligente ou electro inteligente, e que o que eles queriam mesmo era apenas lançar música boa. Ou seja, exatamente o que eu penso.
Você largou a escola de Direito depois de apenas três meses quando você tinha 20 anos. Como foi isso, e como a sua família reagiu?
Por sorte, eles levaram na boa. Meus pais trabalharam na imprensa francesa, e minha mãe trabalhava na maior estação de rádio do país. Sempre estive rodeado de pessoas da indústria do entretenimento, e quando era moleque ia muito em shows com minha mãe e achava o máximo. Então quando disse a ela que ia desistir do Direito para me dedicar à música, ela me apoiou. Fico muito feliz de saber que meus pais sempre me apoiaram e aceditaram em mim. Quinze anos depois estou muito orgulhoso do que conquistei.
Olhando de fora, sua carreira parece ter sido sempre bem sucedida e estável. Você já sofreu grandes crises de identidade, problemas de confiança...?
Não, porque na verdade sou um cara que cultuo muito a paciência, e sempre insisto na importância dela. Ainda mais hoje em dia. Tenho 35 anos e cresci em um mundo que experimentou grandes mudanças tecnológicas. Comecei minha carreira quando o estilo dos anos 80 ainda era a norma, ou seja, gastar rios de dinheiro e assinar contratos multimilionários com gravadoras. Mas daí tudo mudou e as pessoas começaram a ter a oportunidade de gravar seus álbuns em casa e vender duas ou três mil cópias.
Ao testemunhar tais mudanças e perceber como a internet permitiu que a música chegue a todos os lugares, percebi com muita força a importância da paciência. Vai com calma, na boa, sem apressar as coisas. É engraçado fazer uma análise de um mundo essencialmente rápido pela ótica da calma, mas é isso que no fim vai salvar todos nós.
Pessoalmente, não estou com pressa. A Ed Banger tem sete anos. Quando olho para grandes gravadoras, como Warp (que tem 20 anos) e Playhouse (que tem entre 10 e 15), vejo que estou rodeado de pessoas mais velhas fazendo música que amo. Somos uma gravadora pequena, então ainda podemos cometer erros e nos divertir muito.
O chefe da Parlophone, Miles Leonard, disse recentemente que seus principais artistas estão faturando sua renda majoritária por meio de merchadising e licenciamento de faixas para emissoras de TV. Isso também acontece na Ed Banger?
Claro. E é por isso que criamos a marca Cool Cats. É o canal pelo qual fazemos o merchandising de todos os nosso artistas. Muitas pessoas estavam pedindo por isso, querendo camisetas do Justice e da minha persona, Busy P, então é uma maneira de nos divertirmos e ainda assim atender a uma demanda. É também uma boa maneira de criar todo um esquema de divulgação do nosso trabalho. De um lado temos a grana que vem do marketing, e de outro temos os aspectos criativos do nosso trabalho, da nossa arte: é exatamente isso que quero fazer com a Ed Banger. Eu sou o cabeça de uma gravadora, mas não estou fazendo isso só pelo dinheiro, e sim porque é divertido, seja na hora de escolher um cara pra fazer um remix ou produzir um vídeo. Criar todo um evento: isso sim é algo excitante!
Você ainda está trabalhando com o Daft Punk?
Não, saí em 2008. Foi uma decisão natural. Quando a Ed Banger ficou um pouco maior, eu simplesmente não dava conta de fazer as duas coisas. Percebi isso quando lançamos o álbum ao vivo do Daft Punk. Eu teria que ir em um encontro com a Virgin Records, mas na mesma época eu estava em estúdio com o Justice. Não dava para conciliar.
cara a maioria das pessoas escuta um dj mandando um set farofa pupero com uma ou outra track da edbanger mais bombada e acha q é isso...
ed banger pra mim e uma das melhores labels, investe muito nas sonoridades difer5entes , experimentais... e nao é d hj com o ep do squarepusher .. basta escutar os discos do oizo, kavynsky, mr flash, feadz, mike moonlight entre outros para ver q eles sao bem variados e investem no diferente - pra mim alguns dos classicos dos ultimos anos vieram dessa label !
maximal cansa.
ed banger pra mim e uma das melhores labels, investe muito nas sonoridades difer5entes , experimentais... e nao é d hj com o ep do squarepusher .. basta escutar os discos do oizo, kavynsky, mr flash, feadz, mike moonlight entre outros para ver q eles sao bem variados e investem no diferente - pra mim alguns dos classicos dos ultimos anos vieram dessa label !