O executivo-chefe da EMI, Miles Leonard, falou ao Skrufff-e esta semana sobre a nova estratégia da gravadora de assinar contratos "globais", fechados com artistas como Deadmau5 e a Swedish House Mafia, que garantem aos executivos uma parte sobre os lucros de turnê, merchandising e propaganda. De acordo com Leonard, as vendas não são mais a preocupação principal das grandes gravadoras.
"Não podemos depender apenas da venda de CDs e de downloads digitais para sobreviver. Para conseguir seguir em frente, é preciso ser uma companhia equilibrada e completa", disse Miles.
"Fazendo isso, significa que é necessário abrir portas para assinar artistas que são bem sucedidos mas não necessariamente focam seus negócios em álbuns. Os álbuns podem ser apenas um condutor que leva as pessoas para os shows, então nesse casos os CDs não vendem muito. Mas se os shows lotarem, pode ser que queiramos investir nos negócios desta pessoa", afirmou.
Após entrar para a Virgin como um caça talentos em 1992, Miles trouxe o The Verve para o catálogo da EMI como sua primeira contratação antes de ser demitido sem cerimônias em um clássico jogo de poder na gravadora. Quando retornou à EMI pela Parlaphone em 1993 como parte da equipe de A&R, trouxe para o elenco da gravadora artistas como The Beta Band e Eric Prydz, para logo depois consolidar sua reputação ao transformar Coldplay e Kylie Minogue em artistas pop multimilionários.
17 anos depois, permanece no topo da hierarquia da EMI como o diretor da Parlophone, cuidando do merchandising, do licenciamento de faixas para comerciais e da associação das bandas com grandes marcas e de acordos globais, que envolvem todos os aspectos das carreiras dos grupos e dos DJs do elenco da gravadora.
"O The Swedish House Mafia assinou o contrato com a EMI por meio da Virgin e segue esse esquema 360 graus - nós não investimos neles como produtores ou músicos de estúdio, e sim como uma companhia. É todo o conjunto que nos importa, é a visão de negócios", disse Miles.
"Então nós estamos diretamente envolvidos em tudo que eles fazem, desde os shows pelo mundo até a residência deles na Pacha em Ibiza: absolutamente tudo. É um acordo global no qual investimos neles", afirmou.
"E é exatamente esse o acordo que está sendo assinado com Deadmau5 pela Virgin. Nosso contrato com ele prevê muito mais do que direitos a respeito de seus álbuns, e sim em relação a seu negócio como um todo", explicou Miles.
Miles também afirmou que a EMI assinou com a cantora burlesca Immodesty Blaise mesmo que ela não tenha música alguma.
"Estamos investindo no show dela, e Blaise estará se apresentando, por exemplo, em eventos corporativos, em um ato que irá se transformar em um livro, um filme e outros projetos. Pensamos que seria algo interessante a se fazer para não restringir o contraro só à música", disse ele.
Essa declaração a respeito do potencial da dançarina e cantora está em harmonia com quem escreveu a biografia de seu site oficial, que fala sobre ela está se transformando em "um tesouro nacional com com clientes famosos como Dior, Cartier e Damine Hirst".
"Immodesty também é uma escritora aclamada", afirma o release, completando que "sua primeira novela,
Tease, é a sua primeira incursão pelo gênero 'bonkbuster' (uma corruptela para o termo relação sexual, indicando uma obra com teor pornográfico). A obra "ganhou cinco estrelas da crítica e é um bestseller", continua o release.
Miles Leonard estará presente como palestrante no
Amsterdam Dance Event em outubro.
tradução: Stephanie Gaspar