Vitória é uma cidade ensolarada e de belos poentes. Talvez seja por isso que a recente produção eletrônica da cidade venha sempre em tons avermelhados, trilhas sonoras para assistir o sol se escondendo no horizonte ou surgindo depois de noites agitadas.
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Joe Zee é um dos maiores expoentes desse synthpop veranil made in Vitória. Com uma incrível destreza na composição das faixas, a dupla cria melodias e texturas de extrema qualidade. A instrumentação feita inteiramente por Alex Cepile e Perez é muito rica e cuidadosa: linhas de baixo precisas galopam por uma trilha limpa de bateria, riffs de guitarra se entrelaçam a arpegios de sintetizadores, tudo numa velocidade constante de cruzeiro. Música para se ouvir no carro, com os dois vidros da frente abertos, indo de encontro ao horizonte.
A dupla está trabalhando pesado no lançamento de seu homônimo disco de estreia, que será lançado pelo selo capixaba
Smoke Island, e vem fazendo uma batelada de shows divulgando o novo trabalho. O disco será lançado neste sábado (21) no Teacher's Pub, em Vitória. No meio da correria, a dupla arrumou um tempinho para responder às nossas já costumeiras cinco perguntas:
Como começou o projeto? O que cada um fazia antes dele?LALALALLALALALA

Alex - Começou meio desprentensiosamente quando eu morava em São Paulo. O Perez me ligou dizendo que estava indo me ver para compormos algo juntos. Passamos um mês compondo as primeiras quatro faixas e acabamos ficando felizes com o resultado. Somos amigos há muito tempo e já vínhamos com a ideia de unir a parte eletrônica com instrumentos "tradicionais", como guitarra e baixo. Nosso background é o rock e suas diversificações e antes da eletrônica já tocávamos guitarra, bateria, etc. Venho de bandas seminais de Vitória como The Rain e zémaria e o Perez vem do The Summonig, Undertow, Nave, Dizzy Queen e também toca na banda de música "regional" Casaca.
Se vocês pudessem destacar um som que vem fazendo a cabeça de vocês e que tem influenciado nas músicas do Joe Zee qual seria?>
Alex: É muito difícil responder essa pergunta pois a influência externa pode vir de qualquer coisa e não só de música. Pode ser um filme, um livro ou mesmo ao virar uma esquina. Mas gostamos muito da new wave, shoegaze e o pós punk dos anos 80. Atualmente gosto muito de Ariel Pink, Toro y Moi, Tesla Boy, Neon Indian, The Radio Dept., Breakbot, entre outros.
Perez: Curto descobrir novos artistas no myspace e blogs. Tenho apreciado nomes como Memorie Cassete, Zwicker, Heidi Happy e Studio. Mas algumas coisas que tem saído aqui do selo smokeisland, como Trepax, Zémaria, Fuel e Wolf Mexican tem me excitado mais.
É dificil, eu sei... mas como vocês rotulariam o som do Joe Zee?
Alex: Realmente é complicado se auto-rotular, mas acredito que estejamos inseridos nessa área que mencionei, new wave, shoegaze, electro, rock e tal. Mas não nos prendemos a nada disso, até porque isso seria uma barreira artística. Rótulos são complicados porém necessários para as pessoas saberem em que nicho se situa determinado artista. E como gostamos de vários tipos de música e arte, damos vazão a isso com projetos paralelos. Temos os projetos CiaO! e Piscina Lounge Orchestra, onde liberamos o lado mais easylistening, folk e etc.
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Trepax - Should Go (Joe Zee Spatial Remix) (mp3)
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JoeZee - Digital infatuation (mp3)
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Ciao! - Shield (mp3)
Eu estava vendo algumas apresentações de vocês. Parece tudo muito dinâmico, com instrumentos tradicionais, laptops... como funciona isso? Como são as apresentações ao vivo?
Alex: Existem dois tipos de apresentação. Uma é comigo e o Perez rodando ableton live no laptop para as sequencias eletrônicas, synths (alguns virtuais, alguns físicos). Adicionamos guitarra e baixo, além dos vocais e vocoder por cima disso tudo. A outra é a que mais gostamos. É o "Joe Zee Full Band" com a adição do Giuliano de Landa (Monollito/Terceiro Paralelo) no baixo e o Bento Abreu (Solana) na bateria.
Um ponto que não tem como não falar é o fato de vocês estarem baseados em Vitória. Como isso influencia o jeito de vocês pensarem, o jeito de vocês comporem as músicas, tanto pro bem quanto pro mal?
Alex: Na verdade isso já foi mais importante. Acredito que hoje em dia com a disseminação de conteúdo na internet as coisas tendem a ser mais heterogêneas. É bom e ruim ao mesmo tempo, pois torna tudo mais parecido e as identidades culturais vão se perdendo. Isso faz parte da globalização e não há mais como ir na contra-mão. Mas morar em Vitória é bom pois a qualidade de vida é ótima!
Perez: Vitória é bem legal, serve como laboratório de várias ações que desenvolvemos no audio visual. Facilita também o fato de nos organizarmos artisticamente junto à cena que vem crescendo aqui, gerando uma espécie de tempestade de ideias com outros artistas do selo.