DJ paulistano de house e disco incrementa seu nome e repassa carreira de DJ, ele que também tem selo próprio e produz sob a alcunha 3AM
O rraurl tem noticiado bem a robusta cena house/disco/neo-disco nacional que, mais do que as várias festas, tem exibido a excelência de seus DJs, nomes relativamente novos que estão se dando muito bem na produção.
Um deles é o Pejota, que há pouco tempo começou a assinar como Pejota Fernandes para se diferenciar de um tal Pejota, DJ de funk carioca boladão que
bomba no YouTube.
PJ Fernandes é dono de um dos deepbeeps mais bacanas que já passaram pelo portal (a edição 27,
ouve aí), e também é dono do moniker 3AM para lançar suas produções cheias de groove, todas lançadas por seu selo próprio, Rainbow Socks (leia o
RADAR).
Bom DJ, acima de tudo, é por essa razão que ele abre o CASE para a gente agora e repassa sua carreira de DJ a limpo.
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3am - Dream (mp3)
Primeiro, a trajetória: quais foram seus primeiros contatos com a dance music no geral e como você começou a tocar? Como aprendeu a mixar e onde adquire suas faixas?Quando criança, com uns 4 anos de idade minha madrinha me "presenteou" com vários vinis que ela tinha em sua casa. Na realidade ela estava se desfazendo de tudo aquilo. No meio, coisas como Sly & The Family Stone, coletâneas Disco dos anos 70 e 80, ABBA, Stylistics, Michael Jackson... tinha muita coisa. Eu tinha acabado de ganhar uma vitrola portátil e escutava os discos todos os dias. Acho que a história iniciou por aí.
Depois, com uns 14 anos adorava escutar a antiga Metro FM e os sets do Julião, Mau Mau, Marky... Muito Jungle, Hardcore e House... bons tempos. Foi lá que eu escutei pela primeira vez o termo "Underground" e já tinha uma idéia de que aquelas músicas eram bem diferentes do que se tocava em outras rádios de dance music.
Na época muitos amigos de colégio não gostavam daquilo. Já rolava um preconceito. Falavam que era "som da periferia", mas era diversificado, mais elaborado, enfim, muito melhor. A internet não era difundida como hoje, então, para um adolescente acho que as rádios eram o principal canal para se abastecer de informação musical, então eu ouvia bastante rock e as "Undergrounds" da Metro. Lembro que ficava ansioso para chegar a noite e escutar aquilo tudo.
Depois, acabei comprando dois toca-discos belt drive e um mixer modesto para brincar em casa e o resto foi consequência e autodidatismo.
Esperei meu último ano de faculdade em 2003 para começar a frequentar a noite já com o objetivo de tocar. Nessa época gravei meu primeiro set que foi ao ar
aqui no RRAURL e logo depois, fui a convite do DJ Acácio Moura me apresentar como DJ pela primeira vez na festa B.E.C, da grife de roupas Slam.
Sobre minha pesquisa musical: Hoje é bem variada. Inclui blogs, lojas especializadas como a Juno e Phonica, Myspace, etc...
House ou disco? Por que?Disco. Sem ela não haveria house music, mas posso ficar com os dois?! :)
Quando a disco music pode ser muito chata? E a house music?Qualquer estilo musical pode ser chato ou incrível. Música é assim, como qualquer arte. Pra mim não tem melhor ou pior estilo. Tem musicas boas e ruins.
Qual são os DJs mais legais que você já viu tocar? E as grandes decepções?Os inesquecíveis: Laurent Garnier no Hotel Unique, a primeira apresentação do Mark Farina no D-Edge, Prins Thomas no Lov.e, Greg Wilson no D-Edge e, recentemente o Ashley Beedle no D-Edge também.
Já vi e ouvi muita coisa ruim também, mas não me lembro de nenhum absurdo, porém um recente que eu achei que iria ser bem melhor e não foi: Hugo Capablanca no D-Edge.
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3am - Grey Sky (mp3)
Que produtores e músicos foram influências para as suas produções?As influências são muitas. Basicamente tudo o que eu ouço: Herbie Hancock, Moroder, Bebu Silvetti, Herb Alpert, Quincy Jones, Lincoln Olivetti e também dos novos ... Mas a inspiração pode vir de qualquer música de qualquer tipo. Não me prendo, eu deixo fluir.
No seu deepbeep tem aquele edit CABULOSO do The Revenge para o Stevie Wonder, fale um pouco sobre ele. Cite outros edits que você gosta muito também.Esse edit é um bom exemplo de como eu acho que um edit deve ser: Poucas diferenças da versão original, porém dando um novo sentido para a música. Da letra, colocaram o essencial para quem está escutando em uma pista. Ficou certeiro para uma pista e bem atual, apesar de achar que ultimamente o The Revenge virou fórmula. Não me agrada muito mais as novas que eu ouço deles.
The Revenge - Night Flight (Stevie Wonder's "Love Light in Flight" edit)Sobre outros edits tem um selo holandes chamado Moxie que eu amo, praticamente todos os releases são bons. Destaco um release deles (Moxie 10) de um produtor chamado Chow Daddy. A música original vem de alguma banda brasileira ou cantor dos anos 80, provávelmente, mas nunca achei a origem, apesar de procurar bastante. O edit se chama "Batman". É um 80's funk com ótimo groove, vocoders e baixo absurdo.
O último edit que eu comprei e estou gostando muito é de um selo novo chamado Foot & Mouth, que tem mais ligação com meus sets atuais, bem noventista flertando com a acid house / chicago e com um vocal à la Jimmy Somerville.
Que tipo de som você tocava, mas não tocaria hoje em dia de jeito nenhum?Nossa! Pergunta complexa, porque hoje pode não me agradar, mas mais pra frente pode rolar um revival, como algumas que eu toco hoje e são de 2003 quando começei. O que NUN-CA vai rolar é música ruim, "vendida", com fórmulas e timbres sempre iguais.
Muitos DJs tem amigos que também são DJs, parceiros de festas. Existe algum tipo de concorrência "velada"? Como compartilhar e, ao mesmo tempo, manter em segredo uma faixa bacana, algo novo que se descobriu?A concorrência é um fato, porém precisa ser saudável. Se algum DJ ou mesmo alguém na festa vem me perguntar que música estou tocando faço questão de dizer com o maior prazer, afinal, um dos mais importantes objetivos do DJ é abastecer as pessoas de cultura, mostrar coisas que elas não conhecem. Não há coisa mais gratificante do que você sair do som e alguém vir falar contigo, querer se informar. É uma sensação de dever cumprido.
O que eu execro é alguém que toca nas mesmas festas e o mesmo som que você e vir pedir o nome de várias músicas. É aquela história de querer ser esperto, porém, DJ que não tem pesquisa não consegue evoluir.
Pejota (de óculos escuros) com os artistas da Universo em DJs, coletivo criado em 2007 que está em stand-by no momento

Quais os selos mais bacanas do momento? E se você pudesse reavivar um selo do passado, qual seria?Alguns ótimos: Under The Shade, Future Classic, Permanent Vacation, Lightspeed, Running Back, Tiny Sticks.
Gostaria muito que o recente finado Dissident voltasse e, dos antigos, um que gosto muito é o TK Disco.
Qual a maior ambição de sua carreira?Acho que já consegui coisas muito legais nesses poucos anos. Toquei com bons DJs daqui e de fora como Mark E e Prins Thomas. No meu pequeno selo, tive a oportunidade de lançar produtores que hoje estão super em alta pelo talento que tem, como o Victor A. (Rotciv), The Drone Lovers (projeto dos DJs Davis e Pedro Zopelar), o querido Hubert e o produtor Kid Who, de Londres.
Tive o Pink Monkey Flower com o Marcos Morcerf, que foi incrível. Uma experiência que nunca vou esquecer.
Se eu tenho uma ambição é para o futuro. Quando alguém procurar algo que me cite, no futuro, gostaria que viessem informações de alguém que fez seu trabalho com dedicação e respeito ao público e que, de alguma forma, contribuiu positivamente na cena de música de pista daqui.
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PEJOTA @ DIAMOND - GROOVES RAROSQuem quiser conferir Pejota ao vivo neste fim de semana, em São Paulo, pode ir até à festa Diamond - Grooves Raros, que está rolando no novo espaço Casa 92, em Pinheiros. O endereço é Rua Cristovão Gonçalves, 92, e Hubert e Márcio Vermelho são os DJs residentes. Telefone: (11) 3032-0371.
Agora é votar no menos pior ou tirar o passaporte pra holanda e faturar aquelas torcedoras da copa!
p.s.: eaii Cj Hall!? vc tava meio sumido daqui... na boa, gostava de seus comentarios... eram sempre um contraponto à minha ideologia... e acho saudável a diversidade... mas com tolerancia... e as eleiçoes? vai de serra e alckmin? rsrsrsrs...
Amigo de longa data, Dj de senso e técnica apuradíssimos, vanguarda pra kct e que fez melhor uso dos meus monitores do que eu! Sucesso man
P.s.: o Orn falou a maior verdade do Pejota: o cara tem uma relação honesta com a música como muito poucos Djs.