Dos fundos da loja homônima na Talbot Road, no oeste de Londres, nasceu um dos selos mais importantes da música contemporânea. O
Rough Trade surgiu em 1978 como um progressão lógica do espírito da loja, que já havia se tornado ponto de encontro de músicos de diversas orientações e que no fundo se assemelhavam pela busca de um espaço para a sua música.
O embrião do selo como o conhecemos hoje surgiu dessa atmosfera extremamente fértil. Já no início dos anos 80, o Rough Trade estabeleceu-se de vez com lançamentos importantes de bandas como Stiff Little Fingers, Pere Ubu, Cabaret Voltaire, The Fall e Smiths. Se hoje 'indie' é um gênero, é culpa da Rough Trade. Independente na forma de pensar e agir.
O livro conta os altos e baixos da história da Rough Trade.

Mas o espírito DIY foi o que manteve o Rough Trade como uma força criativa até hoje, apesar de alguns percalços. No início dos anos 90, o selo passou por diversas dificuldades financeiras que o mantiveram fora de ação por boa parte da década. Mas sua mítica imagem continuava viva na mente do público inglês e na virada do século, seus donos Geoff Travis e Jeannette Lee o relançaram com toda a pompa e substância.
O livro "Document And Eyewitness: An Intimate History of Rough Trade" conta em detalhes toda a rica história de mais de 30 anos do selo. O jornalista inglês Neil Taylor, que trabalhou por muitos anos na NME, traz depoimentos de personagens importantes que presenciaram o desenvolvimento do selo como o dono Geoff Travis e os músicos Robert Wyatt, Green Gartside e Jarvis Cocker, que contam sobre as diversas fases da agitada vida do Rough Trade. O livro será lançado no dia 22 de julho e pode ser comprado nas melhores livrarias online.
Com uma história recente cheia de importantes álbums como o
The Modern Age, do
Strokes, os discos de estréia de Libertines e Arcade Fire, entre muitos outros, o Rough Trade hoje é um dos selos com uma das produções mais consistentes no mundo. E quando pensava-se que não havia mais para onde a sonoridade do selo se expandir, lançaram o último cd do
Pantha du Prince, um techno obscuro e completamente diferente dos seus últimos lançamentos.
Com tamanha abrangência e mentalidade aberta, bem que podemos ter outros 30 anos de Rough Trade.