"Eu acho que sempre me interessei em saber e ouvir que tipo de música estava sendo tocado em algum outro lugar do mundo."
Guillaume Coutu Dumont é o cara do techno canadense. Com irreverência e uma abrangência sonora difícil de ser comparada, Guill construiu sua carreira paralelamente ao crescimento do
Mutek, festival canadense que reúne muito da melhor música eletrônica experimental da atualidade -
veja aqui o lineup de 2010.
Seu primeiro trabalho de expressão foi junto de Julien Roy no projeto micro-house Egg, em 2003. Desde então, o cara construiu uma sonoridade que usa a mentalidade da precisão do micro-house com uma boa dose de suíngue e cuidadosa pesquisa sonora, dando um sabor único para cada uma de suas músicas.
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Guillaume & The Coutu Dumonts - The Flying Dutchman (mp3)
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Guillaume & The Coutu Dumonts - Le Tigre - 12A/9A (mp3)
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Guillaume & The Coutu Dumonts - I Was On My Way To Hell - 4A, I Was On My Way To Hell (mp3)
Pudera. Guillaume estudou eletroacústica (
Stockhausen, anyone?) na faculdade, tocou como percussionista em uma banda funk e já passou uma temporada no Senegal, estudando ritmos peculiares. Experimental, multi-cultural e com um senso de humor meio esquisito. Bem canadense.
Sem querer provar nada pra ninguém, seu projeto Guillaume & The Coutu Dumonts tem vários sólidos releases por selos bacanudos como
Oslo,
Musique Risquée e
Circus Company e apresentações nos melhores festivais do mundo. O canadense desembarca por aqui com seu live-act para duas apresentações: uma no
recém-reformulado Vibe de Curitiba e outra no
D-Edge, nos dias 9 e 10 de julho respectivamente. Entre um vôo e outro ele abriu o laptop respondeu algumas perguntinhas. E a etnologia, Guillaume?
"Eu não toco como DJ mesmo. Mas respeito muito a forma de arte.". Viu, Deadmau5?

Você é originalmente de Montreal, já vivenciou a cena de lá e recentemente se mudou para Berlim em busca de novos ares. Qual lugar no mundo tem a mais interessante e excitante cena eletrônica hoje em dia?Bom, é difícil dizer porque mesmo viajando muito eu não fico muito tempo no mesmo lugar. Eu ainda amo muito a cena eletrônica de Berlim porque tudo lá ainda é muito vivo. Acho que Londres sempre manterá seu lugar porque é uma cidade muito festeira, apesar de ter ouvido que a crise atingiu a cidade bem forte e alguns clubs estão passando por muitas dificuldades financeiras. Mas com isso, as festas underground estão florescendo.
Suas composições sempre tiveram algum tipo de sabor étnico, bem antes disso se cristalizar como uma tendência no mundo techno / tech-house. De onde vem isso?Antes de estudar música, eu considerava a antropologia (mais específicamente a etnologia). Eu acho que sempre me interessei em saber e ouvir que tipo de música estava sendo tocado em algum outro lugar do mundo. Quando eu uso algum sample ou gravação com esse "sabor étnico" a que você se refere, eu o faço pensando nas qualidades desse som. Não é tanto pela referência. Na verdade, na maioria das vezes eu tento esconder as origens de cada som, misturando com algo que os deixem completamente fora de contexto.
Você recentemente se apresentou ao vivo com a banda The Side Effects, no festival Mutek deste ano. A banda também aparece no seu último lançamento, o excelente Breaking the Fourth Wall. Como se apresentar com essa banda afetou a maneira que você pensa música?Antes de fazer música por conta própria, eu tive muitos projetos colaborativos (Egg, Luci, Chic Miniature e o Racam, por exemplo). Mas mesmo antes deles eu estava tocando em bandas como percussionista. Tocar com outras pessoas é bem natural para mim. Claro que dessa vez no Mutek foi bem diferente pois as composições estavam vindo de mim. Foi super legal. Os músicos que tocam comigo são excelentes e nem preciso dizer que eu adoraria levar esse projeto adiante.
Você tem alguma familiaridade com a música brasileira? Que tipo de música você tem ouvido fora dos clubs?Tenho que adimitir que não escuto música eletrônica fora dos clubs há uns dois meses. Eu ouço o máximo de música que consigo e os estilos são bem diversos: Bukka White, Al Green, Fatback, Bill Evans,
Arthur Russel, Theo Parrish,
Mayer Hawthorne, Outkast, Madlib, The Budos band.... a lista continua. Quanto a música brasileira, conheço pouco os miúdos. Uma vez toquei em um grupo de samba em Montreal. Foi bem engraçado ver a expressão no rosto da primeira fila do público, a cada vez que a caixa soava.
Você disse em uma entrevista que você nunca toca como DJ. Você prefere se apresentar ao vivo. O que podemos esperar das suas apresentações no Brasil, em São Paulo e Curitiba?Você está certo. Eu não toco como DJ mesmo. Mas respeito muito a forma de arte. Prefiro tocar ao vivo porque.... bem, é o que sei fazer. Eu uso controladores de tecla para fazer melodias e alguns pads de percussão e vou criando camadas. Dá um toque de improvisação bacana para a música. Vocês podem esperar grooves suingados e muita sacolejação de quadril. Mas e pergunta mesmo é: o que eu posso esperar de vocês?
SERVIÇOGuillaume & The Coutu Dumonts @ Vibe Club, curitibaSEXTA - 09/JUL - 23h
R. Des. Motta, 2311- Centro, Curitiba
Curitiba
(0xx)41 3022-2323
Guillaume & The Coutu Dumonts @ D-Edge, São PauloSÁBADO - 10/JUL - 23h
Mothership Especial c/ Marcio Techjun e Guillaume & The Coutu Dumonts
Al. Olga, 170 - Barra Funda, São Paulo
preço: h & m - r$70 entrada
lista: R$45, enviar nomes para facebook@promother.net até ás 22h
=)
São duas "apostas" de ótimos live acts, que estão sendo recebidas com muito entusiasmo pelo público, além dos clubs que estão investindo nestas atrações de altíssimo nível, que a Entourage tem o prazer de trazer ao Brasil.
Podem esperar diversas coisas bacanas para o segundo semestre. Sempre com foco na música eletrônica original e de qualidade.
Sobre o som, dispensa comentários, o novo cd dele pela Circus Company destila originalidade. Feliz de estar vindo pra cá. E tomara que o Vibe club abrindo pra essa proposta faça chegarem com mais precisão tudo aquilo que a gente tem vontade de ver :] Afinal, é mais alguém com interesse em trazer som fresh. Pena que nao vou poder ver no d.edge aqui também :/ Toco no dia, assim como a galera aí, rs.