Inauguracão da esperada e ambiciosa reforma do club não tem data, mas está próxima.
"Às vezes é difícil manter os dois lados, balancear a vida noturna com a rotina diária. Como eu sou o proprietário do D-Edge eu tenho que estar lá em pessoa para checar o que está acontecendo diariamente. Mas eu também gosto de sair e estar no clube a noite, eu bebo, eu socializo, eu festejo". Sentado em seu suntuoso apartamento em São Paulo,
Renato Ratier sorri enquanto fala das dificuldades de ser o empresário à frente do super bem-sucedido
D-Edge e lidar com as tentações de ser um dos mais populares e aclamados DJs de house music na América do Sul.
Entusiasta da eletrônica desde os anos 90, depois de descobrir as rafes nos Estados Unidos, ele voltou ao Brasil e começou a promover festas em sua cidade-natal, Campo Grande, onde abriu o primeiro D-Edge em 2000. A reputação do clube foi construída seguindo a estratégia de levar grandes DJs internacionais de tenho e houve, sempre selecionadas por Renato e em 2003 foi aberto o clube atual, em São Paulo, que ainda hoje segue a mesma política musical baseada em estrelas importadas e os melhores talentos brasileiros. Estamos em 2010, o D-Edge de Campo Grande fechou faz tempo e o de São Paulo segue reconhecido como o mais prestigiado clube da América do Sul. Com capacidade para 400 e tantas pessoas e às vezes aberta sete noites por semana. O sistema de luz, que faz parte da fama do clube, desenhado pelo artista gráfico
Muti Randolph, é item essencial da próxima fase do crescimento do D-Edge, a aguardada expansão que vai dobrar a capacidade do clube e cuja programação visual nós adiantamos
nessa matéria, publicada em 2009.
"Há três anos nós começamos o planejamento, e os problemas começaram imediatamente, assim que eu decidi comprar o prédio vizinho", fala Renato, sobre o atraso na reforma (noticiada pelo rraurl pela primeira vez
em 2004 e depois em entrevistas de
2006 e
2009) que impacienta frequentadores e entusiastas do D-Edge. "Eu falei com o dono sobre preços e detalhes, ele mandou todos os papéis para os meus advogados checarem tudo e logo depois eu liguei e disse 'ok, parece que está tudo bem', eu vou assinar e pagar, vamos em frente?' e ele disse 'errr, acontece que agora eu vou vender para outra pessoa'. Esse foi o primeiro de muitos problemas".
Permissões específicas se seguiram a complicações maiores quando os arquitetos descobriram que o prédio estava em cima de um trecho terra perigosamente próximo a um lençol de água instável. "Nós tivemos que fazer fundações trinta metros abaixo da terra para aguentar o peso de quatro andares. E também que resolver questões de design".
"Depois que eu e o Muti, que é quem resolveu todas as questões de luz, concordamos sobre como seria a cara do club, falamos com os dois arquitetos responsáveis sobre como eles poderiam realizar os designs e o processo começou. Muito tempo se passou, mas estamos muito perto de finalizar tudo".
Como será o novo club quando estiver pronto, qual o plano?Renato Ratier: Eu decidi deixar o D-Edge um pouco maior, nós precisávamos de mais bares e banheiros, por exemplo. Algumas pessoas gostam do club como está, mas às vezes também me dizem que ele precisa de uma área mais quieta, menos intensa. Não estamos mudando o conceito do D-Edge. Em princípio foi difícil porque nós queríamos manter o mesmo conceito de luzes e a mesma linha do club. Mas eu acho que demos um jeito, usando outros materiais.
E o tamanho?Nós temos uma nova entrada com uma pequena loja, vendendo discos e produtos de parceiros nossos como equipamentos da M Audio e da Pioneer. Se alguém quiser ser um DJ pode comprar o que precisar no club (rindo). Estamos construindo outra pista de dança, para cerca de 250 pessoas, e um lounge onde também teremos um DJ. O lounge vai receber entre 150 e 200 pessoas no máximo, não mais que isso. Também teremos um espaço aberto, para até 200 pessoas. Com as pessoas se espalhando pela casa, todo mundo fica confortável. A pista principal continua a mesma.
Você planeja abrir todas as áreas todas as noites?Não, apenas nos finais de semana. No momento nós temos algumas noites em que temos três artistas internacionais convidados, então é uma necessidade ter mais pistas. Eu diria que às quintas, sextas e sábados nós poderemos abrir o club todo, mas sempre teremos a flexibilidade de fazer diferentes festas usando diferentes espaços. Às vezes eu me preocupo de estar sendo muito ambicioso, de estar dando um passo grandes demais. Mas é bom sair da zona de conforto.
O que você pensa da noite de São Paulo e do Brasil no momento. É forte? Quanto?Eu acho que a noite de São Paulo é muito forte, está acontecendo. Você tem locais como o
Hot Hot, o
Vegas, fazendo noites interessantes, vê um nome grande como a
Pacha, mas não é um cenário dominado por um club.
As pessoas aqui têm me falado muito sobre como os clubs tocando música pop e Lady Gaga estão dominando a noite de São Paulo...É, mas eu acho que isso está acontecendo em todo o lugar. São Paulo tem muitos, muitos clubs, a noite vai bem. Algumas pessoas reclamam de que é muito comercial, mas se você for para Londres ou para Berlim vai ver clubs comerciais por lá também.
O D-Edge atual é um club bastante escuro e não tem uma área VIP além daquele pequeno espaço perto dos toca-discos…Eu não assumo uma posição, se eu sou underground, se sou isso ou aquilo. O club é bastante moderno e as novas áreas vão oferecer espaços mais sofisticados. Eu quero levar boa música para as pessoas e atrair pessoas que respeitem uns aos outros. Eu vou na Loca, eu vou na Pacha para ver como é, e eu gosto de quebrar essas barreiras.
O quanto você está pessoalmente envolvido em quais DJs trazer para tocar no clubTotalmente. Quando eu abri o D-Edge eu comecei com noites e estilos de música que eu queria ver no club, trabalhei com os promoters e conversamos bastante. Eu gosto de ouvir as opiniões de todos, mas eu fecho os negócios, eu finalizo a programação. Eu gosto de trazer novos artistas e também de trazer nomes que ajudamos a construir. Nós vamos trazer uma nova geração de produtores e continuar bookando DJs como Jeff Mills, Mark Farina, Derrick Carter, Stacey Pullen, Green Velvet. Nós temos Detroit, Chicago, Berlin, novos produtores de disco house. Eu quero manter um balanço entre novos nomes e os já estabelecidos.
O mercado musical está em colapso para muita gente. Porque abrir um selo agoraPara fazer crescer os novos talentos brasileiros. Muitos bons produtores e artistas estão vindo aqui. Eu também quero ajudar as pessoas envolvidas no club. É bom para o D-Edge e bom para a cena brasileira. Eu não penso que vou fazer rios de dinheiro com o selo, mas estou feliz em investir.
Clubs europeus como a Pacha e o Ministry of Sound têm impérios globais e o brasileiro Warung está apresentando uma temporada em Ibiza essa semana (leia aqui). Existe um plano similar do D-Edge?Sim, eu gostaria de fazer isso, mas é preciso cautela. Já ouvi propostas para abrir o D-Edge para diferentes lugares, como Portugal, mas não tenho essa ambição. Para Ibiza gostaria de uma festa em algum lugar especial. Eu comecei o D-Edge com muito amor. Não comecei com planos de ganhar dinheiro ou construir um império. Eu gosto da música, das festas.
Você sente que faz parte de uma comunidade junto com os outros clubs de São Paulo, como o Vegas, Hot Hot, Lions, etc?Não muito aqui em São Paulo, mas muita gente fala comigo de outras partes do Brasil. Nós vamos começar uma noite em Florianópolis logo mais, em que eu serei residente. Teremos uma noite regular do D-Edge em Curitiba também.
Um promoter inglês falou comigo semana passada sobre como agentes gananciosos cobram cachês altos demais. Quanta pressão você sofre de agentes europeus nesse sentido, ou cobram mais barato de você por causa de sua reputação?Não sei se DJs fazem preços especiais porque querem tocar aqui. Alguns sim, alguns não. Nós fechamos com alguns e pagamos muito bem porque realmente os queremos no club, é diferente a cada vez. Os agentes sabem que o D-Edge é um club pequeno, para 400, no máximo 450 pessoas.
meu lugar preferido!!!
Duas décadas de total dedicação a dance music, Renato Ratier, somente estando ao seu lado temos a noção exata do quão comprometido ele é quando o assunto é eletronica. Mais do que palavras seus inumeros feitos falam por si só, entenda-se festas (open air | indoor), clubs (D-Edge CGR | D-Edge SP | Tozen), label e gigs memoráveis nos mais variados clubs, eventos e festivais ao redor do globo.
Então, manisfesto minha gratidão, por fazer parte de parte dessa jornada. Muito Obrigado !
Parabéns Renato!
Mais, e mais 10 anos virao!
Estou na espectativa da abertura da parte nova!
Se preparem pq o que esta por vir é ABSURDO!!
Abçs,
Careca.