Matrona inglesa do dubstep é política e conciliadora, louvando o "amor global" à música bass
24.06.10 16:30
Com seu programa nas madrugadas de quinta na Radio 1 (BBC), Mary Anne Hobbs é uma das figuras mais relevantes não só do dubstep, mas da cena britânica no geral, que desde John Peel radialistas têm um papel fundamental e carismático na disseminação musical - posto que não foi perdido com o advento da web.
Na ocasião de seu terceiro showcase no Sónar - levando Flying Lotus, Joy Orbison e Roska ao Sónar Lab, falamos com a DJ sobre a significância e os rumos do dubstep, que no festival catalão foi uma das principais sonoridades e que mostra uma evolução fundida em diferentes sonoridades (cunhamos, com abstração, o termo 'pós-dubstep'; leia nossa cobertura do Sónar 2010 aqui).
Solícita e bem apessoada, Mary Anne se esquiva de avaliar pontualmente suas "crias" e corroborar críticas, afirmando que o que vale é se diferenciar e buscar a revolução musical, numa sonoridade que tem como objetivo celebrar o bass.
Mary Anne Hobbs @ Sónar 2009 (*Set da DJ no Sónar 2010 deve ser transmitido em seu programa em breve)
Qual sua opinião sobre a relevância do Sónar hoje, você que é uma espécie de "curadora" dos sons dubstep do festival?
O Sónar é o único grande festival na Terra para mim. Eu levo alguns de meus favoritos jovens artistas para tocar a um público 10 vezes maior do que qualquer coisa que eles já experimentaram.
É um dos mais significantes eventos para a nova música, e um set triunfante no Sónar pode de fato mudar a trajetória e a carreira de um artista
Em termos gerais, o que o dubstep tem para oferecer em 2010?
O dubstep se tornou um guarda-chuva em 2010. Representa um amor global da música bass... Um senso de família e comunidade, um genuíno espírito de liberdade criativa.
Mary Anne Hobbs @ Sónar Lab 2010
E qual o pior - e o melhor - lado da popularização do gênero?
É tudo vantajoso... Espalhar a mensagem com uma forte e positiva coleção de artistas, produtores e DJs trabalhando ao redor do mundo para levar adiante o som que amamos, e para testar os limites da exploração sônica, só pode ser uma coisa maravilhosa.
Qual artista/faixa mais ultravalorizado do dubstep, e qual merecia mais destaque, em sua opinião?
Acho que não há isso. Artistas se posicionam bem quando tem algo significante e realmente inovativo para oferecer e alcançar os seus sonhos.
Quantas promos, contatos de RP e artistas você recebe em uma média semanal? Como lidar com esse fluxo colossal de música e informação?
Eu lido com cerca de 700 faixas por semana, tanto físicas quanto digitais que chegam em minhas caixas de entrada. Regularmente também sigo através de vastas explorações no SoundCloud e no MySpace para caçar novos artistas. Isso pode ser algo realmente cansativo, que te leva à beira da loucura. Mas é minha paixão, é a única forma de viver.
Não só no dubstep, mas muitos artistas nos últimos tempos tem se "escondido" atrás de máscaras, preferindo não expor suas identidades. O que você acha disso?
Se a música deles for poderosa o suficiente para se impor sozinha, então é uma coisa muito especial do século 21. Burial é o artista mais famoso dos nomes "sem rosto".
O que Mary Anne Hobbs cresceu ouvindo?
Cresci ouvindo Sex Pistols, principalmente quando criança. Eu vivia numa cidade muito pequena e remota, se você queria algum disco tinha que encomendar e levava 9 semanas para chegar na loja. Meu pai baniu música de casa, e ele quebrava todos os discos que encontrasse, mas isso nunca me impediu de comprar e ouvir música.
Planos para 2010? Planos para tocar no Brasil?
Penso em ir ao Brasil e à América do Sul como uma de minhas grandesa ambiões. Espero excursionar por aí em 2011, eu poderia aprender muito por aí, não tenho dúvidas.