A Copa da batucada
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A Copa da batucada
Músicas e artistas para mandar um "axé" nos ritmos africanos à Copa do Mundo
14.06.10 23:25
A seleção brasileira debuta esta semana na Copa e não podemos deixar de mandar o nosso "axé" de sorte inspirado nos ritmos do continente africano. Vamos dançar com os vídeos deste post, afinal, o que mais gostamos de fazer nas pistas costuma ser o ponto de partida para qualquer celebração na África. O evento futebolístico de 2010 começou em grande estilo com apresentações de representantes da casa como Amadou & Marian, autores do clássico álbum "Dimanche À Bamako" (2004) que teve co-autoria de Manu Chao.

"Os africanos deram um exemplo de como divulgar a boa música e a cultura de um continente. Colocar o filho de Ali Farka Toureé, Amadou et Marien e Hugh Masekela mostra o compromisso. Acho que o africano serve de exemplo como um povo que sempre está atento as suas raízes", comenta o DJ Rafael Moraes, do trio brasileiro de afro deep house Nomumbah.

O sócio do Neu Club e DJ de global beats Dago Donato também aprovou a cerimônia de abertura da Copa. "Em primeiro lugar, curti a Shakira, claro... brincadeira (risos!). Curto muito Amadou & Marian, Vieux Farka Touré e meus favoritos: BLK JKS e Tinariwen. Foi massa também ver eles prestigiando o kwaito com o Big Nuz e DJ Tira.
Se eles erraram na seleção do resto do mundo, nos africanos acertaram
em cheio", acredita.

Se você perdeu a cerimônia de abertura da Copa (como eu), veja a performance da faixa que leva o mesmo nome do último álbum do duo, "Welcome to Mali", e outros shows interessantes.









Amadou Bagayoko e Mariam Doumbia também tocaram no ritual de abertura a faixa de 2008 "Africa", que agora ganha remix do Bob Sinclair. O DJ francês, ao contrário do que parece, já foi um cara muito bacana na década de 1990 - ouça aqui o seu literal passado negro. E a pergunta que não quer calar: Será que depois da Copa o kuduro de Angola e o kwaito de Joanesburgo ainda serão considerados sons de gueto?

Amadou & Mariam
Amadou & Mariam


"Cara, acho que a Copa não faz muita diferença. Mas, ao mesmo tempo, vejo que cada vez mais as músicas de gueto do mundo são aceitas como uma alternativa legal no campo da música eletrônica. Particularmente, acredito que muitas das coisas mais interessantes da eletrônica têm vindo da tal world music 2.0, global ghettotech, ou como prefiram chamar", explica Dago.

Toda sexta-feira em São Paulo, o cara agita a globalizada Explode na casa low profile da Água Branca. "Sempre rola kwaito e kuduro. Também gosto de tocar, no início ou no fim da festa, coisas de afrobeat, high life, soul e funk nigeriano, calipso do oeste africano, sons ‘afri-colombianos', jazz etíope, essas coisas. Tem os sons de outros lugares, mas com inspiração africana que sempre vão bem, tipo ‘King of Africa', do Douster, ‘Train to Bamako', do Myd, ‘Ayoba', do Schlachthofbronx...", completa Dago.

AFRO & DEEP HOUSE

"Adiei uma tour em Joanesburgo e Cidade do Cabo entre outras cidades nessa época da Copa, por alguns motivos que incluem agenda e a chegada do meu filho. Mas estamos re-organizando para até o final do ano. Soube desde sempre que o deep house é o som das FMs da África do Sul, e que por lá quando mais deep e underground, mais conceituado o DJ", explica Rafa Moraes que também apresenta o programa "Beats Eldorado" no dial brasileiro.
Rafael, que é percussionista profissa e já bateu no couro para Elza Soares e Nando Reis, entre outros, explica a similaridade do deep house com a música de origem africana de forma objetiva: "existe uma ligação forte por causa da batida quase sempre 4x4 dos ritmos ritualísticos, com um tambor marcando sempre o primeiro tempo de cada compasso".





O Nomumbah, projeto que Rafa criou em 2006 ao lado de Alê Reis e André Torquato, é o único brasileiro a figurar no casting de selos bacanudos como Strictly Rhythm, Sonar Kollektiv e Yoruba. Este último, que lançou o álbum do trio "Love Moves", é a mítica casa do americano Osunlade, DJ e pai-de-santo baseado na Grécia, cujo nome artístico significa que é filho do orixá Oxum. Iorubá é uma das línguas predominantes na Africa e a mais faladas nos rituais religiosos, inclusivo no Brasil. "Por ter o programa de rádio e lançar pela Youruba, as portas se abrem mais facilmente. Tenho bastante contato com muitos artistas da África, aliás, dentro da cena deep house é cada vez maior o número de novos nomes, como Culoe De Song e Black Coffe".





IT BEGAN IN AFRIKA

"Toquei em Tenerife no mês passado. Apesar de ser uma ilha do continente africano, faz parte da Espanha por causa da colonização. Gostaria muito de tocar na Nigéria", conta o DJ paulistano Tahira, que é um dos brasileiros a carregar a bandeira do afrobeat da década de 1970.

Tahira e o afrobeat
Tahira e o afrobeat


Espécie de funk-soul africano, a música de Olufela Olusegun Oludotun Ransome-Kut, ou somente Fela Kuti, é um legado cultural muito forte que resiste até hoje na música pop africana. "Existem várias bandas novas fazendo afrobeat como Akoya Afrobeat, Kaleta ZoZo e Kokolo. O selo de house Yoruba Records tem um dos pés no afro e o gênero Uk Funk, tipo o som do Roska, que tem os beats totalmente inspirados no afrobeat", explica o grande pesquisador dos pilares da dance music e idealizador da anual celebração Festa Fela.







"Quando morei em Londres em 1999, o afrobeat teve sua explosão na Europa. Na época a Talkin Loud lançou um box com vários vinis do Fela. Foi aí que tive o contato com o afrobeat. A principio estranhei porque eram tracks de 10 a 15 minutos, mas ouvindo com calma saquei o groove e pirei".






A origem e importância da dança africana
A dança originou-se na África como parte essência da vida nas aldeias, ela acentua a unidade entre seus membros, por isso é quase sempre uma atividade grupal. Em sua maioria, todos os homens, mulheres e crianças participam da dança, batem palmas ou formam círculos em volta dos bailarinos. Todos os acontecimentos da vida africana são comemorados com dança, nascimento, morte, plantio ou colheita; ela é a parte mais importante das festas realizadas para agradecer aos deuses uma colheita farta. As danças africanas variam muito de região para região, mais a maioria delas tem certas características em comum.

Fonte: http://dancas-africanas.blogspot.com/

Felicio Marmitex
Felicio Marmitex
www.twitter.com/feliciomarmitex
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